Homem mais feliz do mundo revela as duas palavras que escondem o segredo da felicidade: “é bom para todos”
O homem apelidado de “mais feliz do mundo” não atribui seu bem-estar a dinheiro, sucesso ou ausência de problemas.
O homem apelidado de “mais feliz do mundo” não atribui seu bem-estar a dinheiro, sucesso ou ausência de problemas. Para Matthieu Ricard, doutor em biologia molecular e monge budista, o caminho passa por duas palavras que parecem simples, mas exigem treino diário: compaixão e altruísmo.

Por que Matthieu Ricard ganhou esse apelido?
Ricard ficou conhecido internacionalmente após participar de pesquisas sobre meditação e atividade cerebral na Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos. Sensores foram utilizados para observar respostas relacionadas a emoções, atenção e bem-estar, e os resultados apresentados pelo monge chamaram a atenção dos pesquisadores.
A repercussão fez com que ele recebesse o título informal de “homem mais feliz do mundo”. A expressão não significa que exista uma medição definitiva capaz de apontar a pessoa mais feliz do planeta, mas ajudou a popularizar suas reflexões sobre a mente e sobre hábitos que podem favorecer uma vida mais equilibrada.

Quais são as duas palavras da felicidade?
Ao ser questionado sobre seu segredo, Matthieu Ricard respondeu com duas ideias centrais: compaixão e altruísmo. Segundo ele, buscar felicidade pensando apenas nos próprios interesses tende a aumentar a insatisfação, enquanto cuidar do bem-estar coletivo cria relações mais saudáveis e significativas.
A compaixão envolve perceber o sofrimento de outra pessoa e desejar ajudá-la, sem transformar essa atitude em pena ou superioridade. Já o altruísmo aparece quando alguém age para beneficiar o próximo sem esperar uma recompensa imediata. Para Ricard, essa escolha representa uma situação em que todos ganham.
Como o altruísmo aparece no cotidiano?
Ser altruísta não exige gestos grandiosos ou mudanças radicais de vida. A prática pode começar em atitudes comuns, como escutar alguém com atenção, oferecer ajuda, dividir conhecimento ou respeitar as necessidades de quem está ao redor. Alguns comportamentos ligados a essa habilidade incluem:
- Empatia para compreender sentimentos diferentes dos seus;
- Generosidade sem cobrança de reconhecimento;
- Solidariedade diante das dificuldades de outras pessoas;
- Compromisso com o bem comum;
- Humildade para reconhecer limites e aprender.
Essas atitudes também podem trazer sentido para quem as pratica, fortalecendo vínculos e reduzindo a sensação de isolamento. Isso não significa ignorar as próprias necessidades. O altruísmo saudável depende de limites, consciência e equilíbrio, evitando que ajudar os outros se transforme em esgotamento ou abandono pessoal.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube TED compartilhando os hábitos de Matthieu para alcançar a felicidade plena.
Por que o autoconhecimento faz diferença?
Para a psicóloga Lizandra Arita, o autoconhecimento ajuda a compreender emoções como tristeza, medo e raiva antes que elas dominem as decisões. Quando uma pessoa identifica seus padrões e aprende a lidar com conflitos internos, pode responder às situações com mais consciência, em vez de agir apenas por impulso.
A terapia pode contribuir para esse processo ao oferecer um espaço de reflexão sobre experiências, expectativas e feridas emocionais. Cuidar do corpo, manter a mente ativa e buscar relações saudáveis também faz parte desse equilíbrio. Não existe uma fórmula universal, pois cada pessoa constrói sua percepção de felicidade de maneira diferente.
A felicidade pode ser treinada todos os dias
Matthieu Ricard defende que qualidades mentais podem ser desenvolvidas com prática, assim como outras habilidades. A meditação, a atenção ao presente e os pequenos atos de bondade ajudam a interromper pensamentos repetitivos e a criar uma relação mais consciente com as próprias emoções e com as pessoas.
A mudança não precisa começar com algo extraordinário. Pode surgir ao ouvir sem julgar, ajudar sem esperar retorno e observar o momento presente com mais cuidado. Em uma rotina marcada por pressa e distração, escolher compaixão e altruísmo hoje pode ser o primeiro passo para uma vida mais leve, conectada e verdadeiramente feliz.