As ruínas perto de um castelo escondiam mais que pedras antigas: ali funcionou uma verdadeira fábrica de vinho
Estruturas encontradas perto do Castelo de Kahta indicam que um assentamento do século IV pode ter produzido vinho em grande escala.
Uma área montanhosa de Adıyaman, no sudeste da Turquia, revelou muito mais do que restos de antigas construções. Arqueólogos identificaram um assentamento romano de cerca de 1.600 anos com diversas instalações para processamento de uvas, indicando que o local pode ter funcionado como um importante centro de produção de vinho em grande escala.

O que os arqueólogos encontraram perto do Castelo de Kahta?
A descoberta ocorreu nas proximidades da vila de Oymaklı, depois que fragmentos considerados historicamente importantes levaram equipes da Direção do Museu de Adıyaman a investigar a região. O levantamento revelou um assentamento com aproximadamente 150 decares, ou cerca de 15 hectares, datado do século IV.
Segundo informações divulgadas pela Anadolu Agency em outubro de 2025, os pesquisadores encontraram várias instalações para processamento de uvas, cisternas, pedras de moagem e fundações de edifícios. O conjunto chamou atenção principalmente pela quantidade de estruturas associadas à produção agrícola.

Por que o local pode ter produzido vinho em grande escala?
Para Mehmet Alkan, diretor do Museu de Adıyaman, a existência de várias estruturas destinadas ao processamento das uvas indica algo maior do que uma produção doméstica. A hipótese dos arqueólogos é que o assentamento tenha funcionado como um centro de produção de vinho em escala considerável durante o período romano.
A interpretação ainda depende de estudos mais detalhados, mas os elementos encontrados ajudam a reconstruir as atividades realizadas no local:
- Diversas estruturas eram utilizadas para processar e prensar as uvas colhidas na região.
- Cisternas provavelmente forneciam ou armazenavam água necessária às atividades do assentamento.
- Pedras de moagem indicam que outras etapas de processamento de produtos agrícolas também ocorriam ali.
- Fundações preservadas mostram que o sítio possuía numerosos edifícios distribuídos por uma área extensa.
Como eram as construções desse assentamento romano?
Mesmo depois de aproximadamente 16 séculos, partes importantes das fundações permanecem visíveis. De acordo com Mehmet Alkan, as paredes foram erguidas com pedras irregulares, enquanto a forma arquitetônica e as técnicas observadas pelos pesquisadores são compatíveis com construções do período romano.
O tamanho do assentamento também é relevante. Com numerosas estruturas espalhadas pela área, os arqueólogos consideram que ali não existia apenas uma instalação isolada para produzir vinho. A proximidade com o Castelo de Kahta reforça a possibilidade de uma zona que reunia atividades produtivas e residenciais.

Qual era a relação com o antigo Castelo de Kahta?
O Castelo de Kahta, também conhecido como Eski Kahta ou Yeni Kale, ocupa uma posição estratégica na região e possui uma história de cerca de dois mil anos. A fortaleza tem vestígios ligados ao Reino de Comagene e passou posteriormente por períodos romano e mameluco, acumulando diferentes fases de ocupação.
Os pesquisadores ainda não afirmam que a produção de vinho estivesse diretamente subordinada ao castelo. Entretanto, Alkan considera que a proximidade entre os locais ajuda a explicar a existência de um assentamento expressivo naquela paisagem, onde atividades econômicas poderiam sustentar comunidades e centros estratégicos próximos.
O que ainda pode estar escondido sob o sítio?
As investigações estão longe de terminar. A equipe responsável pretende aprofundar os estudos e encaminhar o registro da área como sítio arqueológico protegido. O próprio diretor do Museu de Adıyaman afirmou esperar novas descobertas, já que apenas parte das estruturas e da história desse assentamento foi compreendida.
Cada nova escavação poderá revelar como essas pessoas produziam, trabalhavam e viviam há 1.600 anos. Mais do que uma antiga fábrica de vinho, o sítio oferece uma oportunidade de reconstruir a economia de uma comunidade romana inteira e compreender a importância que a produção agrícola teve naquela região.