PGA levanta R$ 25 milhões para novos hotéis com a Marriott
Grupo pernambucano estreia no mercado de capitais; recursos vão para novos projetos hoteleiros em parceria com a Marriott
O grupo pernambucano PGA Hotels & Resorts captou R$ 25 milhões em notas comerciais na B3 para financiar a expansão de sua operação hoteleira no Nordeste. A operação marca a entrada da empresa no mercado de capitais e ocorre em um momento de ampliação da parceria com a Marriott International, que inclui projetos das marcas Westin e City Express by Marriott.
A cerimônia que marcou a operação foi realizada na B3, em São Paulo, e reuniu executivos da PGA, da Fábrica de Hotéis, do Itaú Empresas e executivos da Marriott responsáveis pelo desenvolvimento da operação na América Latina e no Brasil.

Os recursos captados serão direcionados ao pipeline de empreendimentos da PGA. O dinheiro poderá ser utilizado em diferentes etapas dos projetos, como desenvolvimento, aprovações, implantação, obras, aquisição de equipamentos e mobiliário e preparação dos hotéis para a abertura.
Para uma empresa do setor hoteleiro, a alternativa ganha relevância porque o ciclo entre a definição de um projeto e o início da operação pode exigir desembolsos por vários anos antes de o empreendimento começar a gerar receita.
Capital para acelerar novos projetos no Nordeste
A emissão foi estruturada pelo Itaú Empresas e realizada dentro do Regime Fácil, mecanismo criado pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para facilitar o acesso de companhias de menor porte ao mercado de capitais. A modalidade contempla empresas com receita bruta anual de até R$ 500 milhões e busca reduzir custos e simplificar procedimentos para emissões de dívida.
A PGA foi uma das primeiras empresas a utilizar o mecanismo. Em maio, três operações realizadas nos primeiros meses do Regime Fácil haviam movimentado R$ 100 milhões na B3. A PGA respondeu por R$ 25 milhões desse volume, em notas comerciais.
A entrada no mercado de capitais amplia as alternativas de financiamento da empresa em um cenário de custo elevado do crédito. Em vez de depender apenas de recursos próprios e empréstimos bancários, a PGA passa a incorporar a emissão de títulos como instrumento para financiar sua expansão.

Eduardo Malheiros, diretor do Grupo PGA, afirma que o desafio agora é transformar os projetos em operação e manter o ritmo de crescimento sem comprometer a estrutura da companhia. “Agora o desafio é a gente transformar isso em realidade e poder crescer de forma sustentável, responsável, buscando sempre respeitar o mercado como deve ser”.
Segundo o executivo, parte dos empreendimentos já está em construção e novas unidades devem entrar no portfólio da empresa nos próximos meses. “Tem alguns hotéis nos planos de expensão, alguns já estão em construção. Podemos dizer que, em menos de um ano, teremos mais anuncios”, disse Malheiros, em referência à expansão da parceria com a Marriott.
Da hotelaria de Porto de Galinhas à B3
A trajetória do Grupo PGA começou em Porto de Galinhas, no litoral de Pernambuco. O grupo desenvolveu o empreendimento que posteriormente passou por um processo de reposicionamento para receber uma bandeira internacional.
A relação com a Marriott levou o hotel a operar com a marca Westin. O The Westin Porto de Galinhas tornou-se a primeira unidade da bandeira na região e passou a integrar o portfólio da Marriott no Brasil. O empreendimento também foi o primeiro no sistema all-inclusive da marca no mundo.
A escolha da companhia americana faz parte da estratégia de crescimento da PGA. Para Malheiros, a relação deixou de ser apenas uma parceria comercial e passou a integrar a estratégia de longo prazo da empresa. “Sim, a parceria com a Marriott é de longo tempo. Parceria, eu diria, para a vida toda. A gente escolheu a Marriott, a Marriott nos escolheu e a gente honra muito essa parceria”, afirmou.
O movimento também coincide com uma mudança na escala de atuação da PGA. A empresa deixou de concentrar sua operação em um único empreendimento de lazer e passou a estruturar uma carteira de hotéis em diferentes destinos e segmentos. A expansão combina projetos de padrão mais elevado, associados a própria Westin, com empreendimentos da City Express by Marriott, voltados ao segmento midscale.
Westin desembarca na Paraíba
Um dos projetos em desenvolvimento é o The Westin João Pessoa, no Polo Turístico Cabo Branco, na Paraíba. O empreendimento é resultado de uma parceria entre a Westin Hotels & Resorts, a PGA Administradora de Hotéis e o Grupo Delta.

