Resort na Bahia leva as malas do avião direto ao quarto

Há 27 anos, aeroporto do Transamerica Comandatuba permite que viajantes sigam do avião à hospedagem em cerca de dez minutos

Em Comandatuba, a experiência começa antes mesmo de o hóspede chegar ao resort. Há 27 anos, o aeroporto do Transamerica Comandatuba encurta a distância entre o desembarque e a hospedagem e transforma uma etapa normalmente marcada por deslocamentos em parte da própria viagem.

Inaugurado em 20 de agosto de 1999, o aeroporto nasceu de uma ideia que parecia simples, mas era pouco comum na hotelaria brasileira: aproximar o hóspede do destino desde o momento em que ele deixa o avião. Em vez de transformar a chegada à ilha em uma longa sequência de deslocamentos, o projeto levou a pista de pouso para perto do resort e incorporou o trajeto final à experiência de hospedagem.

Vista aérea do Transamérica Comandatuba, no sul da Bahia
Vista aérea do Transamérica Comandatuba, no sul da Bahia - Divulgação/Transamérica Comandatuba

Da porta da aeronave até a recepção do hotel são cerca de dez minutos. O percurso inclui a travessia de balsa pelo canal que separa o continente da ilha e uma recepção inspirada na cultura baiana. É um intervalo curto para um destino que, pela própria geografia, poderia exigir uma logística muito mais demorada.

A solução ajuda a explicar a importância do aeroporto na história do Transamerica Comandatuba. Mais do que facilitar a chegada, a estrutura ajudou a transformar o acesso em um dos elementos que distinguem o resort, instalado em uma ilha no município de Una, no litoral sul da Bahia.

Uma ideia à frente do tempo

Quando o aeroporto foi inaugurado, a estrutura funcionava como aeródromo privado. A decisão de criar uma pista própria estava diretamente relacionada ao projeto do resort e à necessidade de aproximar o empreendimento dos principais mercados emissores.

Aeroporto de Comandatuba voos fretados aos domingos de São Paulo e Belo Horizonte
Aeroporto de Comandatuba voos fretados aos domingos de São Paulo e Belo Horizonte - Divulgação/Transamerica Comandatuba

Naquele momento, a experiência de viagem ainda era pensada de forma mais fragmentada. O aeroporto era um ponto de chegada, o transfer uma etapa seguinte e o hotel o lugar onde começava a hospedagem. Comandatuba antecipou uma lógica diferente: fazer com que esses momentos estivessem conectados.

A distância entre o aeroporto e o resort passou, assim, a ser medida não apenas em quilômetros, mas em tempo. Para o hóspede, a diferença está justamente aí. O avião pousa e, poucos minutos depois, ele já está diante da recepção do hotel, depois de atravessar o canal de balsa e entrar no ambiente da ilha.

O Transamerica Comandatuba fica no litoral sul da Bahia
O Transamerica Comandatuba fica no litoral sul da Bahia - Divulgação

É uma característica que permanece rara entre resorts de grande porte. Em Comandatuba, a infraestrutura de transporte não ficou separada da operação hoteleira. Ela passou a fazer parte daquilo que o hóspede vivencia.

De aeródromo privado a aeroporto público

Mais de duas décadas depois da inauguração, o equipamento ganhou uma nova dimensão. Em fevereiro de 2021, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) autorizou a operação do aeródromo como aeroporto público, por meio da Portaria nº 4.337, com validade de dez anos.

Vista da piscina do Transamerica Resort Comandatuba
Vista da piscina do Transamerica Resort Comandatuba - Divulgação

A mudança de classificação permitiu a operação de voos comerciais regulares para Comandatuba e ampliou as alternativas de acesso ao resort. Em junho daquele ano, a Azul iniciou voos comerciais semanais ligando o destino a São Paulo e Belo Horizonte.

A transformação também consolidou o aeroporto como uma infraestrutura que vai além da operação exclusiva do resort. O equipamento passou a integrar oficialmente a rede aeroportuária pública e ganhou novas possibilidades de utilização.

A estrutura, porém, preservou sua função principal para quem se hospeda no Transamerica Comandatuba: reduzir o tempo entre a chegada à região e o início da estadia.

O aeroporto como parte da experiência em Comandatuba

É justamente essa integração que torna o aeroporto um capítulo importante na trajetória do resort. Em Comandatuba, o viajante não precisa esperar chegar ao hotel para perceber que a viagem mudou de ritmo.

Interior de uma dos apartamentos do Transamerica Comandatuba
Interior de uma dos apartamentos do Transamerica Comandatuba - Divulgação

Depois do pouso, começa um percurso curto. A bagagem é encaminhada, o canal é atravessado de balsa e a recepção do resort se aproxima. A transição entre avião e hospedagem acontece em poucos minutos e já incorpora elementos do destino.

Essa característica ganhou ainda mais importância à medida que o turismo passou a valorizar o tempo do viajante. O deslocamento deixou de ser apenas uma questão operacional e passou a fazer parte da percepção sobre a qualidade de uma viagem.

Uma solução que atravessou o tempo

Hoje, o resort mantém voos fretados aos domingos com origem em São Paulo e Belo Horizonte. Para quem prefere a malha aérea comercial, também existe a possibilidade de chegar por Ilhéus e seguir por transporte terrestre até a ilha.

Mas é o aeroporto próprio que continua simbolizando a maneira como o destino foi concebido: um resort que não espera o hóspede vencer a distância até chegar à experiência. A própria infraestrutura foi desenhada para encurtá-la.

Poucos empreendimentos de lazer no país têm uma infraestrutura aeroportuária própria integrada à operação hoteleira. Menos ainda conseguiram mantê-la relevante por quase três décadas, atravessando mudanças no setor, novas regras de aviação e diferentes formas de viajar.