Esse peixe possui seis “pernas”, anda pelo fundo do mar e algumas espécies conseguem até provar o alimento com esses apêndices

Três raios de cada nadadeira peitoral viraram estruturas independentes que ajudam esses peixes a caminhar e, em certas espécies, localizar alimento.

Alguns peixes nadam, outros se escondem na areia, mas os chamados sea robins carregam uma adaptação ainda mais estranha: seis estruturas semelhantes a pernas que ajudam a explorar o fundo do mar. Três raios de cada nadadeira peitoral se tornaram apêndices independentes, usados para caminhar, remexer o sedimento e, em certas espécies, até detectar quimicamente onde uma presa está escondida.

Apesar da aparência, os sea robins não possuem pernas verdadeiras como animais terrestres.
Apesar da aparência, os sea robins não possuem pernas verdadeiras como animais terrestres.Imagem gerada por inteligência artificial

De onde surgiram as seis “pernas” desse peixe?

Apesar da aparência, os sea robins não possuem pernas verdadeiras como animais terrestres. As estruturas são raios modificados das nadadeiras peitorais. Em cada lado do corpo, três desses raios se separaram do restante da nadadeira e passaram a funcionar de maneira independente, criando os seis apêndices que chamam atenção.

Essa transformação permite que o peixe apoie os apêndices no substrato e se desloque junto ao fundo. Enquanto as nadadeiras continuam importantes para a natação, essas estruturas especializadas ampliam as possibilidades de movimento em regiões arenosas onde muitas das presas ficam escondidas.

Modificações anatômicas em nadadeiras que atuam na locomoção e busca química por presas.
Modificações anatômicas em nadadeiras que atuam na locomoção e busca química por presas. - Créditos: Imagem criada por IA.

Como os sea robins caminham pelo fundo do mar?

Durante a procura por alimento, esses peixes podem alternar pequenos trechos de natação com movimentos feitos sobre os apêndices. Eles também usam as estruturas para tocar e investigar a areia, como se estivessem examinando o terreno enquanto avançam em busca de algo que não conseguem enxergar diretamente.

Os seis apêndices cumprem funções que tornam essa exploração bastante eficiente:

  • Ajudam o peixe a se movimentar junto ao substrato sem depender apenas da natação.
  • Permitem tocar e explorar diferentes pontos da areia durante a busca por alimento.
  • Podem auxiliar algumas espécies a cavar quando existe uma possível presa enterrada.
  • Em espécies especializadas, também participam da percepção de sinais químicos no ambiente.

Algumas dessas “pernas” realmente conseguem sentir o alimento?

É justamente aí que a adaptação fica mais impressionante. Pesquisas publicadas em 2024 mostraram que determinadas espécies de sea robin possuem estruturas sensoriais especializadas nesses apêndices. Elas respondem tanto ao contato quanto a substâncias químicas associadas ao alimento escondido sob o sedimento.

Por isso, dizer que essas “pernas” conseguem provar o fundo do mar funciona como uma comparação bastante próxima do que ocorre. Os receptores ajudam o animal a localizar regiões promissoras mesmo quando a presa não está visível, transformando os apêndices em ferramentas de locomoção e investigação sensorial.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Brut America mostrando um Sea Robin em detalhes no oceano.

Todos os sea robins possuem essa habilidade?

Não. Esse é um dos detalhes mais interessantes revelados pelos estudos. Espécies próximas podem ter os mesmos apêndices semelhantes a pernas, mas apresentar capacidades sensoriais diferentes. Algumas os utilizam principalmente para caminhar e explorar, enquanto outras desenvolveram especializações que favorecem a localização de alimento enterrado.

Nas espécies mais adaptadas à escavação, os pesquisadores observaram pequenas papilas sensoriais associadas à percepção química e tátil. Essa diferença mostra que a evolução não produziu apenas um novo formato corporal, mas também modificou a função dessas estruturas conforme os hábitos alimentares de determinados grupos.

Por que esse peixe chamou tanta atenção dos cientistas?

Os sea robins oferecem um exemplo raro de como uma parte já existente do corpo pode adquirir funções completamente novas. Raios que faziam parte das nadadeiras passaram a contribuir para locomoção, exploração do substrato e, em algumas espécies, para um verdadeiro sistema sensorial capaz de localizar presas escondidas.

Da próxima vez que a ideia de um peixe “andando” parecer estranha, lembre-se de que esse é apenas o começo da história. No fundo do mar, alguns sea robins não precisam enxergar o jantar para encontrá-lo: basta tocar e investigar a areia com seis apêndices que transformaram a procura por comida em uma experiência quase parecida com provar o caminho.