João Pessoa terá 1º resort focado em viajantes neurodivergentes do Brasil

Senses Park Resort terá hospedagem sensorial, parque aquático, centro terapêutico e espaços de lazer

João Pessoa, capital da Paraíba, vai ganhar o primeiro resort do Brasil planejado desde a concepção para receber viajantes neurodivergentes e suas famílias. O Senses Park Resort será construído no Polo Turístico Cabo Branco e reunirá hospedagem, lazer e serviços terapêuticos em um mesmo complexo.

A proposta surgiu a partir da experiência do grupo com famílias atípicas e da percepção das dificuldades enfrentadas durante viagens. A ideia é permitir que os hóspedes mantenham uma rotina de cuidados e tenham acesso a estruturas de lazer sem que as férias representem necessariamente uma interrupção de terapias ou adaptações constantes por parte das famílias.

Resort será voltado a pessoas com deficiência e suas famílias
Resort será voltado a pessoas com deficiência e suas famílias - Divulgação

O projeto, desenvolvido pelo Grupo Makários em parceria com o governo da Paraíba, será implantado em um terreno de aproximadamente 3,8 hectares. A estrutura prevista inclui torre de hospedagem, bangalôs, restaurantes, parque outdoor, piscina, espaços terapêuticos, áreas de acolhimento e ambientes destinados à estimulação sensorial e à autorregulação.

A arquitetura do empreendimento é assinada por Leila Azzouz e foi desenvolvida a partir dos conceitos de arquitetura biofílica, sensorial e inclusiva. O projeto prevê a integração entre edificações, vegetação nativa, água e percursos orgânicos, com áreas verdes e espaços de convivência distribuídos pelo terreno.

Arquitetura pensada para diferentes experiências

O conceito arquitetônico foi inspirado na morfologia das conchas e dos corais. As formas orgânicas e fluidas foram utilizadas como referência para representar diferentes maneiras de perceber e experimentar o mundo.

“Cada dobra representa uma singularidade. A ideia é mostrar que, embora cada indivíduo perceba e experimente o mundo de uma maneira própria, todos fazem parte de um conjunto igualmente belo. Por isso, o projeto não é linear. Ele é orgânico, pensado para acolher a individualidade sem perder o sentimento de pertencimento”, explica Leila Azzouz, responsável pelo projeto.

Imagem ilustrativa mostra como será o Senses Polo Turistico Cabo Branco
Imagem ilustrativa mostra como será o Senses Polo Turistico Cabo Branco - Divulgação

Entre os ambientes previstos estão jardins sensoriais, sala de estimulação sensorial, sala de psicomotricidade, hidroterapia, playground inclusivo, sala de acolhimento, espaços de descompressão, área de aventura, casa na árvore, parede de escalada infantil, praça de convivência, experiências digitais em 5D e espaços de leitura.

A natureza terá papel central na organização dos ambientes. Espelhos d’água, jardins e percursos verdes funcionarão como elementos de orientação, conexão e conforto ambiental. Os bangalôs serão implantados em áreas mais reservadas, com proposta de menor estímulo.

“A ideia é que a arquitetura faça parte da experiência. Queremos criar um lugar em que a criança possa se divertir e a mãe consiga descansar, sabendo que existe uma estrutura preparada para acolher aquela família”, destacou a arquiteta.

Inclusão começa antes da chegada

A personalização da experiência está entre os principais pontos do projeto. De acordo com Bruno Canabarro, diretor executivo do Grupo Makários, a estrutura foi planejada para responder às características individuais de cada visitante.

Resort foi desenvolvido a partir da experiência da rede Sentidos, especializada no atendimento a pessoas com TEA
Resort foi desenvolvido a partir da experiência da rede Sentidos, especializada no atendimento a pessoas com TEA - Divulgação

Antes da chegada ao resort, a família deverá preencher informações sobre as características sensoriais, comunicativas e comportamentais da criança ou do hóspede. Com esses dados, a equipe poderá preparar os recursos necessários para a hospedagem.

“A pergunta que fizemos desde o início foi: como fazer com que a experiência se adapte ao nosso cliente e não o cliente precise se adaptar à experiência? A inclusão começa antes de a pessoa chegar ao resort. Queremos conhecer aquela família previamente para que, quando ela chegar, não precise começar tudo do zero”, explicou.

Entre as soluções previstas está a Sense Band, uma pulseira personalizada que deverá reunir informações sobre o perfil de cada criança ou adolescente. Por meio de um sistema integrado, colaboradores autorizados poderão consultar dados necessários para oferecer atendimento de acordo com as preferências, necessidades específicas e orientações para situações de crise.

A tecnologia também deverá contribuir para a segurança e a autonomia das famílias, com recursos de geolocalização e integração a um aplicativo destinado aos responsáveis.

Ambientes terão diferentes níveis de estímulo

Outra solução prevista é a sinalização sensorial dos ambientes. Os espaços poderão ser identificados de acordo com níveis de estímulo baixo, médio ou alto, classificação que poderá variar conforme as condições do ambiente em tempo real.

O projeto arquitetônico foi desenvolvido a partir de conceitos de arquitetura biofílica e desenho sensorial
O projeto arquitetônico foi desenvolvido a partir de conceitos de arquitetura biofílica e desenho sensorial - Divulgação

O resort também deverá utilizar recursos de comunicação visual distribuídos pelos espaços e contar com profissionais capacitados para diferentes formas de comunicação. A proposta é ampliar as possibilidades de interação e reduzir barreiras para os hóspedes.

Entre os serviços planejados está o concierge sensorial. O espaço deverá disponibilizar, sem custo adicional, recursos como abafadores, fones e outros equipamentos de apoio. Os itens poderão ser previamente separados conforme as informações fornecidas pela família antes da hospedagem.

A acessibilidade será trabalhada em diferentes dimensões: física, comunicacional, sensorial e cognitiva.

A proposta contempla recursos de acessibilidade distribuídos por todo o complexo
A proposta contempla recursos de acessibilidade distribuídos por todo o complexo - Divulgação

A proposta do Senses Park Resort é, portanto, incorporar esses recursos desde a concepção do empreendimento, em vez de adaptar posteriormente uma estrutura hoteleira convencional. O projeto reúne hospedagem, lazer e serviços de apoio em um mesmo complexo e tem como público famílias que buscam uma alternativa de viagem planejada para diferentes necessidades.