Mulher deixa o artesanato depois de não conseguir vender suas peças, passa mais de 10 anos desenvolvendo doces sem açúcar e conquista R$ 40 mil em feira de empreendedorismo
Após abandonar o artesanato, empreendedora paraibana investiu em doces sem adição de açúcar e conquistou aporte de R$ 40 mil.
Depois de mais de uma década fazendo doces, Ana Paula da Conceição recebeu R$ 40 mil num evento de empreendedorismo na Paraíba. O valor, porém, não veio de uma loja consolidada nem representa o lucro mensal do negócio. Ela ainda vendia por encomenda e usava feiras para apresentar suspiros, frutas desidratadas e produtos sem adição de açúcar. A trajetória começara em Alhandra, quando decidiu deixar o artesanato, atividade na qual sentia que as peças não eram valorizadas. O que aconteceu entre aquela decisão e a premiação na Expo Favela Paraíba 2026?

Por que Ana Paula deixou o artesanato?
Entre 2013 e 2014, ela percebeu que o negócio de peças artesanais não encontrava na cidade o reconhecimento que esperava. A decisão de mudar não trouxe uma atividade pronta em troca. Ana Paula precisou escolher outra área, estudar e descobrir como oferecer produtos que encontrassem compradores. A frustração inicial explica a mudança, sem diminuir o trabalho que já havia dedicado ao artesanato.
Moradora de Alhandra, no litoral sul da Paraíba, ela se aproximou da gastronomia. Em vez de reproduzir apenas os doces mais comuns, buscou opções sem adição de açúcar e outras preparações. A transição exigiu tempo de aprendizagem e testes. Não se pode reduzir mais de dez anos de trabalho a uma inspiração repentina surgida no momento do prêmio.
Como se formou o novo cardápio?
Ana Paula desenvolveu suspiros, frutas desidratadas e doces sem adição de açúcar. Comprava ingredientes de agricultores locais, incorporando ao negócio uma relação com outros produtores da região. Cada preparação traz questões de sabor, conservação, apresentação e preço. O rótulo “sem açúcar” precisa ser usado com precisão, pois frutas podem conter açúcares naturalmente, e ausência de adição não equivale a ausência de carboidratos.
Ela fez cursos e adaptou as receitas conforme aprendia. A procura por doces sem açúcar adicionado oferece contexto para esse tipo de produto, mas não descreve as receitas de Ana Paula. O diferencial do empreendimento incluía também a maneira de produzir e apresentar suas próprias opções a consumidores que ainda não as conheciam.

Como ela vendia antes da premiação?
Em setembro de 2026, Ana Paula trabalhava exclusivamente por encomenda. Feiras e eventos em João Pessoa e outras cidades serviam como vitrine, sem que isso significasse uma loja física aberta. A venda por pedidos permite conhecer a demanda, mas também obriga a organizar produção, entrega e atendimento de forma compatível com a capacidade disponível.
O percurso entre Alhandra e os eventos ampliou sua rede de contatos. Cada conversa podia mostrar quais produtos despertavam interesse e quais explicações eram necessárias sobre ingredientes. A pauta não informa produção mensal, número de encomendas ou faturamento. Esses dados não devem ser inferidos do prêmio posterior, porque o valor recebido tinha natureza diferente de receita de vendas.
O que aconteceu na Expo Favela?
Na Expo Favela Paraíba 2026, Ana Paula ficou entre 15 empreendedores contemplados com um aporte de R$ 40 mil. Recebeu também acompanhamento técnico do Sebrae para trabalhar aspectos como precificação, atendimento e boas práticas de produção. A premiação deu recursos e orientação a um negócio já em atividade, não inaugurou automaticamente uma rede de lojas.
A história de Ana Paula na gastronomia foi registrada pelo Sebrae da Paraíba. Os R$ 40 mil são um aporte vinculado à conquista, e não devem ser tratados como lucro líquido, faturamento de um mês ou dinheiro já gasto em expansão. A distinção permite medir corretamente o alcance daquela vitória.
Por que o suporte técnico importa?
Uma receita apreciada pelo público não resolve sozinha questões de custo, preço e capacidade produtiva. O acompanhamento pode ajudar a comparar insumos, tempo de trabalho e embalagem com o valor cobrado. Boas práticas e atendimento também são essenciais quando a empreendedora quer aumentar as encomendas sem perder a consistência do produto.
Não há notícia confirmando que Ana Paula abriu uma loja depois do evento ou contratou equipe. O efeito documentado é a combinação de aporte e assistência, que cria possibilidades para decisões futuras. O prêmio reconheceu o caminho percorrido, mas o planejamento do próximo passo ainda dependeria de escolhas e resultados que a cobertura inicial não detalhou.
O que a mudança de profissão revela?
Ana Paula deixou uma atividade que não encontrava mercado suficiente em seu entorno e passou anos construindo outra, com produtos próprios e canais de venda ajustados à realidade local. A cena da premiação tem força porque veio depois de cursos, testes, feiras e encomendas. Nenhum desses passos isoladamente explicaria a conquista.
A trajetória continua aberta: os R$ 40 mil podem apoiar o negócio, mas não garantem crescimento nem autorizam inventar desfecho. O dado seguro é que uma empreendedora de Alhandra conseguiu transformar uma decisão difícil de 2013 ou 2014 numa atividade reconhecida em 2026. O investimento marca uma nova etapa para os doces; a aprendizagem que o precedeu foi o trabalho de mais de dez anos.