Mergulhadores encontraram uma Guinness de 1864 no fundo do mar e agora cientistas querem descobrir se algo ainda sobrevive dentro dela
A garrafa passou mais de 160 anos submersa e pode revelar detalhes sobre como a Guinness era produzida no século XIX.
Uma garrafa aparentemente comum retirada de um naufrágio perto de Dover, na Inglaterra, acabou revelando algo extraordinário: a marca Guinness ainda estava visível após mais de 160 anos no fundo do mar. Datada de 1864, a descoberta agora interessa não apenas a mergulhadores, mas também a cientistas que querem saber o que ainda existe dentro dela.

Como uma Guinness de 1864 foi parar em um naufrágio?
A garrafa foi encontrada em 2025 pelo fotógrafo subaquático belga Stefan Panis durante uma exploração com o mergulhador Eddie Huzzey. O objeto estava entre os destroços e, num primeiro momento, parecia apenas mais uma peça coberta pelo tempo e pelos sedimentos acumulados no fundo do mar.
Foi somente depois de uma lavagem rápida na superfície que a inscrição Guinness apareceu. Panis contou à BBC News que a identificação foi uma surpresa imediata. A datação apontou para 1864, indicando que a garrafa passou aproximadamente 162 anos preservada dentro do naufrágio.

Os mergulhadores acreditam que existam outras garrafas?
Segundo Panis, a descoberta pode fazer parte de uma carga muito maior. Perto da garrafa havia uma caixa cujo tamanho, na avaliação do mergulhador, seria compatível com um conjunto de cerca de 24 unidades. Ele também considera possível que outras caixas permaneçam enterradas sob a areia.
Até agora, apenas uma garrafa foi retirada do local, mas novas buscas estão nos planos da equipe quando as condições de mergulho permitirem. Depois de mais de quatro décadas explorando ambientes subaquáticos, Panis afirmou que inicialmente nem percebeu que havia encontrado uma peça ligada diretamente à história da Guinness.
O que os cientistas querem descobrir dentro da garrafa?
O colega de Panis, Pawel Truszynski, entrou em contato com um microbiologista especializado em cerveja da KU Leuven, na Bélgica. Amostras foram encaminhadas para análise com o objetivo de identificar quais componentes da stout original conseguiram sobreviver após mais de um século submersos.
Entre as perguntas que os pesquisadores tentam responder estão:
- Verificar se restaram microrganismos ou material genético relacionado à cerveja produzida no século XIX.
- Entender quais características da receita original podem ser identificadas nas amostras preservadas.
- Descobrir até que ponto o contato com o ambiente marinho alterou o conteúdo da garrafa.
- Avaliar se seria tecnicamente possível recriar uma versão aproximada da Guinness produzida em 1864.

Seria possível recriar ou até provar essa cerveja?
Panis afirmou que existe a esperança de recuperar material genético suficiente para tentar reproduzir uma pequena versão da cerveja original. A BBC News destacou que as análises podem ajudar pesquisadores a entender melhor as características da Guinness fabricada na década de 1860, algo difícil de reconstruir apenas por documentos históricos.
Beber o conteúdo original, porém, é uma questão bem diferente. O principal problema é saber se água do mar entrou pela rolha ao longo das décadas. Panis disse que só consideraria provar a bebida caso especialistas confirmassem sua segurança, já que aparência e vedação externa não bastam para determinar se o líquido ainda é adequado para consumo.
Por que essa garrafa interessa tanto à Guinness?
A Diageo, empresa proprietária da Guinness, também demonstrou interesse pela descoberta. A equipe do Arquivo Guinness passou a colaborar com os mergulhadores para reunir mais informações sobre a origem da garrafa, sua conservação e a possível carga à qual ela pertencia antes de desaparecer no mar.
O valor da descoberta pode estar menos em beber uma cerveja centenária e mais no que ela consegue contar sobre outro período da fabricação. Se as análises revelarem pistas úteis, uma garrafa esquecida no fundo do mar poderá ajudar a reconstruir sabores e técnicas de 1864. Agora, cada exame do conteúdo pode aproximar os pesquisadores de uma receita perdida há mais de um século.