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Mulheres criam grupo para ajudar umas às outras a pagar boletos

No Facebook, o Boleto +1 é uma rede de solidariedade durante a pandemia do novo coronavírus

Crédito: Softulka / iStockO grupo reúne mulheres e alguns homens dispostos a ajudar trabalhadoras na crise

Conta de luz, água e gás, cesta de alimentos, aluguel da casa, consulta em médicos e crédito para celulares: esses são alguns pedidos publicados no grupo de Facebook Boleto +1, criado para ajudar mulheres que ficaram sem renda durante o período de isolamento social após pandemia do novo coronavírus.

O grupo, que se descreve como uma “rede de suporte financeiro e afetivo em tempos de coronavírus”, reúne tanto trabalhadoras informais e desempregadas que precisam de ajuda, como também quem quer ajudá-las a passar por essa crise.

“Sou mãe solteira, tenho uma filha de 10 anos. Em meio a todo esse caos estou sem renda nenhuma, pois vendo bolinhos de pote. Estou sem alimentos e pra completar minha filha pegou uma bactéria no rosto”, escreveu uma mulher na comunidade.

Segundo Janaina Kremer, professora de teatro e moradora de Montenegro, no Rio Grande do Sul, a ideia para formar o grupo surgiu a partir de uma angústia pessoal. “Antes da quarentena ser decretada, a gente encerrou as atividades na fundação em que trabalho. Em casa, bastante preocupada com o que aconteceria, percebi que estava numa situação muito confortável: ia ter meu salário no fim do mês, vale alimentação, etc.”, afirma em entrevista à Catraca Livre.

Crédito: Gustavomellossa / iStockO grupo reúne mulheres desempregadas ou trabalhadoras informais impactadas pela crise

“Então, lembrei das diversas mulheres que eu conheço, e das milhões que não conheço, e que não estavam nessa mesma situação confortável. Pensei como seria o desespero delas em não poder trabalhar e lutar por sua subsistência no dia a dia. Me preocupou especificamente as mulheres porque sou mulher e tenho filhos, e normalmente cabe a elas a responsabilidade de cuidar da casa, dos pais e dos filhos”, completa Janaina.

Em seguida, a professora de teatro fez um post em seu Facebook sobre como a sociedade poderia ajudar essas mulheres neste momento. Uma amiga, chamada Livia Pasqual, respondeu com a ideia de montar o grupo na rede social. Na mesma noite, elas se juntaram a Priscila Guerra, Tatiana Nequete e Caroline Falero para criar a página, que logo recebeu milhares de participantes.

A publicação acabou se transformando em uma grande rede de solidariedade entre mulheres. Hoje, o Boleto +1 já tem cerca de 30 mil usuários, a grande maioria mulheres, mas as administradoras decidiram aceitar homens, seguindo diversos critérios, apenas para contribuir com os pedidos.



Para fazer um pedido, é preciso criar um novo post, descrevendo sua situação e explicando como os demais membros podem ajudar. Só é permitido pedir uma ajuda por vez. As solicitações, então, vão para aprovação das administradoras do movimento. Além disso, é possível divulgar seu trabalho, como, por exemplo, aulas de yoga, venda de bolos, serviços de costura, entre outros.

Janaina conta que o objetivo principal do projeto é bastante concreto: ajudar essas mulheres que precisam ficar em casa e terem condições de viver com certa tranquilidade. “Tem histórias bem tocantes relatadas dentro do grupo”, relata a professora de teatro.

“É muito bacana ver como esse espírito de comunidade é importante. E como essas outras mulheres, de modo geral, estão se ajudando, fazendo doações. Mesmo que seja um depósito de R$ 5, cada uma ajuda como pode e dá um pouco de si para uma desconhecida”, finaliza.

O grupo no Facebook também virou um local para tirar dúvidas sobre o auxílio emergencial do governo. Inclusive, muitas advogadas se ofereceram para auxiliar trabalhadoras com dificuldade em acessar o pagamento. Para entrar no Boleto +1, clique neste link.

Crédito: Reprodução / FacebookRegras estabelecidas pelo grupo Boleto +1