Viajantes 60+ mudam perfil e ampliam viagens ao exterior

Levantamento mostra crescimento de 18% entre 2024 e 2025, com seis em cada dez viagens desse público destinadas a outros países

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O viajante brasileiro com 60 anos ou mais está ampliando a presença no mercado de turismo e mudando o perfil das viagens que compra. Levantamento realizado pela TZ Viagens, com base nas vendas de mais de 300 agências presentes em 24 estados, aponta crescimento de aproximadamente 18% no número de passageiros dessa faixa etária entre 2024 e 2025.

A análise considera os dois anos completos e exclusivamente clientes com 60 anos ou mais. Do total de viagens comercializadas para esse público, 60% tiveram destinos internacionais, enquanto 40% permaneceram no Brasil. Portugal, Itália e Espanha aparecem entre os países mais procurados, seguidos por Turquia e cruzeiros pelo Mediterrâneo.

Seis em cada dez viagens desse público já têm o exterior como destino
Seis em cada dez viagens desse público já têm o exterior como destino - Halfpoint/iStock

No mercado nacional, a procura se concentra em destinos que combinam infraestrutura, atrações culturais e deslocamentos mais simples. Gramado, Foz do Iguaçu, Serra Gaúcha, cidades do Nordeste e cruzeiros pela costa brasileira aparecem com frequência na base da rede.

O avanço acompanha uma mudança demográfica brasileira. O país tinha 34,1 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2024, número 53,3% superior ao registrado em 2012, segundo o IBGE. Para quem chega aos 60 anos, a expectativa média é de mais 22,6 anos de vida, período que amplia o espaço para novos projetos, experiências e decisões de consumo.

No turismo, essa transformação aparece também no calendário escolhido para viajar. A maior flexibilidade de agenda permite que parte desse público embarque fora das férias escolares e dos feriados prolongados, quando encontra destinos menos movimentados e, em alguns casos, condições comerciais diferentes.

Há também viagens que chegam às agências depois de anos de planejamento. Pode ser a primeira viagem à Europa, o desejo de conhecer o país de origem da família ou um roteiro que foi adiado por questões profissionais, financeiras ou familiares.

Exterior entra nos planos de viagem

“Durante muito tempo, o viajante com mais de 60 anos foi associado a roteiros curtos, nacionais e ocasionais. Os dados mostram outro cenário. Ele viaja mais, explora o exterior e está disposto a investir em experiências que, muitas vezes, foram planejadas durante décadas”, afirma Paulo Manuel, CEO da TZ Viagens.

A escolha por destinos internacionais também aumenta a complexidade do planejamento. Documentação, seguro, conexões, localização da hospedagem, deslocamentos entre cidades e ritmo do roteiro entram na organização antes do embarque.

A maioria dos viajantes 60+ preferem os destinos internacionais
A maioria dos viajantes 60+ preferem os destinos internacionais - RomanBabakin/iStock

Nesse cenário, a agência passa a atuar menos como um simples canal de compra e mais como uma fonte de organização e orientação. O viajante pode chegar ao atendimento depois de pesquisar preços, consultar avaliações e conhecer diferentes opções de hospedagem e passeios.

A tecnologia, portanto, não elimina a participação desse consumidor na escolha. Ao contrário, muitos clientes chegam às agências com informações sobre o destino e alternativas já pesquisadas. A demanda está na avaliação dessas possibilidades e na montagem de uma viagem que faça sentido para o perfil do passageiro.

Uma tarifa mais baixa, por exemplo, pode envolver uma conexão pouco adequada. Um hotel bem avaliado pode estar distante das principais atrações. Um roteiro com muitas cidades pode exigir deslocamentos frequentes e caminhadas que alteram a experiência da viagem.

O papel da consultoria aparece justamente nessa etapa. O profissional precisa entender o perfil do passageiro, analisar alternativas e organizar o roteiro de acordo com orçamento, preferências e ritmo de viagem.

Viagens em grupo voltam a ganhar espaço

As viagens em grupo também aparecem entre as alternativas procuradas por esse público. O formato concentra parte da organização, oferece acompanhamento durante o percurso e cria oportunidades de convivência entre os passageiros.

Para quem viaja sozinho, o grupo pode representar uma forma de conhecer outras pessoas ao longo do roteiro. Para familiares, o acompanhamento também pode trazer maior previsibilidade diante de situações que exigem suporte durante a viagem.

As viagens em grupo também aparecem entre as alternativas procuradas por esse público
As viagens em grupo também aparecem entre as alternativas procuradas por esse público - Divulgação/PixaBay

“A tecnologia ampliou o acesso à informação, mas não eliminou o risco de uma escolha ruim. Esse cliente pesquisa, compara e participa da decisão. O papel da agência é transformar esse volume de informações em uma viagem coerente, segura e possível”, diz Manuel.

A consultoria também ganha peso em viagens que representam um projeto pessoal. Uma primeira viagem internacional ou um roteiro planejado durante anos envolve expectativas que começam antes da compra da passagem e continuam na escolha de cada etapa do itinerário.

Reservas, documentos, fornecedores, horários e deslocamentos fazem parte dessa organização. Quanto mais complexo o roteiro, maior a quantidade de decisões que precisam ser tomadas antes do embarque.

Esse movimento não significa que todos os viajantes com mais de 60 anos tenham o mesmo comportamento. O grupo reúne perfis, interesses, orçamentos e formas diferentes de viajar. A expansão das viagens internacionais, porém, mostra que parte desse público está incorporando novos destinos ao seu repertório e usando a flexibilidade de agenda para escolher quando e como viajar.

O comportamento também não é exclusivo da chamada economia prateada. Famílias com crianças, casais em lua de mel, grupos de amigos e passageiros interessados em roteiros complexos recorrem às agências para organizar o investimento e reduzir riscos. No caso dos viajantes 60+, o crescimento registrado pela TZ Viagens acrescenta uma mudança importante: seis em cada dez viagens comercializadas pela rede para esse público já têm o exterior como destino.