Empreendedora de Minas Gerais usa 17 anos de experiência ambiental para criar startup que ajuda empresas a destinar resíduos e fortalecer cooperativas de reciclagem
Com mais de 17 anos de experiência ambiental, empreendedora mineira criou uma startup para melhorar a gestão de resíduos e incluir catadores.
Um resíduo descartado por uma empresa pode desaparecer da vista sem desaparecer de suas responsabilidades. Depois de mais de 17 anos de atuação ambiental, Yula Merola transformou esse problema em serviço: cofundou a startup mineira Reuso Recicla+, voltada a acompanhar a destinação de materiais e produzir informações úteis para a gestão. O modelo também procura incluir cooperativas e catadores, responsáveis por etapas concretas da reciclagem. Como a experiência técnica de Yula passou a conectar planilhas empresariais ao trabalho de quem separa os resíduos?

Que experiência Yula levou para a empresa?
Yula trabalhou por mais de 17 anos na área ambiental antes de se tornar CEO e cofundadora da Reuso Recicla+. Esse período ajuda a explicar por que o negócio nasceu de uma dificuldade recorrente: organizações precisam saber o que acontece com os materiais após saírem de suas instalações. Destinar corretamente não é só mandar embora; exige identificar fluxos e guardar registros confiáveis.
A trajetória técnica não garante, por si, sucesso empresarial. Criar uma startup acrescenta tarefas de produto, clientes, operação e parceria. A organização coletiva de trabalho com materiais reaproveitados mostra outro lado dessa cadeia: a gestão só tem significado se corresponder a atividades reais de coleta, separação e transformação.
Que problema a Reuso Recicla+ tenta resolver?
Empresas geram resíduos de tipos diferentes e precisam organizar sua destinação. Quando os dados ficam dispersos, torna-se difícil demonstrar para onde foi cada material ou construir indicadores ambientais consistentes. A Reuso Recicla+ oferece gerenciamento desse processo e conecta as informações produzidas à discussão de economia circular e sustentabilidade corporativa.
Indicadores não são sinônimo automático de impacto positivo. A qualidade dos registros depende de identificar materiais, parceiros e destinos reais. Uma empresa pode preencher um relatório bonito sem alterar práticas inadequadas; a proposta de gestão precisa manter ligação com a operação. O relato divulgado em junho de 2026 destaca o modelo, mas não publica números suficientes para calcular a quantidade total de resíduos efetivamente recuperados. Também não é possível comparar empresas antes e depois do serviço a partir dessa reportagem. O modelo descreve um caminho de gestão; sua eficácia quantitativa dependeria de registros auditáveis de destino e período.

Onde entram cooperativas e catadores?
Cooperativas e catadores recolhem e separam materiais que outras organizações descartam. Integrá-los à cadeia amplia a possibilidade de rastrear a destinação e de reconhecer trabalho frequentemente invisível para quem apenas vê o indicador final. A startup procura fortalecer essa participação, aproximando necessidades de empresas de agentes que atuam no reaproveitamento.
A apresentação da Reuso Recicla+ pelo Sebrae Minas descreve essa conexão. Ela não autoriza afirmar que toda cooperativa parceira já recebeu determinada renda ou que a ferramenta eliminou descarte irregular em todas as empresas atendidas. O desafio é transformar uma intenção de inclusão em relações estáveis, documentadas e remuneradas.
O que significa transformar descarte em serviço?
Para muitas empresas, o resíduo aparece primeiro como custo de coleta e tratamento. Yula enxergou também uma demanda por conhecimento: classificar fluxos, acompanhar destinos e organizar indicadores. O serviço tem valor quando ajuda o cliente a decidir e prestar contas com dados verificáveis, não quando troca o nome do lixo por uma expressão atraente.
O mesmo material pode ter destinos distintos conforme sua composição, contaminação e infraestrutura disponível. Gerenciar envolve reconhecer esses limites. Nem todo resíduo pode ser reciclado, e a solução adequada às vezes exige reduzir a geração na origem. Uma gestão séria precisa enxergar a cadeia inteira, inclusive o que permanece sem possibilidade de reaproveitamento.
Como a carreira técnica se tornou empreendimento?
A passagem de 17 anos de atuação ambiental para a posição de cofundadora reuniu conhecimento do problema e vontade de oferecer uma resposta organizada. Em 2 de junho de 2026, o Sebrae Minas destacou Yula e o modelo da startup. A notícia confirma o projeto e sua proposta, mas não informa faturamento, número total de clientes ou volume anual tratado.
Trabalhar com organizações e cooperativas também exige linguagens diferentes. A empresa cliente pode pedir indicadores; quem recolhe precisa de condições concretas para operar e ser remunerado. Yula posicionou a Reuso Recicla+ justamente no encontro entre essas necessidades, onde uma decisão administrativa pode alterar o destino real de materiais.
O que ainda precisa ser acompanhado?
O avanço descrito está na criação de um serviço especializado e na tentativa de fortalecer catadores e cooperativas na gestão de resíduos. Para medir impacto, seriam necessários dados de quantidade, destino, continuidade das parcerias e remuneração, comparados ao cenário anterior. Sem esses números, a matéria pode explicar o modelo sem atribuir resultados não divulgados.
Yula trouxe para a startup a experiência acumulada no campo ambiental. Sua aposta é que a responsabilidade pelo descarte precisa continuar depois que o caminhão sai. Entre a planilha de uma empresa e a triagem de uma cooperativa, há pessoas, materiais e decisões. É nessa ligação verificável que uma proposta de economia circular começa a ganhar sentido.