O país que recebe apenas 9.500 turistas por ano: o destino mais remoto do planeta

Kiribati é um Estado insular do Oceano Pacífico com uma característica geográfica que nenhum outro país no mundo possui

15/04/2026 09:33

Enquanto destinos como Tailândia e Bali lidam com o peso do turismo em massa, existe um país no meio do Oceano Pacífico que enfrenta o problema oposto: quase ninguém chega até lá. Kiribati recebe apenas cerca de 9.500 visitantes por ano, um número que muitos hotéis de praia enchem em um único fim de semana de alta temporada. Para quem sonha em conhecer algo verdadeiramente intocado, esse arquipélago perdido entre ondas e horizontes pode ser o lugar mais raro do mundo.

Kiribati é um Estado insular do Oceano Pacífico com uma característica geográfica que nenhum outro país no mundo possui
Kiribati é um Estado insular do Oceano Pacífico com uma característica geográfica que nenhum outro país no mundo possuiImagem gerada por inteligência artificial

Onde fica Kiribati e por que sua localização é tão incomum?

Kiribati é um Estado insular do Oceano Pacífico com uma característica geográfica que nenhum outro país no mundo possui: seu território se estende pelos quatro hemisférios da Terra ao mesmo tempo, tanto ao norte quanto ao sul do equador, e tanto a leste quanto a oeste do meridiano de 180 graus. São 32 atóis espalhados por uma área oceânica enorme, com apenas cerca de 811 quilômetros quadrados de terra firme no total, menos do que muitas cidades brasileiras de médio porte.

Com uma população de aproximadamente 140 mil habitantes distribuídos por cerca de 20 ilhas habitadas, Kiribati é um país de dimensões modestas, mas de escala oceânica impressionante. A capital Tarawa concentra a maior parte da vida urbana e política do arquipélago, e é o principal ponto de entrada para os poucos turistas que chegam até lá todos os anos.

Por que tão poucos turistas visitam Kiribati a cada ano?

A resposta mais direta é a distância. Kiribati não está apenas longe de tudo, está longe de tudo ao mesmo tempo. Para chegar até o arquipélago, a maioria dos viajantes precisa passar por escalas em cidades como Los Angeles, Cingapura ou Honolulu, acumulando mais de 24 horas de deslocamento aéreo apenas na ida. Não existem conexões marítimas regulares, e as poucas rotas aéreas disponíveis operam com frequência limitada e tarifas elevadas.

Além da dificuldade de acesso, outros fatores afastam o turismo convencional desse destino remoto:

  • Infraestrutura limitada: há poucas opções de hospedagem, restaurantes e transporte local, o que exige um planejamento cuidadoso e muito mais flexibilidade do que a maioria dos viajantes está acostumada
  • Custo elevado: a combinação de voos longos, escalas obrigatórias e serviços escassos torna a viagem significativamente mais cara do que destinos tropicais convencionais
  • Vulnerabilidade climática: Kiribati é um dos países mais ameaçados pelas mudanças climáticas no mundo, com ilhas de altitude média inferior a dois metros acima do nível do mar, o que torna sua existência futura uma questão urgente e real
  • Ausência de marketing turístico: ao contrário de destinos que investem pesado em promoção internacional, Kiribati optou por um modelo de turismo discreto e sustentável, sem campanhas agressivas de atração de visitantes

Confira o vídeo do canal do Joe HaTTab com mais de 16 milhões de visualizações visitando o país de Kiribati:

O que torna Kiribati um destino especial para quem chega até lá?

Justamente o que afasta os viajantes comuns é o que atrai os exploradores de verdade. As praias de areia branca de Kiribati são praticamente desertas, as águas turquesa do Oceano Pacífico ao redor dos atóis guardam uma vida marinha exuberante e pouco perturbada, e a cultura local i-Kiribati preserva tradições que o contato com o turismo em massa costuma corroer rapidamente. Mergulho, observação de fauna marinha e pesca são algumas das principais atrações naturais do arquipélago.

A capital Tarawa também carrega um peso histórico significativo. Durante a Segunda Guerra Mundial, o pequeno ilhéu de Betio, parte do atol de Tarawa, foi palco de uma das batalhas mais sangrentas do front do Pacífico, com milhares de mortos em poucos dias de combate entre forças americanas e japonesas. Hoje, vestígios dessa batalha ainda podem ser encontrados na paisagem local, tornando Kiribati também um destino de interesse para o chamado turismo histórico e de memória.

Kiribati é um Estado insular do Oceano Pacífico com uma característica geográfica que nenhum outro país no mundo possui
Kiribati é um Estado insular do Oceano Pacífico com uma característica geográfica que nenhum outro país no mundo possuiImagem gerada por inteligência artificial

Como o país lida com a ameaça do avanço do oceano sobre seu território?

Kiribati vive uma das situações mais dramáticas do mundo em relação às mudanças climáticas. Com altitudes médias de apenas 1,8 metro acima do nível do mar, os atóis que compõem o país são extremamente vulneráveis à elevação dos oceanos. O governo já chegou a comprar terras em Fiji como uma espécie de plano de contingência para uma eventual realocação da população, caso as ilhas se tornem inabitáveis nas próximas décadas.

Essa realidade confere ao turismo em Kiribati uma dimensão quase poética. Visitar o arquipélago hoje é, de certa forma, conhecer um lugar que pode não existir da mesma forma no futuro. Para os poucos viajantes que percorrem os longos trajetos do Oceano Pacífico até chegar em Tarawa, a experiência é a de pisar em um dos últimos recantos verdadeiramente remotos e intocados do planeta, um privilégio raro em um mundo onde o turismo em massa alcançou até os lugares mais improvados.

Vale a pena enfrentar tantas dificuldades para visitar Kiribati?

Para a maioria dos turistas que busca conforto, praticidade e destinos bem estruturados, a resposta honesta é: provavelmente não. Mas para quem viaja em busca de experiências genuínas, paisagens que ainda não foram tocadas pelo overturismo e a sensação real de estar em algum lugar onde pouquíssimas pessoas estiveram, Kiribati é uma das respostas mais completas que o planeta oferece. O esforço logístico, o custo elevado e as horas de voo sobre o Oceano Pacífico são o preço que se paga por conhecer um mundo que, em muitos sentidos, ainda não foi descoberto pelo turismo moderno.