Governo aprova mais 51 agrotóxicos, somando quase 300 no ano

"O governo inicia o segundo semestre de mãos dadas com veneno", afirma Iran Magno, da campanha de Alimentação e Agricultura do Greenpeace

Por: Greenpeace Brasil Comunicar erro
frutas em campanha contra agrotóxicos
Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil Campanha contra agrotóxicos

Mantendo o ritmo recorde de aprovações de agrotóxicos, o governo liberou, nesta segunda-feira, 22, mais 51 venenos no mercado brasileiro, totalizando 290 desde o começo deste ano, além de 21 novos pedidos de registro.

“O governo inicia o segundo semestre da mesma forma que começou o ano – de mãos dadas com veneno. Já são quase 300 agrotóxicos aprovados este ano, ameaçando ainda mais nossa saúde e o meio ambiente. Somente neste último ato, 51 novos produtos foram aprovados. Podemos produzir sem agrotóxicos, em equilíbrio com o meio ambiente e respeitando a saúde das pessoas. Porém, as decisões do governo no tema ignoram isso e colocam o povo brasileiro em risco. Isso é inaceitável”, afirma Iran Magno, da campanha de Alimentação e Agricultura do Greenpeace.

ROBÔ TUÍTA SEMPRE QUE O GOVERNO BOLSONARO LIBERAR NOVO AGROTÓXICO

Confira os dados sobre a liberação de agrotóxicos:

– Pelos atos publicados no Diário Oficial da União de primeiro de janeiro até o mais recente, em 22 de julho de 2019, o governo liberou 290 agrotóxicos;

– Para iniciar o segundo semestre, o governo mantém a sede de veneno que vem demonstrando desde o início do ano. O ato de 22 de julho é o que traz o maior volume de aprovações até então, com a concessão de registro à 51 agrotóxicos;

– Como visto nos atos anteriores, apesar de mais ágil em suas aprovações, o governo segue inovando pouco. Em termos dos produtos aprovados, esse ato traz em sua grande maioria ingredientes ativos já utilizados na agricultura brasileira;

– Quando olhamos para todos os atos, tivemos apenas dois ingredientes ativos novos: o Sulfoxaflor e o Florpirauxifen-benzil.

  • O novo ato traz mais um produto com o Florpirauxifen-benzil, que antes disso teve apenas um produto aprovado em junho. Essa molécula não tem seu uso aprovado na UE e, de acordo com as informações disponíveis, pode provocar reações alérgicas na pele e é considerado muito tóxico a organismos aquáticos;
  • Já o Sulfoxaflor teve seu uso suspenso nos EUA por anos por potencial danos às abelhas. Recentemente, a Agência Americana de Proteção Ambiental (EPA) restabeleceu o uso de produtos com esse ingrediente ativo. Por aqui, o novo ato traz seis produtos à base do Sulfoxaflor;

– Nunca se liberou tanto veneno no Brasil como agora! O ritmo das aprovações de agrotóxicos é, de longe, o mais acelerado da última década.

– Número de agrotóxicos aprovados nos anos da última década, de 01 de janeiro até 22 de julho:

  • Em 2019, 290 produtos;
  • Em 2018, 229 produtos (422 no ano);
  • Em 2017, 195 produtos (405 no ano);
  • Em 2016, 103 produtos (277 no ano);
  • Em 2015, 86 produtos (139 no ano);
  • Em 2014, 61 produtos (148 no ano);
  • Em 2013, 66 produtos (110 no ano);
  • Em 2012, 93 produtos (168 no ano);
  • Em 2011, 61 produtos (146 no ano);
  • Em 2010, 45 produtos (104 no ano).

– Dos 51 produtos liberados no último ato, 18 são classificados como extremamente ou altamente tóxicos. Já olhando o total das liberações ocorridas em 2019, 41% dos produtos são altamente ou extremamente tóxicos (118 produtos);

– A toxicidade das liberações vai na direção contrária dos argumentos usados pela Ministra da Agricultura Tereza Cristina e pela bancada ruralista de que um maior ritmo de aprovações resultaria no registro de moléculas menos tóxicas;

– De todos produtos liberados até agora, 32% são de agrotóxicos não permitidos na União Européia;

– Dos agrotóxicos liberados no novo ato, chamam atenção:

  • Clorotalonil – esse é um ingrediente ativo extremamente tóxico, foi o agrotóxico mais utilizado na Europa mas teve seu uso banido na UE em Abril por potenciais danos à saúde e impactos à anfíbios, peixes e abelhas. O novo ato traz 04 produtos à base do ingrediente ativo e autoriza o seu uso nas culturas de amendoim, batata, berinjela, cebola, cenoura, feijão, mamão, melancia, pepino, rosa e tomate. Muitos são produtos que não passam por processamento e chegam à mesa do brasileiro.
  • 2,4-D – classificado como extremamente tóxico (Classe I – ANVISA) e provável carcinogênico (2B- IARC), esse ingrediente é um herbicida normalmente lembrado como um dos ingredientes do desfolhante Agente Laranja, utilizado pelos EUA na Guerra do Vietnã. Mesmo em 2019, ele ainda segue problemático: em Abril, produtores da fruticultura gaúcha reclamaram perdas estimadas em R$ 100 milhões por conta do uso do 2,4-D no RS – principalmente na viticultura destinada à produção de vinhos;
  • Acefato – também estão entre as autorizações, esse ingrediente ativo é banido na União Européia e foi associado a impactos na fertilidade masculina.

– Além dos 239 agrotóxicos já liberados, há 560 novos pedidos de registro acatados pelo novo governo. Se o ritmo de liberação seguir assim, podemos encerrar 2019 com novo recorde de aprovação de agrotóxicos, superando 2018 (maior registro de aprovações até então).

Para consultar a lista completa de produtos aprovados, acesse este link.

LEIA TAMBÉM: Paola Carosella brilha ao criticar medida de Bolsonaro em liberar mais agrotóxicos

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