O peixe considerado extinto com os dinossauros reapareceu vivo em uma rede de pesca

Capturado por acaso na África do Sul, o peixe de nadadeiras lobadas revelou que uma linhagem pré-histórica ainda sobrevivia nas profundezas.

Durante décadas, o celacanto existiu apenas em fósseis e livros de paleontologia. Tudo mudou em 1938, quando um peixe de aparência incomum surgiu entre as capturas de um barco na África do Sul. A descoberta parecia impossível: uma linhagem considerada desaparecida havia dezenas de milhões de anos continuava nadando nas profundezas.

O peixe foi capturado em 22 de dezembro de 1938, próximo à foz do rio Chalumna, na costa sul-africana.
O peixe foi capturado em 22 de dezembro de 1938, próximo à foz do rio Chalumna, na costa sul-africana. - Imagem gerada por IA

Como o celacanto reapareceu em 1938?

O peixe foi capturado em 22 de dezembro de 1938, próximo à foz do rio Chalumna, na costa sul-africana. Marjorie Courtenay-Latimer, curadora de um pequeno museu na cidade de East London, examinava a pesca quando percebeu um animal azulado, com escamas resistentes e nadadeiras muito diferentes.

Intrigada, ela procurou o ictiólogo James Leonard Brierley Smith, que confirmou tratar-se de um celacanto. O animal recebeu o nome científico Latimeria chalumnae, em homenagem à curadora e ao local da captura, transformando uma visita comum ao cais em um marco da zoologia.

Exemplar capturado em 1938 revelou a existência de espécie considerada extinta.
Exemplar capturado em 1938 revelou a existência de espécie considerada extinta. - Créditos: Imagem criada por IA.

Por que os cientistas acreditavam que ele estava extinto?

Os celacantos eram conhecidos por fósseis encontrados em rochas com centenas de milhões de anos. Como seus registros desapareciam aproximadamente no período da extinção que eliminou os dinossauros não avianos, há cerca de 66 milhões de anos, os pesquisadores concluíram que a linhagem também não havia sobrevivido.

A ausência de fósseis mais recentes, porém, não significava necessariamente extinção. Esses peixes vivem em ambientes profundos, onde a fossilização é rara e o contato com humanos é limitado. Sua redescoberta mostrou que o registro geológico guarda pistas valiosas, mas sempre permanece incompleto.

  • O celacanto possui nadadeiras carnosas sustentadas por estruturas ósseas.
  • Seu corpo pode alcançar quase dois metros de comprimento.
  • O animal costuma permanecer em águas profundas e cavernas submarinas.
  • Atualmente, duas espécies vivas são reconhecidas pela ciência.

O celacanto é realmente um fóssil vivo?

A expressão “fóssil vivo” tornou-se popular porque o celacanto atual conserva uma aparência semelhante à de parentes encontrados no registro fóssil. No entanto, isso não significa que tenha permanecido completamente inalterado. Como qualquer espécie viva, ele continuou acumulando adaptações e mudanças genéticas.

Um estudo publicado na revista Nature, em 2013, analisou o genoma do celacanto africano e encontrou uma evolução relativamente lenta em parte de suas proteínas. A pesquisa também concluiu que os peixes pulmonados, e não o celacanto, são os parentes vivos mais próximos dos vertebrados terrestres.

Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Planeta Azul🌎🔭 mostrando registros do peixe Celacanto, o fóssil vivo.

Quais características tornam esse peixe tão incomum?

Suas nadadeiras lobadas movimentam-se de maneira alternada, lembrando a sequência dos membros de um animal que caminha. O celacanto também apresenta uma articulação dentro do crânio, um órgão sensorial no focinho e uma estrutura cheia de gordura no lugar da coluna vertebral completamente desenvolvida.

Apesar dessas características, ele não deve ser apresentado como o ancestral direto dos animais terrestres. O celacanto pertence a um ramo próximo daquele que participou dessa transição evolutiva, funcionando como uma referência importante para estudar a diversidade antiga dos peixes de nadadeiras lobadas.

O que sua descoberta ainda ensina à ciência?

Uma segunda espécie, Latimeria menadoensis, foi identificada décadas depois na Indonésia, revelando que a linhagem estava mais distribuída do que se imaginava. Mesmo assim, os celacantos continuam raros, vulneráveis à captura acidental e dependentes de ambientes profundos ainda pouco conhecidos.

A história desse peixe lembra que declarar o desaparecimento de uma espécie exige cautela. Florestas, cavernas e oceanos podem esconder sobreviventes improváveis por gerações. Proteger esses ambientes agora é essencial, porque a próxima criatura capaz de mudar os livros de ciência talvez ainda esteja longe dos nossos olhos.