Mulher abandona cargo de gestão para fabricar geleias num contêiner de apenas seis metros quadrados e consegue vender produtos até no Japão e na Alemanha
Empreendedora gaúcha começou produzindo geleias em um contêiner de seis metros quadrados e conquistou compradores internacionais.
Lucia Burille aprendeu a reconhecer o cheiro de geleia de marmelo muito antes de estudar Engenharia de Alimentos. Na infância, no Rio Grande do Sul, via a mãe e a avó preparar compotas. Anos depois, deixou um cargo de gestão numa grande empresa para produzir geleias e antepastos num contêiner de apenas seis metros quadrados no Vale dos Vinhedos. Em 2026, a Fornello di Luccia vendia também para Japão, Alemanha e outros países. Entre o pequeno espaço inicial e os compradores internacionais, houve decisões que uma receita herdada não resolvia sozinha. Como ela transformou uma lembrança familiar num negócio?

Que lembrança Lucia levou para a vida adulta?
A experiência de infância ligada à produção de compotas permaneceu com Lucia, especialmente a receita de marmelo. Não se tratava apenas de gostar do sabor; ela observara como transformar fruta em um produto preparado e conservado. Essa memória conviveu por anos com outra trajetória profissional. Lucia formou-se em Engenharia de Alimentos e assumiu funções de gestão numa grande empresa, reunindo conhecimento técnico e experiência administrativa.
Deixar o emprego não apagou o que aprendera nele. A formação em alimentos ajudava a pensar processo, conservação e padrão de qualidade, enquanto a vivência de gestão era útil para organizar custos e comercialização. A transformação de uma habilidade familiar em trabalho assume formas diferentes, mas exige passar do saber fazer à relação com compradores.
Por que começar num contêiner tão pequeno?
O primeiro espaço da Fornello di Luccia tinha seis metros quadrados. Ali Lucia produzia geleias e antepastos artesanais no Vale dos Vinhedos, região associada a visitantes e à produção de alimentos. A área reduzida obriga planejamento de armazenamento, fluxo de trabalho e lotes de produção. O contêiner resume a escala do começo, mas não significa improvisação sem cuidados sanitários ou que todos os produtos posteriores continuassem a sair dali.
Lucia escolheu apostar numa produção de identidade própria, ligada a sabores de sua história e à região onde vivia. O negócio precisou definir apresentação e canais de venda, além de preparar receitas. A trajetória da empreendedora gaúcha confirma o começo no contêiner e a expansão internacional, sem informar número de funcionários ou faturamento. Não há motivo para inventar esses indicadores.

Como os produtos saíram do Vale dos Vinhedos?
A marca passou a vender em diferentes estados brasileiros. A circulação para além do ponto de origem exige cuidados com embalagem, conservação, transporte e comunicação com quem não conhece pessoalmente a produtora. Ter um alimento de boa qualidade é condição importante, mas não substitui a logística e o relacionamento comercial. O crescimento trouxe a necessidade de administrar o que antes cabia em uma escala menor.
Em 2026, os produtos também chegavam a Japão, Itália, Alemanha, Portugal, Canadá e Estados Unidos. A lista mostra alcance geográfico; não mede o volume exportado, a participação dessas vendas na receita nem a existência de lojas próprias em cada país. Para Lucia, no entanto, a presença em mercados tão distantes contrastava com a cozinha de seis metros quadrados onde começara. A receita de infância ganhou uma circulação que sua família não poderia prever.
O que as enchentes exigiram da empresa?
Depois das enchentes no Rio Grande do Sul, Lucia precisou rever estratégias de venda e buscar novos mercados. Desastres desse porte afetam rotas, fornecedores, clientes e a rotina dos pequenos negócios de maneiras distintas. A fonte não especifica todas as perdas da Fornello di Luccia, portanto não é correto atribuir a ela danos materiais ou um fechamento que não foram documentados. O que se sabe é a reorganização comercial.
Esse episódio mostra que expansão não é uma linha de crescimento sem interrupções. Uma empresa que atende outros estados e países continua dependente de condições locais de produção e distribuição. Diversificar mercados pode ser uma resposta a mudanças externas, mas também acrescenta trabalho de gestão. Lucia precisou ajustar o modo de chegar aos clientes sem abandonar a identidade artesanal que motivara o projeto.
O que a engenharia acrescentou ao fazer artesanal?
Conhecimento técnico permite pensar composição, segurança e regularidade de um alimento produzido para outras pessoas. O caráter artesanal não elimina a necessidade de processos confiáveis; ele descreve a escala e o cuidado de produção sem dispensar controles. A experiência de Lucia uniu a lembrança da mãe e da avó a competências adquiridas na universidade e no trabalho de gestão. Nenhuma dessas partes basta isoladamente para explicar o percurso.
Na prática, vender uma geleia a alguém no exterior é bem diferente de preparar compota para a família. Há escolha de embalagem, previsão de demanda e coordenação com intermediários. O caso não traz dados suficientes para descrever toda essa cadeia específica, mas a ampliação de mercados evidencia que Lucia precisou ir além da receita. O contêiner foi uma etapa concreta, não a única dimensão do empreendimento.
Qual é o contraste decisivo dessa história?
Uma mulher deixou um cargo estável para explorar um produto que conhecia desde criança, iniciou num espaço de seis metros quadrados e chegou a compradores em vários países. O resultado documentado não transforma a transição em fórmula simples para outras pessoas. Cada etapa exigiu escolhas técnicas e comerciais, e as enchentes mostraram que adaptar a empresa era tão importante quanto criá-la.
A geleia de marmelo ainda remete à cozinha da família de Lucia. A distância até Japão ou Alemanha não apaga essa origem; mostra como uma lembrança pode virar produto quando alguém reúne conhecimento, trabalho e mercado. O tamanho do contêiner explica o começo. A capacidade de reorganizar o negócio e manter clientes em lugares diferentes ajuda a entender o que veio depois.