Mulher começa a atender clientes numa cadeira velha de computador e aprende maquiagem pelo YouTube, abre clínica à beira-mar e recebe visita de Raí após expandir negócio
Empreendedora começou atendendo clientes no quarto e utilizou capacitação e crédito para expandir negócio de beleza em Maceió.
Uma cadeira antiga de computador, uma luminária improvisada e tutoriais na tela foram os primeiros recursos de Gabryelle Lima Santos de Oliveira para atender clientes no próprio quarto, no bairro do Jacintinho, em Maceió. Ela estudava Fisioterapia e precisava ajudar a pagar a faculdade. Anos depois, administrava com o marido uma clínica na Pajuçara, à beira-mar, e recebeu a visita de Raí em maio de 2026. Entre as duas imagens houve uma mudança de serviço, uma loja online e um empréstimo de R$ 10 mil. O que realmente permitiu sair daquele quarto?

Como Gabryelle começou a atender?
Gabryelle aprendeu técnicas de maquiagem com conteúdos disponíveis no YouTube e as praticava num espaço improvisado da casa. A cadeira velha e a iluminação limitada mostram a escala inicial, mas não definem sozinhas a qualidade do trabalho. O atendimento ajudava a custear a formação universitária. Cada cliente permitia aperfeiçoar técnica e construir confiança, enquanto ela decidia se aquela atividade seria apenas renda complementar ou projeto profissional.
O cuidado individual com a pele ajuda a contextualizar a área de beleza em que passou a atuar. O dado documentado pela fonte é que Gabryelle começou no quarto, sem uma clínica pronta, e aprendeu por iniciativa própria. Não havia no início a estrutura que seria construída anos depois.
Por que a extensão de cílios mudou os planos?
Ao conhecer esse mercado, Gabryelle percebeu que a manutenção regular do serviço poderia gerar procura recorrente. Maquiagem para ocasiões especiais e extensões de cílios têm ritmos de atendimento diferentes. A possibilidade de receber clientes de volta em intervalos previsíveis ajudou a pensar uma atividade mais estável. Isso não significa receita garantida, pois demanda e custos dependem de qualidade, localização e organização.
Ela passou a ampliar conhecimentos e a ajustar o tipo de serviço oferecido. O percurso de Gabryelle no setor da beleza descreve essa transição e a expansão posterior. A mudança não cabe numa frase sobre talento: envolveu aprender, atender, observar o retorno dos clientes e decidir onde investir o dinheiro disponível.

O que aconteceu durante a pandemia?
O marido João Vitor ficou desempregado, e Gabryelle também enfrentava a chegada da maternidade. O casal abriu uma loja online de produtos voltados a profissionais da beleza. A demanda revelou uma oportunidade, mas também um problema comum a pequenos negócios: sem estoque suficiente, não é possível atender todos os pedidos. Vender mais exigia comprar antes, e comprar antes exigia recursos que ainda não tinham.
Gabryelle buscou orientação empresarial para organizar a operação e avaliar crédito. Essa etapa é importante porque um empréstimo amplia capital de giro, mas também cria obrigação de pagamento. A loja não cresceu simplesmente porque o interesse apareceu; foi necessário calcular compras e reposição. A experiência de atendimento ajudava a entender quais produtos eram procurados pelos profissionais que ela conhecia no próprio setor.
Para que serviram os R$ 10 mil?
Gabryelle obteve financiamento de R$ 10 mil com apoio de um mecanismo de garantia para pequenos negócios. O dinheiro permitiu ampliar estoque e organizar a empresa. Não foi prêmio, doação nem lucro obtido em uma venda. Entender a natureza do recurso evita transformar a trajetória num conto de enriquecimento instantâneo. A operação dependia de vender produtos e administrar o compromisso assumido.
O financiamento respondeu a um gargalo concreto: havia procura, mas faltavam mercadorias. Quando a disponibilidade melhora, o negócio pode atender pedidos que antes recusava, desde que consiga repor itens e controlar custos. A fonte não informa quanto cada produto rendeu nem o valor total da clínica. O resultado verificável é que o acesso ao crédito ajudou a estruturar o empreendimento que o casal conduzia.
O que Raí conheceu em 2026?
Em 27 de maio, o ex-jogador visitou a sede da empresa na Pajuçara durante uma atividade do programa Acredita Sebrae. Encontrou uma empreendedora que já havia saído do quarto improvisado e administrava uma clínica com o marido. A visita tornou pública a história, mas não deve ser confundida com origem do crescimento: aconteceu depois do aprendizado, da mudança de serviço, da loja online e do financiamento.
O contraste entre a cadeira de computador e o endereço à beira-mar é visualmente marcante, porém as etapas intermediárias são o que explica a diferença. Gabryelle precisou conciliar estudo, trabalho e vida familiar em períodos distintos. O crédito e a orientação aparecem como ferramentas, não como substitutos da execução diária. O envolvimento de João Vitor também faz parte da fase posterior da empresa.
O que mudou além do endereço?
A antiga sala de atendimento era o próprio quarto de Gabryelle; a fase de 2026 reunia serviços e uma operação de produtos conduzida pelo casal. A mudança implicou mais clientes, gestão de estoque e decisões sobre financiamento. O relato não oferece uma cifra de faturamento nem permite afirmar que todas as dificuldades desapareceram. Mostra uma estrutura profissional maior que aquela disponível no começo.
A visita de Raí deu visibilidade a um caminho já percorrido. Gabryelle começou aprendendo pela tela e atendendo com equipamento improvisado; encontrou um serviço de retorno regular, ampliou o comércio e organizou recursos para sustentá-lo. A clínica na Pajuçara não apaga o quarto do Jacintinho. É a consequência de decisões sucessivas tomadas a partir dele.