Blogueira conta como ficou um ano sem comprar

“Traçar objetivos ajuda a frear o consumo”, diz blogueira que mudou seus hábitos de consumo

Por: Redação | Comunicar erro

Questionar a própria relação com o dinheiro, controlar o impulso e economizar. Foram esses objetivos que fizeram a jornalista e fundadora do site “Finanças Femininas”, Carolina Ruhman, a se lançar em um desafio: ficar seis meses sem comprar nenhuma roupa ou acessório.

“Muita gente achou que eu enlouqueci. Meus irmãos foram super céticos, minhas amigas fizeram muita piada, meu marido não entendeu porque um desafio por tanto tempo. Mas passado o choque inicial, todo mundo passou a achar uma iniciativa bacana – especialmente meu marido”, conta Carolina.

Para conseguir passar ilesa pelo impulso, Carolina conta que deixou de marcar almoços de trabalho em shopping centers e parou de abrir e-mails com promoções de lojas.

O que ela não esperava era que a mudança de hábito fosse influenciar tanto as leitoras de seu site. “A reação das pessoas foi incrível. Recebi tantos comentários, e-mails, tantas mulheres que resolveram aderir que fiquei impressionada. Este desafio veio em um momento em que estava lendo muito sobre lowsumerism (consumir menos) e acho que pode ser uma forma bacana de encarar as compras e o consumo no geral com um olhar mais crítico, menos vítima da moda”, conta.

Um ano de abstinência

Carolina não é a única a desafiar-se a viver com menos, várias blogueiras já despertaram para importância do consumo consciente. Em 2011, a publicitária Joanna Moura resolveu ficar 365 dias sem comprar nenhuma peça de roupa e sapato, e pra dividir a experiência criou o blog “Um Ano Sem Zara”. O primeiro resultado veio depois de seis meses de “jejum” quando ela conseguiu formar a primeira poupança com as economias.

A decisão radical de ficar sem comprar tinha um motivo: Joanna praticamente não saía do cheque especial e nunca tinha dinheiro para viajar ou fazer cursos. “Eu não tive uma boa educação financeira, não sabia bem lidar com dinheiro. Então eu achava que comprar uma coisinha ou outra com um preço bom não faria mal algum. Mas as coisas iam se acumulando e, quando chegava o fim do mês, a conta do cartão era bem maior do que eu imaginava”, explica.

“Um belo dia, eu estava em casa arrumando o meu armário e, ao dar de cara com roupas que eu nunca sequer tinha usado, me veio a sensação de que eu tinha roupas suficientes pra passar um ano inteiro sem comprar nada. Foi daí que surgiu o desafio”, conta Joanna.

Segundo ela, a ideia de criar o blog “Um Ano sem Zara” foi compartilhar a experiência e estimular a própria criatividade na hora de montar os looks.

A experiência, segundo ela trouxe muitos saldos positivos. “Acho que o primeiro foi realmente ter desenvolvido uma relação muito mais saudável com a moda e o consumo. Além disso, acho que foi um período intenso de auto-descoberta e de evolução sobre o meu próprio estilo. Mas talvez o mais legal de tudo isso foi o fato de ter tido a possibilidade de conversar com tantas mulheres Brasil afora que enfrentavam problemas parecidos com os meus. Poder receber o incentivo delas e também incentivá-las a mudar ainda é a melhor parte dessa história”.

Leia a entrevista completa com Joanna Moura, a criadora do blog “Um Ano sem Zara”:

1) O que a levou a encarar o desafio de ficar um ano sem comprar roupas novas?

Eu já vinha travando uma batalha com as minhas finanças há alguns anos antes de decidir encarar o desafio de ficar sem comprar. Praticamente não saía do cheque especial e nunca tinha dinheiro para fazer as coisas que eu queria fazer: viajar, fazer um curso, planejar comprar uma casa.

Um belo dia, eu estava em casa arrumando o meu armário e, ao dar de cara com roupas que eu nunca sequer tinha usado, me veio a sensação de que eu tinha roupas suficientes pra passar um ano inteiro sem comprar nada. Foi daí que surgiu o desafio, como uma tentativa de resolver a minha vida financeira.

Pra me manter firme na meta, resolvi criar um site para compartilhar a minha experiência e estimular a minha criatividade montando looks com o que eu já tinha no armário.

