Casal recolhe galhos secos e madeira descartada em Bonito, cria colares para testar numa feira e vende toda a produção antes de levar as peças para turistas estrangeiros
Casal de Bonito transformou galhos descartados em biojoias artesanais que conquistaram compradores brasileiros e turistas estrangeiros.
Os colares feitos de corda e madeira chegaram ao Festival Literário de Bonito como um teste. Marilizi Duarte queria saber se alguém compraria as peças produzidas depois de reduzir sua jornada numa escola para acompanhar o segundo filho. Ela e o marido aproveitaram galhos já caídos e madeira descartada, combinaram macramê com marcenaria e levaram a primeira produção à feira. Tudo foi vendido. A resposta não transformou o casal em grande indústria, mas deu a eles um motivo concreto para organizar a Ruiz Biojoias e pensar em turistas que visitavam a cidade.

Por que Marilizi procurava outra atividade?
Depois do nascimento do segundo filho, ela reduziu as horas de trabalho numa escola. Precisava conciliar a rotina familiar com uma fonte de renda e encontrou na criação manual uma atividade que podia desenvolver gradualmente. Amigas incentivaram os primeiros colares, feitos com corda náutica e pingentes de madeira. O apoio não garantia compradores; a ideia precisava ser testada fora do círculo de conhecidos.
O marido entrou na produção, e os dois passaram a combinar habilidades para transformar materiais pouco valorizados em acessórios. A parceria era prática: selecionar madeira, preparar peças, fazer acabamento e montar colares. A história não exige imaginar uma oficina grande desde o início. Começou com objetos suficientes para levar a um evento local e observar como desconhecidos reagiriam.
O que a feira revelou?
No Festival Literário de Bonito, Marilizi vendeu toda a produção inicial. Isso demonstrou demanda naquele contexto e ajudou a decidir continuar. Não se sabe quantas peças estavam na mesa nem qual foi o lucro líquido da feira. Vender tudo é uma informação importante, mas não substitui conta de materiais, tempo e despesas para uma atividade que se pretende permanente.
A produção de biojoias com materiais naturais dá contexto a um mercado em que a história da peça pode interessar ao comprador. Para o casal, o teste da feira mostrou que o acabamento e a origem da madeira eram parte da conversa com quem escolhia um colar.

Onde eles encontraram matéria-prima?
Passaram a recolher madeira em pontos de descarte e galhos que já haviam se desprendido das árvores. Essa distinção importa numa cidade associada à natureza: recolher material disponível não significa cortar árvores para produzir acessórios. As peças utilizam ainda corda náutica, couro e acabamentos como óleo de coco e cera de abelha. Cada material requer seleção e tratamento antes de chegar ao produto final.
A madeira descartada não chega pronta nem sempre serve para um pingente. O casal precisa observar forma, resistência, textura e possibilidade de acabamento. A organização de pequenas atividades produtivas envolve planejar compras e tempo de trabalho, além de encontrar material. A ideia de reaproveitamento só ganha continuidade quando as peças podem ser produzidas com consistência e vendidas por preço que sustente o processo.
Como macramê e marcenaria se encontram?
A marcenaria dá forma aos pingentes e permite aproveitar pedaços irregulares de madeira. O macramê usa nós para compor o colar e conectar as partes. O resultado não depende apenas da origem descartada da matéria-prima; precisa ser confortável, durável e visualmente interessante para quem usa. O acabamento com óleo ou cera ajuda a proteger e apresentar a superfície escolhida.
O processo acrescenta trabalho ao que antes parecia resíduo sem destino. Seleção, corte, lixamento e montagem geram valor, mas também consomem horas. Descrever a transformação como se madeira recolhida fosse acessório pronto apagaria a habilidade dos dois. A Ruiz Biojoias nasceu desse trabalho repetido, aperfeiçoado depois da resposta positiva no festival.
Como as peças chegaram a turistas estrangeiros?
Bonito recebe visitantes de várias regiões e países. Em 2026, acessórios do casal já haviam sido comprados por turistas dos Estados Unidos e da Itália. Isso não equivale a uma operação formal de exportação para esses mercados; foram compras feitas por viajantes que levaram as peças consigo. Feiras e rodadas de negócios ampliaram a possibilidade de apresentar a marca além da primeira banca.
Marilizi também passou a considerar produtos voltados a hotéis e empreendimentos turísticos. O interesse é uma direção de expansão, não contrato fechado já comprovado. A história deve preservar a diferença entre o que aconteceu, vender as primeiras peças e alcançar turistas, e o que ainda estava em desenvolvimento para outros compradores institucionais.
O que mudou depois de vender o primeiro lote?
O casal passou de um experimento manual para uma atividade organizada em torno de coleta, produção e venda. O esgotamento das peças no festival foi um sinal útil porque veio de compradores fora do círculo doméstico. Ainda assim, manter um negócio exige repetir qualidade, encontrar material adequado e controlar custos. A primeira feira abriu a pergunta comercial; não a respondeu para sempre.
A cena final é simples: galhos que seriam descartados voltaram a circular como colares, e alguns atravessaram fronteiras na bagagem de turistas. O resultado documentado é essa mudança de destino, apoiada no trabalho do casal e numa cidade onde visitantes procuram objetos com história. A Ruiz Biojoias continua a depender de fazer bem cada peça, não apenas de contar que ela veio de um galho seco.