Viagens corporativas ganham espaço na rotina dos brasileiros
Pesquisa da Hoteis.com mostra aumento dos deslocamentos a trabalho e aponta São Paulo como segundo destino preferido
As viagens a trabalho passaram a ocupar mais espaço na rotina dos brasileiros desde a pandemia. Segundo o relatório Booked for Business, da Hoteis.com, 56% dos viajantes entrevistados afirmam fazer mais deslocamentos profissionais atualmente do que antes da covid-19. Metade diz realizar pelo menos três viagens corporativas por ano.
O volume de viagens também se reflete no tempo passado fora de casa. Cerca de 42% dos entrevistados ficaram oito noites ou mais em viagens profissionais no último ano, enquanto 24% passaram pelo menos 15 noites fora por esse motivo. O levantamento ouviu 1.000 adultos brasileiros que viajaram a negócios nos últimos três anos, entre 10 e 18 de agosto de 2026.

Com viagens mais frequentes e períodos maiores longe de casa, a escolha de onde ficar deixa de considerar apenas a proximidade com o compromisso profissional. Transporte, localização do hotel e facilidade para resolver tarefas durante a estadia passam a fazer parte da decisão.
Para 77% dos entrevistados, transporte, hotéis e conveniência geral são fatores importantes na escolha de um destino corporativo. Outros 69% valorizam cidades com estrutura para reuniões, eventos e realização de atividades profissionais.
A hospedagem também precisa acompanhar a rotina de quem trabalha durante a viagem. O Wi-Fi rápido e gratuito é considerado indispensável por 66% dos brasileiros ouvidos, enquanto 56% apontam problemas de conexão como a principal frustração durante deslocamentos profissionais.
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O que o viajante procura no hotel
Os benefícios mais valorizados estão relacionados à redução de etapas e à manutenção da rotina. Café da manhã gratuito aparece em primeiro lugar, citado por 54% dos entrevistados. Check-in antecipado ou check-out tardio e traslado gratuito para o aeroporto aparecem na sequência, ambos com 38%.
O descanso também ganhou peso na escolha da hospedagem. Uma boa noite de sono é prioridade para 65% dos viajantes brasileiros consultados. Alimentação saudável e possibilidade de manter hábitos da rotina aparecem entre os outros aspectos considerados importantes.

O orçamento, por sua vez, continua delimitando as escolhas. Segundo a pesquisa, 37% dos entrevistados têm um limite de até R$ 1.000 por noite para hospedagem. Outros 41% contam com uma ajuda de custo diária de até R$ 400.
A combinação entre preço e serviços incluídos ajuda a explicar a procura por benefícios que podem reduzir despesas ou facilitar a agenda, como café da manhã, internet e flexibilidade nos horários de entrada e saída.
A localização também ganha outra dimensão quando a viagem dura vários dias. O hotel precisa atender ao compromisso profissional, mas pode funcionar como ponto de partida para atividades realizadas antes ou depois do expediente.
São Paulo fica em segundo no ranking
É nesse cenário que aparece um dos principais resultados da pesquisa. Nova York é o destino mais citado pelos viajantes brasileiros para viagens de negócios, com 42% das menções. São Paulo vem em segundo, com 37%, seguida por Londres, com 26%. Madri e Paris aparecem empatadas, com 16%.

A possibilidade de combinar trabalho e lazer ajuda a explicar as escolhas. Para 59% dos entrevistados, poder estender a permanência ou incluir atividades pessoais durante a viagem torna um destino mais adequado para negócios. É o comportamento conhecido como bleisure (junção das palavras business e leisure).
Em São Paulo, a pesquisa cita o Renaissance São Paulo Hotel como exemplo de hospedagem voltada a esse perfil. Localizado nos Jardins, próximo à Avenida Paulista, o hotel reúne espaços para eventos e fica em uma área que concentra atividades corporativas e opções de restaurantes e serviços.
Quando a viagem de trabalho ganha dias de lazer
O bleisure ganha espaço justamente porque uma parcela dos viajantes permanece vários dias no destino. Em vez de retornar imediatamente após o último compromisso, o profissional pode acrescentar noites à reserva e usar parte do período para atividades pessoais.
A prática também altera a maneira como os hotéis são avaliados. Uma hospedagem próxima ao local da reunião reduz deslocamentos durante o expediente, enquanto a localização em uma região com restaurantes, comércio e atrações pode facilitar o aproveitamento das horas livres.

A pesquisa mostra ainda que o comportamento durante a viagem profissional é diferente daquele observado nas viagens de lazer. Cerca de 76% dos brasileiros entrevistados afirmam acordar mais cedo quando estão viajando a trabalho, e 68% dizem ser sempre pontuais nesse tipo de deslocamento.
A rotina, portanto, passa a ser um dos critérios para definir a hospedagem. O viajante precisa trabalhar, descansar, se deslocar e, em alguns casos, aproveitar o destino no mesmo período. Para as empresas, isso ocorre dentro de limites de orçamento; para o viajante, envolve encontrar uma hospedagem que concentre parte dessas necessidades.
Hoteis.com adapta plataforma às viagens de trabalho
O relatório foi divulgado junto com uma nova experiência da Hoteis.com para reservas corporativas. Disponível desde 1º de setembro no site e no aplicativo, a ferramenta permite salvar preferências específicas para viagens de trabalho e reutilizá-las em reservas futuras.

Entre as opções estão filtros para Wi-Fi, café da manhã, academia, hospedagens totalmente reembolsáveis e limite máximo de diária. A plataforma também permite encontrar novamente hotéis já utilizados e consultar avaliações voltadas às necessidades de quem viaja a negócios.
As estadias corporativas elegíveis podem gerar recompensas para viagens futuras. A proposta é manter reservas profissionais e pessoais na mesma conta, permitindo ao usuário alternar entre os dois tipos de viagem sem criar perfis separados.
A nova ferramenta chega, assim, em um momento em que a viagem corporativa ocupa mais dias e incorpora necessidades que antes estavam mais associadas ao turismo de lazer. A escolha do destino passa pela capacidade de atender à agenda profissional, enquanto a hospedagem ganha peso na organização de toda a permanência fora de casa.