Mulher sofre acidente de carro com o marido, passa meses sem trabalhar e procura ajuda para fechar centro que atendia crianças, mas consegue reabrir espaço com 30 alunos
Centro de equoterapia no sertão pernambucano retomou os atendimentos após acidente dos responsáveis e passou a beneficiar 30 crianças.
Roseane Lacerda procurou ajuda para encerrar o centro de equoterapia que havia criado no sertão de Pernambuco. Ela e o marido tinham sofrido um acidente de carro, passado meses sem trabalhar, e as despesas do espaço continuavam chegando. O Rancho Aruanda, iniciado em 2019 na zona rural de Araripina, já havia atendido crianças gratuitamente; fechar parecia a única maneira de interromper o acúmulo de contas. A orientação que buscou para terminar a atividade acabou acompanhando outro caminho. Em novembro de 2025, o centro voltou a funcionar e, no ano seguinte, recebia 30 crianças.

Por que Roseane criou o Rancho Aruanda?
O projeto reuniu sua paixão por cavalos e o desejo de ampliar o acesso à equoterapia. Essa prática utiliza o movimento do animal dentro de objetivos de reabilitação definidos por profissionais especializados. Não basta montar a cavalo para receber o mesmo tipo de atendimento. Equipe, avaliação, adaptação das atividades e condições de segurança fazem parte da proposta, especialmente quando envolve crianças com necessidades diferentes.
Roseane instalou a iniciativa na zona rural de Araripina em 2019. No começo, 12 crianças eram atendidas gratuitamente. O número já exigia organização de horários, manutenção dos animais e presença de profissionais. A gratuidade facilitava o acesso das famílias, mas não eliminava os custos de alimentação, cuidados veterinários, instalações e trabalho necessários para manter o centro aberto.
Como o acidente atingiu o funcionamento?
Roseane e o marido sofreram um grave acidente de trânsito e ficaram impossibilitados de trabalhar durante meses. A interrupção da capacidade de tocar o projeto coincidiu com contas que não pararam. Sem condições de manter a rotina, as atividades foram paralisadas. Uma iniciativa social ainda depende de recursos para funcionar, e a dedicação dos responsáveis não substitui estrutura ou segurança.
A necessidade de acompanhamento em atividades terapêuticas com animais ajuda a contextualizar a responsabilidade envolvida, embora se refira a outra prática. A organização multiprofissional e os cuidados de segurança da equoterapia explicam por que simplesmente reunir crianças e cavalos não seria uma solução improvisada durante a crise.

Por que ela pensou em fechar o CNPJ?
As atividades estavam suspensas, e os gastos se acumulavam enquanto o casal ainda enfrentava as consequências do acidente. Roseane procurou apoio para encerrar formalmente a operação. A decisão seria difícil porque o centro havia oferecido atendimento gratuito, mas manter a pessoa jurídica aberta sem condições de atuar também parecia ampliar o problema. A busca por ajuda partiu dessa situação concreta.
O relato não descreve uma doação inesperada capaz de apagar todas as despesas. A mudança veio com reorganização de gestão e busca de condições para retomar o projeto. Identificar quais recursos eram necessários, onde encontrá-los e como manter o serviço com segurança era diferente de apenas desejar reabrir. A pausa obrigou a olhar a estrutura do centro, não só sua missão.
O que permitiu a reabertura?
O Rancho Aruanda retomou atividades em novembro de 2025, depois de reorganização e obtenção de apoio para sustentar as aulas. Recursos vinculados a um projeto social ajudaram a viabilizar a operação. Isso não significa que o centro passou a ter financiamento permanente sem limites. A continuidade exige manter equipe, animais e equipamentos em condições adequadas, além de planejar os atendimentos.
Voltar a receber crianças representava mais do que abrir o portão. Era preciso organizar acompanhamento individual, horários e ambiente seguro, considerando as necessidades de cada participante. A experiência anterior com 12 crianças não dispensava revisão depois de meses parados. Uma retomada responsável preserva tanto o acesso das famílias quanto o bem-estar dos cavalos utilizados nas sessões.
Como o centro funcionava em 2026?
O atendimento gratuito alcançava 30 crianças de Araripina e cidades vizinhas. Três cavalos e uma equipe multidisciplinar compunham a estrutura informada. A ampliação em relação às 12 crianças do começo é significativa, mas a presença de uma fila de espera mostrava que a demanda superava a capacidade disponível. Mais alunos exigiriam recursos, pessoal e equipamentos de segurança adicionais.
A fila não deve ser tratada como argumento para aumentar sessões além do que os animais e a equipe conseguem oferecer. Cada atendimento tem objetivos e condições próprios. A informação sobre a necessidade de ampliar equipamentos lembra que reabrir não encerrou a busca por parcerias. O Rancho tinha retomado uma função social, permanecendo dependente de planejamento e apoio.
O que mudou desde a tentativa de encerramento?
Roseane procurou orientação quando acreditava não poder continuar. Meses depois, o espaço retomou as aulas; no ano seguinte, atendia mais do dobro do número inicial de crianças. O contraste não transforma o acidente em etapa necessária para o projeto crescer. Ele mostra que uma crise concreta exigiu reorganização antes que a atividade pudesse voltar em condições viáveis.
O resultado confirmado é uma iniciativa novamente em funcionamento, com 30 participantes gratuitos e uma fila que ainda precisava de resposta. Não há razão para inventar faturamento ou prometer expansão certa. A história termina no ponto mais honesto: o portão reabriu, os cavalos voltaram às atividades acompanhadas e manter esse acesso continua sendo um trabalho diário.