Menino visita parque de diversões e tem sua fotografia utilizada em propagandas e redes sociais sem autorização da família; o uso comercial indevido da imagem de uma criança pode terminar em retirada das publicações e R$ 3 mil de indenização
A divulgação indevida da imagem infantil em propagandas comerciais gera dever de indenização, protegendo a dignidade dos menores
O passeio em locais de lazer deve proporcionar tranquilidade, mas o registro visual desavisado costuma trazer preocupações inesperadas. O uso de fotografias de crianças em campanhas promocionais sem a devida concordância dos responsáveis viola garantias fundamentais e permite buscar reparação.
Como a legislação brasileira protege a imagem de menores?
A proteção da identidade visual encontra respaldo primordial no ordenamento jurídico nacional. A Constituição Federal assegura a inviolabilidade da intimidade e da honra, enquanto o Código Civil resguarda a privacidade individual, impedindo que exposições públicas ocorram sem uma autorização formal expedida previamente.
Complementando esse cenário, o Estatuto da Criança e do Adolescente determina a inviolabilidade física, psíquica e moral dos pequenos. Esse diploma salvaguarda expressamente a dignidade infantil, combatendo qualquer exploração vexatória ou comercialização indevida que exponha a imagem de vulneráveis perante terceiros.
Quando a divulgação publicitária exige autorização formal?
Qualquer veiculação de imagem voltada para fins lucrativos demanda a manifestação expressa dos guardiões legais. Esse consentimento prévio não pode ser presumido pelo simples ingresso em estabelecimentos abertos, exigindo documento específico que esclareça a finalidade e a abrangência da divulgação planejada.
A legislação sobre proteção de dados reforça que registros biométricos e fotografias de menores exigem cuidados redobrados. O melhor interesse da criança deve nortear qualquer atividade de tratamento dessas informações, inviabilizando práticas corporativas que priorizem o lucro sem respeitar direitos fundamentais.
Abaixo, um vídeo do canal Justiça em Questão no YouTube apresenta detalhes complementares sobre o tema:
Quais medidas podem ser adotadas para remover postagens?
Ao constatar a publicação indevida em redes virtuais, os tutores podem enviar imediatamente uma notificação extrajudicial ao responsável pelo conteúdo. Esse pedido formal estabelece prazo razoável para a remoção completa dos arquivos fotográficos, evitando que o alcance da exposição continue se propagando.
Caso a solicitação amigável seja ignorada pela administração da página, torna-se cabível ingressar com ação judicial requerendo medida liminar de urgência. O magistrado pode determinar a imediata exclusão das peças publicitárias, fixando multa diária pelo descumprimento para garantir a efetividade da ordem.
Como funciona a indenização por uso indevido da imagem?
A utilização não autorizada de retrato com propósitos econômicos gera dever reparatório independentemente da comprovação de prejuízo material evidente. A jurisprudência consolidada dos tribunais superiores dispensa a prova do abalo psíquico concreto, reconhecendo que a mera apropriação indevida configura ato ilícito passível de condenação.
Valores arbitrados em casos semelhantes variam amplamente conforme a extensão da veiculação e o porte da entidade promotora. Um montante sugerido em discussões didáticas não reflete quantia garantida, cabendo ao juiz analisar as circunstâncias do caso concreto para fixar quantias justas e proporcionais.
Principais elementos avaliados pelo magistrado na definição da reparação:
- Alcance e tempo de veiculação da propaganda comercial.
- Capacidade econômica da parte responsável pela publicação.
- Impacto da exposição na rotina do menor envolvido.
Quais cuidados os pais devem ter em espaços públicos?
Ao visitar espaços de entretenimento ou estabelecimentos recreativos, os responsáveis precisam redobrar a atenção com fotógrafos institucionais. Convém consultar previamente os avisos fixados nas entradas e ler atentamente eventuais regulamentos impressos nos ingressos adquiridos para compreender eventuais políticas de captação de imagens.
Identificar captações não consentidas possibilita manifestar oposição imediata aos profissionais no local, solicitando a exclusão dos registros das câmeras. Essa postura vigilante constitui o meio mais eficaz para preservar a integridade dos filhos, impedindo transtornos e exposições comerciais indesejadas em momentos de descanso familiar.

