‘Sou homofóbico, sim, com muito orgulho’, diz Bolsonaro em vídeo

Na gravação que está viralizando na web, o candidato faz uso da imunidade parlamentar para assumir que tem preconceito com LGBTs

Por: Redação | Comunicar erro
jair bolsonaro homofobia
Crédito: reprodução/RecordJair Bolsonaro admitiu homofobia em vídeo

Apontado como favorito a vencer o pleito presidencial de 2018, a carreira política de Jair Bolsonaro (PSL) está alicerçada em polêmicas envolvendo discursos homofóbicos, machistas, racistas, entre outros, embora o candidato negue veementemente as acusações de que ele seria preconceituoso.

Há 28 anos na vida pública, o ex-deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro começou a ganhar destaque na mídia justamente por causa de seus discursos conservadores, principalmente contra a comunidade LGBT.

Vídeos com entrevistas de Bolsonaro demonstrando sua ojeriza às pessoas lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros pipocam aos montes nas redes sociais. Um, no entanto, em que o presidenciável faz uso de sua imunidade parlamentar para afirmar que tem orgulho em admitir que é, sim, homofóbico, tem se destacado.

A fala em questão de Jair Bolsonaro foi proferida em 2013. Nela, ele diz que está pouco se “lixando” para as pessoas que apontam que ele é “contra os homossexuais”.

“[Antigamente] não existia essa quantidade enorme de homossexuais como temos hoje em dia. E eles não querem igualdade, eles querem privilégios. Eles querem é nos prender porque nós olhamos torto pra eles, nos prender porque nós não levantamos de uma mesa pra tirar nossos filhos ‘menor’ de idade de ver dois homens ou duas mulheres se beijando na nossa frente, como se no restaurante fosse um local pra fazer isso. Eles querem é privilégios! Eles querem é se impor como uma classe à parte. E eu tenho imunidade pra falar que sou homofóbico, sim, com muito orgulho se é pra defender as crianças nas escolas”, diz Bolsonaro que reitera que os LGBTs “não terão sossego” com ele.

  • Em tempo: O que a comunidade LGBT vem pedindo há bastante tempo não é “privilégios”, mas, sim, a criação de leis que garantam direitos à essa comunidade (como o casamento entre pessoas do mesmo sexo) e que punam aqueles que forem pegos em atos de intolerância motivados unicamente em decorrência da orientação sexual ou identidade de gênero.
  • O Brasil é um dos países que mais mata lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros no mundo. Dados do Grupo Gay da Bahia apontam que apenas em 2017 445 pessoas morreram vítimas da LGBTfobia. Já em 2018, o órgão computou pelo menos 294 mortes entre os meses de janeiro a agosto.

No vídeo abaixo, veja uma compilação de outras falas homofóbicas de Jair Bolsonaro em diferentes épocas e anos, para sucessivos canais.

Hitler

Um outro vídeo polêmico envolvendo Bolsonaro e que está sendo replicado nas plataformas digitais é um em que o presidenciável admite que teria se alistado ao exército pela Alemanha caso vivesse no país europeu na época da Segundo Guerra Mundial. Como o próprio revela na gravação, ele é descendente de alemães e italianos, e que seu bisavô atuou como um soldado de Adolf Hitler.

O vídeo foi compartilhado pela página do Facebook “Judeus unidos contra Bolsonaro” e já conta com mais de três mil curtidas – sendo 1,3 mil “joinhas”, 800 reações de “raiva”, 688 de “triste”, 70 “ual”, 18 “hahaha” e 16 “amei” -, além de mais de mil comentários e quase 15 mil compartilhamentos.

Na legenda, os administradores da página destacam que Bolsonaro demonstrou “admiração por Hitler” na entrevista concedida ao extinto programa CQC, da Band. “Como judeus, não podemos admitir falas tão absurdas de concordância com o que resultou num dos piores momentos da história mundial e da nossa história especificamente”, diz.

Quando questionado sobre as atrocidades do nazismo praticado por Adolf Hitler nos 1930 e 1940, Bolsonaro diz que “tem que entender o que aconteceu naquela época e seu plano de governar o mundo, e de impor a sua raça. Os vencedores em batalha impõem as suas vontades, e o Hitler queria impor as suas vontades”.

Em outro ponto, o candidato destaca que “profissionalmente ele [Adolf Hitler] foi um grande estrategista. Quando você tem um general aqui no Brasil ou em qualquer exército do mundo, aquele general tem que tá pronto pra aniquilar o outro país, destruir o outro país, pra defender o seu povo”. Em seguida, ele diz que o genocídio, principalmente de judeus, “foi outra história”.

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