Finanças: 53% dos trabalhadores chegam ao fim do mês sem dinheiro na conta, revela Serasa Experian
Levantamento mostra que 53% dos profissionais não conseguem pagar todas as despesas com o salário e aponta impactos das dificuldades financeiras
Mais da metade dos trabalhadores brasileiros não consegue chegar ao fim do mês com dinheiro suficiente para pagar todas as despesas. É o que mostra a Pesquisa de Saúde Financeira dos Trabalhadores 2026, realizada pela Serasa Experian com profissionais de empresas públicas e privadas.
Segundo o levantamento, 53% dos entrevistados afirmam ficar sem recursos suficientes depois de receber o salário. O resultado apresenta pouca mudança em relação ao ano anterior, quando o percentual era de 54%, indicando que a dificuldade para equilibrar o orçamento permanece presente na rotina de uma parcela significativa dos trabalhadores.

Entre os participantes, 47% afirmam utilizar algum recurso ou alternativa adicional para conseguir fechar as contas. Outros 6% chegam ao final do mês sem dinheiro suficiente e não recorrem a nenhuma solução extra. Apenas 47% dizem terminar o período ainda com recursos disponíveis.
“Os dados mostram que a dificuldade de equilibrar o orçamento não é uma situação pontual para uma parcela relevante dos trabalhadores brasileiros. Quando mais da metade chega ao fim do mês sem recursos suficientes para cobrir todas as despesas e esse cenário praticamente não se altera de um ano para o outro, vemos uma pressão persistente sobre a saúde financeira. Além de comprometer a capacidade de lidar com imprevistos, essa falta de margem pode levar à busca por alternativas para complementar a renda ou financiar despesas do dia a dia”, afirma Délber Lage, Diretor de Soluções para RH da Serasa Experian.
Problemas financeiros ultrapassam o orçamento
A falta de dinheiro disponível não afeta apenas o planejamento das contas. De acordo com a pesquisa, as dificuldades financeiras também estão associadas a consequências na vida pessoal e profissional dos trabalhadores.
Entre aqueles que enfrentaram ou ainda enfrentam problemas financeiros nos últimos cinco anos, 44% relatam irritabilidade e outros 44% mencionam insônia. Também aparecem entre os efeitos apontados alterações significativas de peso, depressão, dores físicas e isolamento social.
Os reflexos chegam ainda ao ambiente de trabalho. 51% dos profissionais que passaram por dificuldades financeiras relatam estresse durante o expediente, enquanto 46% apontam exaustão extrema e esgotamento físico.
Outros impactos incluem redução da atenção, citada por 35% dos entrevistados, e queda de produtividade, mencionada por 33%.
Para Délber Lage, “com a nova redação da NR-1, os fatores psicossociais relacionados ao trabalho passaram a ser expressamente considerados no gerenciamento de riscos ocupacionais. Isso não significa enquadrar a vida financeira individual no PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), mas reconhecer que seus reflexos podem aparecer no expediente.
Diante de sinais como estresse, exaustão, perda de atenção e queda de produtividade, empresas e lideranças precisam atuar de forma coordenada para compreender as diferentes realidades financeiras dos seus profissionais. E, a partir desse diagnóstico, promover educação financeira e oferecer benefícios e soluções de bem-estar financeiro, incluindo alternativas de crédito responsável que contribuam para prevenir o agravamento das dificuldades financeiras.
Alimentação é o principal peso no orçamento
Entre os trabalhadores que não conseguem terminar o mês com dinheiro suficiente, as despesas básicas aparecem como as principais responsáveis pelo comprometimento da renda.
A alimentação foi apontada por 78% dos entrevistados, enquanto as contas da casa, incluindo despesas com luz, água e gás, foram citadas por 72%.
Outros compromissos também têm peso importante no orçamento. Financiamentos de imóveis ou veículos aparecem em 44% das respostas, seguidos por roupas, utilidades e outros produtos de consumo, com 43%.
Empréstimos foram mencionados por 33% dos participantes, enquanto os gastos relacionados a estudos foram citados por 22%.
Os dados indicam que a dificuldade de fechar as contas não está necessariamente relacionada a um único tipo de despesa. O orçamento é pressionado tanto pelos gastos essenciais do cotidiano quanto por compromissos financeiros assumidos anteriormente.
Falta de margem aumenta vulnerabilidade
Quando praticamente toda a renda é consumida pelas despesas mensais, sobra pouco espaço para construir uma reserva financeira ou enfrentar gastos inesperados.
Essa ausência de margem pode fazer com que trabalhadores recorram a crédito, empréstimos ou outras alternativas para cobrir despesas quando surge algum imprevisto. Em situações prolongadas, o mecanismo pode contribuir para aumentar o comprometimento da renda nos meses seguintes.
Por isso, o levantamento também chama atenção para a importância de discutir saúde financeira no ambiente de trabalho. A questão não envolve apenas quanto uma pessoa ganha, mas também sua capacidade de administrar despesas, lidar com imprevistos e manter algum nível de segurança financeira.
Serasa Experian participa do CONARH
Em 2026, a Serasa Experian participa pela primeira vez do CONARH, evento voltado ao setor de recursos humanos, para apresentar seu portfólio de soluções direcionadas à gestão de pessoas.
A empresa pretende abordar temas relacionados a recrutamento, compliance, monitoramento, Crédito do Trabalhador, benefícios com desconto em folha e saúde financeira dos colaboradores.
Durante o evento, Délber Lage, diretor de Soluções para RH da empresa, apresenta os resultados da Pesquisa de Bem-Estar Financeiro dos Trabalhadores 2026, ampliando o debate sobre os efeitos da situação financeira dos profissionais dentro e fora do ambiente corporativo.
Como a pesquisa foi realizada
A edição de 2026 da Pesquisa de Saúde Financeira dos Trabalhadores ouviu 1.008 profissionais de empresas públicas e privadas. O grupo incluiu trabalhadores contratados pelo regime CLT e pessoas que atuam como Pessoa Jurídica.
As entrevistas foram realizadas por meio de painel on-line entre 12 e 30 de junho de 2026. O estudo apresenta margem de erro de 3,1 pontos percentuais e intervalo de confiança de 95%.
Para efeito de comparação, a pesquisa de 2024 contou com 802 trabalhadores e a edição de 2025 ouviu 1.029 participantes. Nas pesquisas de 2025 e 2026, foi utilizado um painel de respondentes diferente daquele adotado em 2024.
Os resultados reforçam um cenário no qual a saúde financeira permanece como um desafio para uma parcela expressiva dos trabalhadores brasileiros, com consequências que podem ultrapassar o orçamento doméstico e chegar à saúde, à rotina e ao desempenho profissional.