Quando viajar para gastar menos e encontrar destinos mais tranquilos
Viajar na baixa temporada pode reduzir custos e mudar a experiência em destinos de praia, serra e natureza
Escolher a época certa para viajar pode ser tão importante quanto definir o destino. Fora dos períodos de maior movimento, como férias escolares, Réveillon e feriados prolongados, hotéis, companhias aéreas e atrações turísticas costumam ter mais disponibilidade e, em alguns casos, preços mais competitivos. A diferença, porém, varia conforme o destino e o período do ano.
No Brasil, dezembro, janeiro e julho concentram parte importante da demanda turística. Em outros meses, o movimento pode diminuir, mas não há um calendário único que determine quando um destino entra em baixa temporada. Clima, período de chuvas, temperatura e calendário de eventos influenciam diretamente a procura.

A escolha das datas também interfere na experiência durante a viagem. Com menos visitantes, atrações turísticas podem ter filas menores, restaurantes ficam menos disputados e a circulação por determinados pontos turísticos tende a ser mais tranquila.
Para Marco Lisboa, CEO e fundador da 3,2,1 GO!, rede de franquias especializada em experiências de viagens personalizadas, a flexibilidade de datas amplia as possibilidades na hora de montar um roteiro. Segundo ele, o planejamento deve considerar não apenas o preço da passagem ou da hospedagem, mas o custo da viagem como um todo.
Pesquisar com antecedência também ajuda a identificar períodos de menor procura e cruzar essas informações com as características de cada destino. Clima, disponibilidade de hotéis, atrações e orçamento são alguns dos fatores que podem ser considerados antes da compra.
Praias do Nordeste fora do verão
No litoral nordestino, meses fora do verão podem ser uma alternativa para quem procura preços diferentes dos praticados durante os períodos de maior demanda. Fortaleza, Maceió, Natal, Porto Seguro e Porto de Galinhas estão entre os destinos que podem ser avaliados para viagens entre agosto e novembro.
Nessa época, alguns pacotes podem apresentar valores inferiores aos encontrados nos meses mais disputados. A análise, entretanto, precisa levar em conta as condições climáticas específicas de cada cidade, já que o período de chuvas não ocorre da mesma forma em todo o Nordeste.
A mesma lógica vale para a programação local. Eventos e feriados regionais podem aumentar a procura mesmo em meses que, de maneira geral, apresentam menor movimento. Por isso, verificar o calendário do destino antes de fechar a viagem ajuda a evitar surpresas.
Natureza e cidades de serra
Foz do Iguaçu, no Paraná, é outra alternativa para quem pretende viajar em períodos de menor fluxo. O destino reúne as Cataratas do Iguaçu e outras atrações ligadas à natureza e ao turismo de experiência, além de permitir combinar a viagem com visitas ao Paraguai e à Argentina.
A menor concentração de visitantes pode alterar o ritmo dos passeios, especialmente em atrações que recebem grande volume de turistas em determinadas épocas do ano. A escolha das datas, nesse caso, também pode levar em conta o nível dos rios e as condições climáticas.
Já Gramado e Canela, na Serra Gaúcha, podem ser consideradas por quem prefere temperaturas mais amenas e quer evitar os meses de inverno e as férias escolares. Fora desses períodos, a procura tende a ser diferente daquela registrada durante as semanas mais disputadas do calendário turístico.
Cidades históricas e destinos de natureza também podem se beneficiar de uma viagem planejada para períodos menos movimentados. Nesses casos, a vantagem não necessariamente está apenas na tarifa, mas na possibilidade de percorrer atrações com mais tempo e sem a concentração de visitantes típica de datas concorridas.
Como escolher a melhor época
Para quem tem flexibilidade, uma estratégia é partir do orçamento disponível antes de definir a data. Em vez de escolher o destino e adaptar os gastos a uma viagem já determinada, o viajante pode comparar períodos, tarifas e condições de hospedagem e, então, decidir onde e quando viajar.
Esse planejamento também permite encontrar combinações que não aparecem quando a pesquisa fica restrita a uma única data. Alterar alguns dias de uma viagem pode mudar o preço de passagens e hotéis, assim como a disponibilidade de passeios e experiências.
O acompanhamento profissional pode ser outra alternativa para quem não tem tempo para fazer esse cruzamento de informações. Um agente de viagens pode considerar simultaneamente perfil do viajante, datas, clima, orçamento e interesses para montar diferentes possibilidades de roteiro.
A ideia, nesse caso, não é considerar a baixa temporada apenas como sinônimo de viagem barata. Uma hospedagem com tarifa menor pode ter mais valor quando vem acompanhada de maior disponibilidade, atrações menos cheias e um roteiro adequado ao perfil de quem viaja.