Existe uma aranha que consegue imitar os sinais de uma presa presa na teia para atrair outra aranha e devorá-la
Aranha do gênero Portia manipula vibrações em teias alheias para atrair outras aranhas e surpreendê-las durante a caça.
Uma aranha pousa numa teia que não construiu e produz vibrações capazes de chamar a moradora. Para quem vê de fora, ela pode parecer uma presa presa nos fios; na verdade, pertence ao gênero Portia, conhecido por caçar outras aranhas. O risco é considerável: a dona da teia também pode atacar a invasora. Pesquisadores estudam como esses animais variam os sinais e ajustam a aproximação conforme a resposta da presa. O truque não depende apenas de uma imitação perfeita, mas de controlar uma conversa feita pela seda.

Por que a aranha residente responde à teia?
Uma teia transmite vibrações quando um inseto se debate, quando o vento a move e quando outra aranha toca os fios. A construtora depende dessas informações para localizar alimento e distinguir acontecimentos ao redor. Portia explora esse sistema sensorial ao entrar na estrutura e produzir sinais que podem provocar aproximação. A estratégia é chamada de mimetismo agressivo: um predador usa uma mensagem enganosa para alcançar outra presa.
Pesquisas conduzidas por Robert Jackson e colegas descrevem como a presença de teia e de sua moradora influencia o comportamento de Portia. Não há um único toque válido para todas as aranhas. A invasora pode testar sequências e observar se a residente avança, recua ou ignora o estímulo. Essa flexibilidade ajuda a explicar por que ela é capaz de explorar presas diferentes.

Que sinais a caçadora consegue produzir?
Movimentos de pernas e corpo criam perturbações nos fios, que chegam à aranha residente pelo contato com a teia. Alguns sinais podem lembrar o impacto ou a luta de uma presa, enquanto outros se aproximam de vibrações presentes na própria comunicação entre aranhas. A resposta depende da espécie e do contexto. Chamar toda vibração de “imitação de mosca” apagaria essa diversidade.
O comportamento inclui escolhas observáveis antes do ataque:
- Entrar na teia e avaliar a posição da moradora.
- Produzir uma sequência de vibrações com movimentos controlados.
- Alterar o sinal quando a presa não se aproxima ou reage com agressividade.
- Usar o deslocamento resultante para buscar uma posição de captura.
A estratégia é sempre segura para Portia?
Não. O alvo é outra aranha, muitas vezes capaz de ferir ou capturar a intrusa. Por isso, provocar uma resposta demasiado agressiva pode ter custo. Em estudos sobre mimetismo, pesquisadores observaram que a invasora ajusta a sinalização conforme o tipo de presa e a reação dela. O comportamento não exige atribuir à aranha uma intenção consciente de representar um inseto; as vibrações funcionam porque alteram o que a residente percebe.
Um registro da BBC Earth acompanha a invasão e o ataque de uma Portia, permitindo observar a aproximação cautelosa.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube BBC Earth, que mostra a aranha saltadora explorando a teia de outra aranha e usando sinais antes de atacar:
Por que essa aranha não caça apenas com saltos?
Portia pertence ao grupo das aranhas saltadoras e tem boa visão, mas não precisa limitar sua caça ao salto direto. A teia da outra espécie oferece uma rota de informação e aproximação. Em certas situações, a caçadora pode contornar obstáculos e escolher um caminho que reduz a exposição. A combinação de visão, contato com a seda e mudanças de comportamento torna cada encontro diferente.
A aranha que usa uma porta de alçapão para caçar ilustra outra forma de emboscada, com um mecanismo diferente. Comparações com inteligência humana podem tornar a cena atraente, mas também exageram o que foi demonstrado. Testar vibrações e responder ao resultado já é um comportamento complexo e suficiente para despertar interesse.
O que a seda revela sobre uma caçada?
Para a construtora, fios captam informação sobre o mundo; para Portia, os mesmos fios podem ser usados como meio de engano. A teia deixa de ser apenas armadilha de insetos e vira parte da disputa entre dois predadores. A ciência observa respostas e resultados, sem supor que toda presa caia no truque ou que a invasora execute um plano imutável.
A imagem de uma aranha chamando outra pela vibração é memorável porque inverte o papel usual da teia. O fio que normalmente avisa sobre alimento pode conduzir a um inimigo. A vantagem de Portia está em experimentar, ajustar a mensagem e se aproximar quando a resposta da outra aranha abre uma oportunidade real.