2) Você se considerava viciada em compras?

Não acho que eu era viciada. Acho que eu era inconsequente e impulsiva. Eu não tive uma boa educação financeira, não sabia bem lidar com dinheiro. Então eu achava que comprar uma coisinha ou outra com um preço bom não faria mal algum. Mas as coisas iam se acumulando e, quando chegava o fim do mês, a conta do cartão era bem maior do que eu imaginava.

3) O que as pessoas próximas a você acharam quando você tomou a decisão?

A princípio muita gente ficou surpresa. Acho que falar de dinheiro é um grande tabu, então eu não costumava falar sobre a minha vida financeira nem mesmo pra minha família ou amigos mais próximos. Então, quando eu contei, algumas pessoas ficaram bem surpresas. Mas logo em seguida, todas elas foram muito apoiadoras do projeto. Acho que elas entenderam que eu precisaria desse apoio e surporte e monitoramento pra conseguir chegar até o final e realmente mudar os meus hábitos.

4) Você tem noção de quantas peças existiam no seu armário quando começou o desafio?

Nunca parei pra contar, mas acho que a coisa mais legal que esse ano me mostrou é o que ali de dentro realmente era útil ou não. Afinal de contas, se eu não usei alguma peça nem no ano que passei sem comprar, acho que não vou usar nunca, né?

5) A ideia de criar o blog “Um Ano Sem Zara” surgiu em que momento?

Eu tinha acabado de voltar de viagem e gastado muito. Comprei um monte de roupas, mas não tinha dinheiro nem pra sair pra usá-las. Além disso, foi uma fase em que eu queria começar a colocar alguns projetos em prática e não conseguia por conta da minha desorganização financeira.

6) Ter se privado de consumir itens novos te trouxe algum saldo positivo durante o período de abstinência?

Me trouxe muitos saldos positivos! Acho que o primeiro foi realmente ter desenvolvido uma relação muito mais saudável com a moda e o consumo. Além disso, acho que foi um período intenso de auto-descoberta e de evolução sobre o meu próprio estilo. Mas talvez o mais legal de tudo isso foi o fato de ter tido a possibilidade de conversar com tantas mulheres Brasil afora que enfrentavam problemas parecidos com os meus. Poder receber o incentivo delas e também incentivá-las a mudar ainda é a melhor parte dessa história.

7) Como você conseguiu criar looks tão diferentes a cada dia sem ter nenhuma novidade no armário?

Acho que mais do que um desafio de abstinência de consumo, o Um ano sem Zara, pra mim, era um desafio diário de criatividade. Acabei descobrindo novos truques de estilo, combinando peças que eu nunca teria coragem de combinar antes, transformando outras, resgatando coisas que eu não usava há anos. Cada dia era uma nova descoberta.

8) Depois de ter concluído o desafio você mudou os hábitos de consumo?

Mudei e continuo mudando. Acho que continuo num processo evolutivo de aprender a lidar com a moda e com o consumo. Hoje eu administro melhor as minhas finanças, guardo dinheiro, não gasto mais do que ganho. Mas, mais do que isso, continuo aprendendo sobre comprar melhor, valorizar marcas que trabalham de um jeito mais humano, que produzem peças com melhor custo-benefício. Hoje não penso mais só em quanto vai custar pra mim, estou aprendendo a analisar quanto vai custar para o mundo.

9) Que dicas você dá para quem quer diminuir os gastos com roupas e consumir menos?

Lá no blog eu criei uma aba no menu que se chama “O desafio”. Nela você vai direto para o dia 01 do blog e pode acompanhar os meus 366 dias sem compras.  Muita gente me fala que ler sobre a minha experiência ajudou muito a conseguir se reorganizar e também diminuir o consumo.

Fora isso, sempre gosto de lembrar as pessoas que é importante a gente traçar objetivos maiores e tentar realizá-los. Qual o seu sonho? Viajar o mundo? Ter uma casa? Fazer um curso? Ter esse sonho em mente e saber quanto ele custa e se programar pra chegar lá é uma ajuda e tanto na hora de tentar diminuir o consumo porque você consegue ter uma noção mais clara de que cada peça de roupa nova te deixa um pouquinho mais longe desse objetivo.

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