Viajar sozinha preocupa 43% das brasileiras, aponta estudo

Pesquisa revela como a internet influencia a percepção de segurança de mulheres e viajantes LGBTQIA+ durante viagens internacionais

Viajar sozinha é um dos principais fatores que influenciam a percepção de segurança das brasileiras durante viagens internacionais. Segundo um levantamento encomendado pela Airalo e realizado pela YouGov, 43% das mulheres entrevistadas apontam essa condição como uma preocupação, enquanto 19% mencionam o próprio gênero.

A preocupação com a segurança também ajuda a explicar a importância que essas viajantes atribuem ao acesso à internet. No Brasil, 91% das mulheres consideram a conexão móvel essencial para se manterem seguras durante uma viagem ao exterior. Entre pessoas LGBTQIA+, o percentual é de 89%. Considerando todos os viajantes brasileiros entrevistados, o índice chega a 90%.

Pesquisa revela como a internet influencia a percepção de segurança de mulheres que viajam sozinhas
Pesquisa revela como a internet influencia a percepção de segurança de mulheres que viajam sozinhas - Gustavo Fring/Pexels

A pesquisa, intitulada “Safe When Travel”, investigou como a conectividade influencia a percepção de segurança e a autonomia de viajantes internacionais. No Brasil, foram ouvidas 502 pessoas que haviam viajado para outros países nos dois anos anteriores ao levantamento.

Os resultados mostram que a possibilidade de acessar mapas, consultar informações sobre regiões desconhecidas, utilizar aplicativos de transporte e compartilhar a localização em tempo real está relacionada à sensação de segurança durante os deslocamentos.

A internet também pode fazer diferença em situações inesperadas, como mudanças de itinerário, dificuldades de comunicação em outro idioma ou necessidade de encontrar alternativas de transporte.

Falta de internet aumenta ansiedade durante viagens

A importância da conectividade aparece também nos níveis de ansiedade relatados pelos entrevistados quando ficam sem acesso à internet.

Em uma escala de 1 a 10, a média entre os brasileiros chega a 8,2. Entre as mulheres, o índice sobe para 8,7, enquanto entre viajantes LGBTQIA+ alcança 8,4.

Os números indicam que a ausência de conexão é percebida de maneira diferente pelos grupos pesquisados, com níveis mais elevados de ansiedade entre mulheres e pessoas LGBTQIA+.

A percepção de vulnerabilidade também varia conforme as características individuais e as circunstâncias da viagem. Entre pessoas LGBTQIA+, fatores como gênero, raça ou etnia, aparência física e orientação sexual aparecem entre os elementos que influenciam a avaliação da própria segurança.

Além dessas características, determinadas situações durante a viagem despertam preocupação entre os brasileiros. Explorar áreas pouco turísticas ou desconhecidas, sair à noite e caminhar depois de escurecer estão entre os fatores apontados pelo estudo.

Internet amplia liberdade para explorar destinos

A conectividade também está relacionada à disposição dos viajantes para conhecer lugares fora dos circuitos turísticos tradicionais.

Segundo a pesquisa, 90% das brasileiras afirmam que uma conexão estável proporciona maior sensação de liberdade para explorar destinos. Entre pessoas LGBTQIA+, o percentual é de 89%, enquanto a média geral dos brasileiros chega a 90%.

O acesso à internet permite pesquisar informações sobre bairros, verificar trajetos, encontrar estabelecimentos e consultar serviços disponíveis nas proximidades. Ferramentas de tradução também ajudam a reduzir dificuldades de comunicação em países onde o viajante não domina o idioma.

Outro resultado do levantamento mostra que a disponibilidade de conexão pode influenciar diretamente a escolha dos destinos.

Entre as mulheres brasileiras, 78% afirmam que ter uma conexão estável garantida aumenta a probabilidade de visitar lugares que normalmente evitariam por questões relacionadas à segurança.

Já entre os viajantes LGBTQIA+ o percentual chega a 80%. Considerando todos os brasileiros entrevistados, o índice é de 81%.

Os dados sugerem que a possibilidade de permanecer conectado contribui para ampliar as opções de viagem, embora não elimine riscos associados a determinados destinos ou situações.

Segurança influencia a experiência de viagem

Para Elyce Bershin, responsável global por relações públicas da Airalo, a conectividade passou a desempenhar um papel que vai além da conveniência durante os deslocamentos internacionais.

“Viajar significa explorar novos lugares, mas também lidar com situações que nem sempre podem ser previstas. Para mulheres e viajantes LGBTQIA+, fatores como viajar sozinhos, estar em ambientes desconhecidos ou circular à noite podem influenciar a percepção de segurança”, afirma.

Segundo a executiva, o acesso à internet pode oferecer uma ferramenta adicional para lidar com situações inesperadas.

“A conectividade pode oferecer uma camada adicional de autonomia, permitindo acessar informações, compartilhar a localização e tomar decisões em tempo real. Os dados mostram que, para muitos viajantes, estar conectado não é apenas uma questão de conveniência, mas uma ferramenta que pode ajudar a navegar situações inesperadas com mais confiança”, acrescenta.

Embora o estudo destaque a importância da internet, a conexão móvel não substitui outros cuidados necessários durante viagens internacionais, como pesquisar as condições de segurança do destino, conhecer os meios de transporte disponíveis e verificar orientações locais.

Como foi realizada a pesquisa

O estudo “Safe When Travel” foi encomendado pela Airalo, empresa especializada em eSIMs para viajantes, e conduzido pela YouGov em nove países: Brasil, Estados Unidos, Alemanha, Canadá, Reino Unido, Itália, França, Austrália e México.

No Brasil, a pesquisa ouviu 502 pessoas que haviam realizado viagens internacionais nos dois anos anteriores. As entrevistas foram feitas online entre 5 e 24 de agosto de 2026, com amostra representativa por gênero, idade e região.