O projeto prevê investimento superior a R$ 143 milhões, com 168 apartamentos, 24 suítes e dez villas. O hotel terá ainda spa, espaços para eventos e cinco restaurantes. A expansão para João Pessoa representa a entrada da PGA em um novo mercado turístico e amplia a presença da marca Westin no Nordeste.
Em Porto de Galinhas, o grupo também mantém investimentos no empreendimento já em operação. Um dos projetos é a implantação de novas estruturas e serviços no resort, dentro de uma estratégia de atualização do produto e ampliação da oferta aos hóspedes.
A lógica é manter investimentos mesmo em ativos que já estão em operação. Para Malheiros, a hotelaria exige uma política permanente de renovação. “Hotelaria é renovação diária. Não dá para ficar parado no tempo”, afirmou o executivo.
City Express prevê 30 hotéis
A segunda frente da expansão está ligada à City Express by Marriott. Em 2025, a Marriott International e a Fábrica de Hotéis anunciaram um acordo para desenvolver 30 hotéis da marca no Nordeste em um período de 15 anos. O plano envolve investimentos superiores a R$ 1 bilhão.
A marca ocupa uma faixa intermediária do mercado hoteleiro e permite à Marriott avançar para cidades e destinos que não necessariamente comportam empreendimentos de luxo.
Os primeiros contratos começaram a ser assinados em Porto de Galinhas. Outros projetos foram anunciados posteriormente, incluindo unidades em Pernambuco e no Rio Grande do Norte.
Um dos empreendimentos em desenvolvimento é o City Express by Marriott Suape, em Pernambuco. O hotel terá 178 apartamentos e faz parte da primeira leva de projetos previstos na parceria.
Também está previsto um City Express no Recife, com 200 apartamentos. O projeto amplia a presença da marca na capital pernambucana e aproxima a estratégia da Marriott de mercados corporativos e de negócios.
Para a PGA, a diversificação reduz a concentração em um único destino e permite trabalhar com diferentes perfis de demanda. A companhia passa a atuar simultaneamente em mercados de lazer, negócios e turismo corporativo.
Marriott amplia aposta no Brasil
A expansão da PGA ocorre em paralelo a um movimento mais amplo da Marriott no Brasil. A companhia trabalha para ampliar sua presença no país, com novos contratos em destinos turísticos, cidades de médio porte e capitais.
O plano inclui a expansão de marcas já presentes no mercado brasileiro e a chegada de novas bandeiras. A estratégia combina empreendimentos de luxo, hotelaria de padrão intermediário e unidades voltadas ao público corporativo.
No Nordeste, a parceria com a Fábrica de Hotéis é uma das frentes desse movimento. O acordo para 30 unidades da City Express coloca a região entre os principais mercados de expansão da companhia.
A presença de executivos da Marriott na cerimônia da PGA na B3 também sinalizou o peso da parceria na estratégia das duas empresas. A companhia americana acompanha o desenvolvimento dos projetos enquanto a PGA utiliza a captação de recursos para ampliar sua capacidade de investimento.
Do ponto de vista financeiro, a operação na B3 representa mais do que uma captação isolada. A PGA passa a ter uma referência no mercado de capitais e uma nova ferramenta para financiar projetos futuros.
Para o grupo pernambucano, o próximo passo é executar os empreendimentos já contratados, colocar novas unidades em operação e ampliar a carteira em parceria com a Marriott. “Agora o desafio é a gente transformar isso em realidade e poder crescer de forma sustentável, responsável, buscando sempre respeitar o mercado como deve ser”, reforçou Malheiros.