Cientistas capturaram imagens raras de um tubarão “fóssil vivo” a quase 700 metros de profundidade, algo inédito nas águas remotas do Pacífico

Registros feitos perto da Ilha Jarvis e da Fossa de Tonga revelaram o misterioso “fóssil vivo” em áreas onde ele nunca havia sido documentado.

Um tubarão de aparência quase pré-histórica, conhecido por viver longe dos olhos humanos, finalmente foi filmado nadando livremente nas profundezas do Pacífico. O tubarão-duende, chamado de “fóssil vivo” por sua linhagem antiga, apareceu em registros raríssimos que estão ajudando cientistas a entender onde essa espécie realmente vive.

O tubarão-duende, de nome científico Mitsukurina owstoni, chama atenção pelo focinho longo e pela aparência incomum.
O tubarão-duende, de nome científico Mitsukurina owstoni, chama atenção pelo focinho longo e pela aparência incomum. - Imagem gerada por IA

Por que o tubarão-duende é chamado de fóssil vivo?

O tubarão-duende, de nome científico Mitsukurina owstoni, chama atenção pelo focinho longo e pela aparência incomum. Sua linhagem é muito antiga, o que ajudou a criar o apelido de “fóssil vivo”. Apesar de ser conhecido pela ciência há bastante tempo, seu comportamento nas profundezas permanece pouco documentado.

Até recentemente, os exemplares vivos eram observados principalmente depois de capturas feitas por pescadores. Um estudo publicado no Journal of Fish Biology mudou esse cenário ao apresentar registros de animais aparentemente saudáveis nadando livremente em seu ambiente natural.

Filmagens raras em águas profundas revelam novos locais de ocorrência abissal.
Filmagens raras em águas profundas revelam novos locais de ocorrência abissal. - Créditos: Ocean Exploration Trust, Nautilus Live

Onde os cientistas encontraram esses tubarões?

Dois avistamentos foram analisados pelos pesquisadores. Um ocorreu perto de um monte submarino a noroeste da Ilha Jarvis, enquanto o outro aconteceu na encosta da Fossa de Tonga. As duas áreas ficam no Pacífico central, região onde a presença da espécie ainda não havia sido documentada dessa maneira.

Para Aaron Judah, autor principal do estudo e pesquisador da Universidade do Havaí em Mānoa, observar um tubarão-duende vivo e com aparência saudável foi uma oportunidade excepcional. Os registros também ampliaram de forma importante o conhecimento sobre a distribuição geográfica da espécie.

O que tornou o avistamento na Fossa de Tonga tão especial?

O exemplar registrado na Fossa de Tonga foi observado a quase 700 metros de profundidade. Segundo os pesquisadores, esse encontro ampliou o limite de profundidade conhecido não apenas para o tubarão-duende, mas também para a ordem Lamniformes, grupo que inclui tubarões-brancos, makos e tubarões-frade.

Os dois registros trouxeram informações importantes para a ciência:

  • Confirmaram tubarões-duende vivos em áreas do Pacífico central onde a espécie ainda não havia sido registrada.
  • Mostraram indivíduos nadando livremente em seu habitat natural e aparentemente saudáveis.
  • Ampliaram o conhecimento sobre a profundidade em que esses tubarões podem viver.
  • Reforçaram a ideia de que a distribuição da espécie pode ser muito maior do que se imaginava.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Descubra Aqui mostrando o tubarão-duende, um verdadeiro fóssil dos oceanos.

Como um dos tubarões ficou escondido em vídeos durante anos?

Um dos detalhes mais curiosos é que o primeiro registro não surgiu de uma expedição nova. Em 2025, pesquisadores alertaram Judah sobre um possível tubarão-duende presente em imagens de uma missão realizada em 2019 pelo E/V Nautilus, que explorou áreas próximas ao Recife Kingman, Atol Palmyra e Ilha Jarvis.

As imagens haviam sido registradas pelo veículo operado remotamente Hércules e estavam guardadas em um arquivo público. Após revisar o material, Judah confirmou a identificação. O segundo exemplar foi filmado em 2024, na Fossa de Tonga, durante uma expedição que utilizou uma câmera com isca em grandes profundidades.

Por que esses poucos segundos de imagem são tão importantes?

Antes dessas observações, os registros do tubarão-duende estavam concentrados em áreas próximas ao Japão, Austrália e oeste dos Estados Unidos, além de ocorrências isoladas nos oceanos Atlântico e Índico. O novo estudo mostra que a espécie também está presente em regiões do Pacífico central que permaneciam fora do mapa conhecido.

Judah destacou que uma espécie dificilmente pode entrar em planos regionais de biodiversidade se ninguém souber que ela vive naquela área. Cada novo registro nas profundezas pode mudar o mapa da vida marinha, e essas imagens deixam uma mensagem clara: ainda há muito escondido no oceano esperando para ser encontrado.