Dia da Árvore: escola em São Paulo mantém bosque com 1,3 mil árvores e transforma natureza em sala de aula

O Vila Mundo é uma iniciativa do Instituto Acqua em parceria com a Catraca Livre

Por VilaMundo
Imagem de THỌ VƯƠNG HỒNG por Pixabay
Imagem de THỌ VƯƠNG HỒNG por Pixabay - Foto: Divulgação.

Em meio à paisagem urbana de São Paulo, um bosque com cerca de 1.380 árvores e palmeiras faz parte da rotina de uma escola. No Colégio Humboldt, na zona sul da capital, a área verde reúne mais de 120 espécies e é utilizada como espaço de convivência e aprendizado pelos estudantes. A iniciativa ganha destaque com a proximidade do Dia da Árvore, celebrado em 21 de setembro.

Mais do que preservar uma área verde no ambiente escolar, a proposta é transformar o contato com a natureza em uma experiência cotidiana de aprendizagem. Os alunos podem circular pelos gramados, tocar nas árvores e, em algumas áreas, subir nelas, sempre com as devidas medidas de segurança.
Dessa forma, o bosque se torna uma extensão da sala de aula, permitindo que fenômenos como floração, frutificação, queda das folhas e as transformações provocadas pelas estações do ano sejam observados diretamente e façam parte da experiência dos estudantes.
A diversidade é um dos destaques do espaço. Predominantemente composto por espécies da Mata Atlântica, o bosque também reúne exemplares relacionados a outros biomas brasileiros, como Cerrado e Amazônia, além de plantas originárias de outros países. Entre as espécies estão diferentes variedades de ipês, jacarandás, ibipirunas, patas-de-vaca e pau-brasil.

Quem acompanha de perto as transformações dessa área há 24 anos é Sérgio Buzelli, jardineiro e paisagista do Colégio Humboldt. O conhecimento sobre o manejo das plantas também é fruto de uma história familiar: seu pai trabalhou como jardineiro no colégio, e foi com ele que Buzelli aprendeu parte do ofício e desenvolveu sua relação com o cuidado com a natureza.
“Em todas as áreas verdes, os alunos podem andar nos gramados, tocar nas árvores, e até subir em algumas, com as devidas medidas de segurança. Essa convivência é bastante natural”, afirma Buzelli.

O trabalho de manutenção do bosque também exige observar as características de cada espécie. Em vez de seguir um calendário único para todas as árvores, o manejo considera os ciclos individuais das plantas, incluindo períodos de floração, frutificação, queda de folhas e necessidade de poda.
“Entendendo o ciclo da espécie, a gente vai adotando as medidas necessárias. O ciclo das estações, quando essa árvore floresce, quando essa árvore dá fruto, em que momento ela perde folhas. Nem todas as árvores perdem folhas no inverno”, explica o jardineiro.
Árvores que acompanham gerações

A relação dos alunos com o bosque não termina quando eles deixam a escola. Ao concluir o Ensino Médio, cada turma de formandos planta uma árvore no espaço, criando uma memória permanente de sua passagem pela instituição.
Algumas dessas árvores já acompanham o crescimento de diferentes gerações. Exemplares plantados pelas turmas de 2011 e 2012, por exemplo, permanecem no bosque ao lado de árvores de formaturas mais recentes.

Entre elas está uma magnólia-branca plantada durante as comemorações do centenário do Colégio Humboldt, em 2016. Dez anos depois, a árvore continua sendo acompanhada por Buzelli, que espera ver suas primeiras flores.
Educação ambiental na prática
A preservação do bosque integra o EcoHumboldt, projeto que reúne iniciativas de educação ambiental e sustentabilidade desenvolvidas com os estudantes. A proposta busca levar o tema para diferentes momentos da rotina escolar, conectando o cuidado com as áreas verdes a outras práticas ambientais.
A reciclagem é um exemplo. Durante eventos como o Humboldt Fest e o Arraiá, ações de coleta realizadas com a participação dos alunos resultaram na arrecadação de mais de 16 kg de latas e garrafas plásticas, além de 11 kg de liners, os papéis que ficam atrás das figurinhas.
No bosque, a educação ambiental acontece de maneira cotidiana: ao acompanhar o crescimento de uma árvore plantada pela própria turma, observar uma espécie florescer ou entender por que determinada planta perde suas folhas em uma época específica do ano, os alunos entram em contato direto com os ciclos da natureza.
Em uma cidade marcada pela intensa urbanização, a área verde se torna, assim, parte do próprio processo educativo. As árvores deixam de ser apenas elementos da paisagem e passam a fazer parte da experiência escolar,  algumas delas permanecendo no espaço por décadas, acompanhando diferentes gerações de estudantes.

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