Durante 42 anos, um padre trabalhou na construção de um altar, usando pedras preciosas e mais de 100 vagões carregados com pedra.
A origem da história está em uma promessa feita muito antes de qualquer pedra ser assentada.
Em West Bend, uma pequena cidade de Iowa, nos Estados Unidos, existe uma construção que parece saída de outro lugar. A Grotto of the Redemption, ou Gruta da Redenção, começou a ser erguida em 1912 pelo padre Paul Matthias Dobberstein e ocupou 42 anos de sua vida. O complexo reúne pedras preciosas e semipreciosas, minerais, fósseis, madeira petrificada, corais e conchas trazidos de vários lugares do mundo. Ao longo da obra, mais de 100 vagões ferroviários de materiais foram utilizados.

Por que o padre decidiu construir uma obra tão grande?
A origem da história está em uma promessa feita muito antes de qualquer pedra ser assentada. Quando ainda era seminarista, Dobberstein ficou gravemente doente com pneumonia. Segundo a história preservada pelo próprio santuário, ele prometeu construir um local dedicado à Virgem Maria caso se recuperasse.
Ele sobreviveu, concluiu os estudos e foi ordenado sacerdote em 1897. No ano seguinte, tornou-se pároco em West Bend. Em vez de começar imediatamente a construção, passou mais de uma década reunindo pedras, minerais e outros materiais que poderiam ser incorporados ao futuro santuário.
Como começou a construção da Gruta da Redenção?
O trabalho propriamente dito começou em 1912. Dobberstein não estava simplesmente erguendo uma pequena capela. Sua ideia cresceu até se transformar em um conjunto de nove grutas interligadas, cada uma representando episódios da narrativa cristã sobre queda, redenção, vida de Cristo, crucificação e ressurreição.
O projeto reuniria elementos bastante diferentes:
- pedras ornamentais de várias partes dos Estados Unidos;
- minerais e pedras semipreciosas estrangeiras;
- madeira petrificada;
- fósseis;
- corais e conchas;
- esculturas religiosas em mármore.
De onde vieram tantas pedras?
Iowa não é conhecida por grandes jazidas de pedras preciosas, o que tornou a tarefa ainda mais incomum. Dobberstein coletou materiais durante anos e recebeu peças vindas de regiões muito distantes. A documentação associada ao complexo registra minerais e rochas de diferentes estados americanos e de outros países.
Entre os materiais citados estão ametistas, jade, lápis-lazúli, madeira petrificada e diferentes formações minerais. Uma única parte do complexo chegou a incorporar cerca de 65 toneladas de madeira petrificada.
Foram mesmo usados mais de 100 vagões de trem?
Sim. Registros históricos sobre a construção apontam que mais de 100 vagões ferroviários carregados com materiais foram utilizados ao longo do projeto. Isso ajuda a dimensionar a diferença entre a ideia original de um altar e aquilo que acabou sendo construído.
Grande parte desse material precisou ser transportada até uma pequena cidade cercada por áreas agrícolas. Depois, pedras e minerais eram incorporados manualmente às estruturas de concreto, formando mosaicos que cobrem paredes, arcos e grutas.
O padre trabalhou sozinho durante todos esses anos?
Não. Embora Dobberstein tenha sido o criador e principal responsável pelo projeto, ele recebeu ajuda importante. Matthew Szerensce trabalhou ao seu lado durante boa parte da construção e era considerado seu braço direito. Mais tarde, o padre Louis Greving também participou do trabalho e continuou cuidando e ampliando o local depois da morte de Dobberstein.
Até os últimos anos, grande parte do trabalho pesado ainda era feita de maneira bastante manual. O próprio histórico do santuário conta que um guincho elétrico só foi introduzido mais tarde, quando Greving passou a colaborar no projeto.

Por que a obra levou exatamente 42 anos?
Dobberstein começou a construção em 1912 e continuou trabalhando até sua morte, em julho de 1954. Foram, portanto, 42 anos dedicados à transformação das pedras acumuladas em um complexo monumental.
Durante todo esse período, ele também continuava exercendo suas funções como sacerdote. A gruta não foi um projeto de alguns anos realizado por uma grande equipe especializada, mas uma obra que acompanhou praticamente toda a sua vida adulta.
O que existe dentro do complexo atualmente?
A Gruta da Redenção é formada por nove grutas e diversas cenas religiosas. A matéria da Antena 3 cita 26 estações e 65 estátuas de mármore de Carrara, integradas ao conjunto de pedras e minerais. Cada espaço utiliza cores, tipos de rocha e esculturas para representar uma parte da narrativa religiosa.
O próprio santuário a descreve como uma das maiores coleções de pedras preciosas e gemas reunidas em um único lugar e afirma que o conjunto é a maior gruta artificial do mundo.
A construção terminou com a morte de Dobberstein?
Não completamente. Depois de 1954, Szerensce e Greving continuaram parte do trabalho iniciado pelo padre. Greving permaneceu ligado ao complexo por décadas, dando continuidade à manutenção e a novos trabalhos na estrutura.
O local acabou reconhecido também por seu valor histórico e arquitetônico e entrou para o Registro Nacional de Lugares Históricos dos Estados Unidos em 2001.
Como uma promessa feita durante uma pneumonia virou uma obra monumental?
O aspecto mais impressionante da história talvez seja justamente sua escala. Paul Matthias Dobberstein passou 42 anos transformando uma promessa pessoal em pedra, sem imaginar no início que o resultado ocuparia um quarteirão inteiro e exigiria mais de uma centena de vagões de materiais.
Aquilo que começou como um pequeno santuário dedicado à Virgem Maria acabou se tornando uma paisagem inteira de grutas, arcos, esculturas e minerais vindos do mundo todo. Mais de um século depois do início da construção, a Gruta da Redenção continua existindo em West Bend como o registro de uma obra que consumiu praticamente uma vida inteira.