Por que as pessoas estão assistindo menos à Netflix?
As últimas semanas não têm sido fáceis nos corredores da Netflix. Como você já leu por aqui, a empresa anunciou a demissão de cerca de 6% dos seus funcionários (aproximadamente mil pessoas), além da saída da então chefe de conteúdo, Bela Bajaria.
Depois, veio a divulgação dos resultados financeiros do terceiro trimestre deste ano – trazendo novas preocupações para os investidores. As ações da companhia acumulam uma forte desvalorização nos últimos 12 meses.
Mas o que realmente está acontecendo nos bastidores da empresa? Agora temos algumas pistas que nos ajudam a entender o dilema atual da pioneira do streaming por assinatura.
Segundo uma reportagem da Bloomberg, assinada por Lucas Shaw, os assinantes estão assistindo menos à Netflix: em média, abrem o serviço em menos dias do mês do que há alguns anos e também passam menos tempo consumindo conteúdo. A métrica interna usada para medir a frequência é chamada de QPD, ou qualified play days. O tempo total de consumo até cresceu ligeiramente no primeiro semestre, mas graças à expansão da base de clientes. Em média, porém, o consumo por usuário caiu.
A retração começou após o início do combate ao compartilhamento de senhas, em 2022, e persistiu além do período de acomodação previsto pela empresa. Ainda assim, não provocou cancelamentos em massa: a taxa de churn nos EUA permanece em 2%, segundo a Antenna. Como sinal externo, a Apptopia identificou um aumento de 16,6% na taxa de usuários norte-americanos que deixaram de abrir o aplicativo no terceiro trimestre, na comparação anual.
A reportagem ainda revela uma disputa interna sobre as causas do problema. A equipe de programação responsabiliza a interface e as dificuldades para descobrir novas temporadas de séries. Já a de produto aponta para a qualidade e a regularidade dos lançamentos. É quase como o meme dos dois Homens-Aranhas, com um apontando para o outro.

As saídas de Bela Bajaria e Dan Lin (responsável pelos filmes originais) a chegada de Peter Rice ao comando da programação e a promessa de voltar a priorizar filmes e séries premium indicam que o co-CEO Ted Sarandos deu mais peso ao segundo argumento.
De longe, parece que a Netflix vive seu próprio dilema Tostines: os assinantes não encontram conteúdo bom porque ele não existe ou o conteúdo bom não existe para os assinantes porque eles não conseguem encontrá-lo?
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