Aquário de São Paulo recebe casal de coalas em iniciativa voltada à conservação da espécie
O Vila Mundo é uma iniciativa do Instituto Acqua em parceria com a Catraca Livre
O Aquário de São Paulo acaba de receber dois novos moradores: Andi, uma fêmea, e Kingsley, um macho, ambos com três anos de idade. Vindos de um zoológico da Austrália, os coalas chegam ao Brasil como parte de uma iniciativa voltada à conservação, pesquisa, bem-estar animal e educação ambiental.
A chegada do casal representa um novo passo da atuação do Aquário de São Paulo na conservação de espécies. O coala (Phascolarctos cinereus) é uma espécie endêmica da Austrália e classificada como vulnerável à extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). Na Austrália, populações de Queensland, New South Wales e Australian Capital Territory são consideradas Em Perigo.
Perda e fragmentação de habitat, mudanças climáticas, secas, ondas de calor, incêndios florestais, doenças e avanço da urbanização estão entre as principais ameaças enfrentadas pela espécie. Os grandes incêndios registrados na Austrália entre 2019 e 2020 agravaram esse cenário e tiveram impacto significativo sobre os habitats e as populações de coalas.
Nesse contexto, Andi e Kingsley chegam ao Aquário também como embaixadores de sua espécie. A expectativa é que a proximidade com os animais ajude a ampliar o conhecimento do público sobre os desafios enfrentados pelos coalas e sobre a importância da preservação dos habitats naturais.
Uma operação que começou muito antes da chegada
Receber coalas fora da Austrália exige uma preparação específica. Antes da transferência dos animais, o Aquário de São Paulo passou por um processo de avaliação e adequação para atender às exigências estabelecidas pelo governo australiano, envolvendo estrutura física, treinamento das equipes, procedimentos de manejo, cuidados veterinários e ações de educação ambiental.
Um dos pontos centrais desse planejamento é a alimentação. Os coalas possuem uma dieta altamente especializada, baseada em folhas de eucalipto, e podem consumir mais de meio quilo por dia. Por isso, é necessário garantir o fornecimento regular de diferentes espécies da planta, com controle de qualidade e disponibilidade contínua.
A rotina de Andi e Kingsley também contará com acompanhamento veterinário e comportamental permanente, medicina preventiva, monitoramento de bem-estar e protocolos específicos para a espécie.
Entre os cuidados previstos estão ainda o acompanhamento de doenças relevantes para coalas, como aquelas relacionadas à bactéria Chlamydia e ao Koala Retrovirus, além de uma abordagem integrada de saúde animal e ambiental.
Conservação, pesquisa e cooperação internacional
A chegada dos animais integra o Programa de Conservação do Coala do Aquário de São Paulo, criado com o objetivo de contribuir para a conservação da espécie no longo prazo.
O programa está estruturado em oito frentes: população ex situ e genética, reprodução, saúde, bem-estar animal, conservação, pesquisa, educação para a conservação e cooperação internacional.
A proposta inclui a manutenção de uma população sob cuidados humanos com elevados padrões de saúde e bem-estar, além da geração de conhecimento científico, ações educativas, conservação in situ e intercâmbio técnico com instituições internacionais.
Para o público brasileiro, representa uma oportunidade de conhecer de perto uma espécie emblemática da fauna australiana e compreender como questões como mudanças climáticas, incêndios florestais e perda de habitat podem afetar a biodiversidade em diferentes partes do planeta.
Andi e Kingsley passam agora pelo período de adaptação ao novo ambiente. A previsão é que o casal possa ser apresentado ao público a partir da semana de 26 de outubro.