Os ratos invadiram a Ilha Geórgia do Sul, devastaram populações de aves marinhas nativas e devoravam filhotes indefesos, mas foram totalmente erradicados após um projeto de anos com iscas lançadas por helicóptero, sendo a ilha declarada livre de roedores em 2018

Os primeiros roedores provavelmente chegaram com expedições de caça a focas no fim do século XVIII.

A Ilha Geórgia do Sul, território britânico no Atlântico Sul, tornou-se cenário de uma das maiores restaurações insulares já realizadas. Ratos introduzidos por expedições humanas devastaram aves nativas, mas uma longa operação devolveu segurança aos ninhos e favoreceu a recuperação ecológica.

O pipit da Geórgia do Sul, ave endêmica e único pássaro canoro subantártico, ficou restrito principalmente a ilhotas sem roedores e trechos protegidos.
O pipit da Geórgia do Sul, ave endêmica e único pássaro canoro subantártico, ficou restrito principalmente a ilhotas sem roedores e trechos protegidos. - Imagem gerada por IA

Como os ratos invadiram a Ilha Geórgia do Sul?

Os primeiros roedores provavelmente chegaram com expedições de caça a focas no fim do século XVIII. Depois, bases baleeiras e o movimento de navios facilitaram sua expansão por grande parte da costa, transformando uma introdução acidental em grave ameaça para a fauna.

Sem mamíferos terrestres predadores em sua história evolutiva, muitas aves faziam ninhos no chão ou em tocas acessíveis. Ratos e camundongos consumiam ovos e filhotes, reduzindo populações e impedindo a reprodução em áreas inteiras da ilha durante sucessivas gerações.

A invasão alterou diferentes partes do ecossistema:

  • 🚢
    Chegada: roedores desembarcaram junto às primeiras expedições humanas.
  • 🏚️
    Expansão: bases costeiras facilitaram a dispersão pela ilha.
  • 🥚
    Ninhos: ovos e filhotes ficaram expostos à predação.
  • 🐦
    Aves: espécies terrestres e marinhas perderam áreas reprodutivas.
  • 🧊
    Geleiras: funcionaram temporariamente como barreiras naturais.

Por que as aves nativas eram tão vulneráveis?

O pipit da Geórgia do Sul, ave endêmica e único pássaro canoro subantártico, ficou restrito principalmente a ilhotas sem roedores e trechos protegidos. Outras espécies, como petréis e o pato-rabo-alçado local, também perderam território reprodutivo e sofreram forte declínio.

A geografia montanhosa ainda criou divisões temporárias: geleiras que chegavam ao mar dificultavam a passagem dos ratos entre setores costeiros. Com o recuo dessas barreiras naturais, conservacionistas perceberam que o tempo para impedir uma invasão mais ampla estava diminuindo rapidamente e exigia ação.

Como os helicópteros eliminaram os roedores da ilha?

A campanha liderada pela South Georgia Heritage Trust foi dividida em grandes fases de distribuição de iscas, realizadas em 2011, 2013 e 2015. Três helicópteros cobriram áreas extensas e equipes também trabalharam manualmente dentro de antigas estações baleeiras, onde a aplicação aérea era inadequada.

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A maior operação insular de seu tipo

Mais de cem mil hectares foram tratados

Helicópteros permitiram alcançar encostas, vales e trechos costeiros inacessíveis por terra.

O projeto exigiu cerca de £10 milhões, anos de arrecadação, planejamento ambiental e equipes especializadas.

O planejamento precisou considerar montanhas, ventos, neve, cursos de água e espécies que não eram alvo da operação. O projeto levantou £10 milhões e tratou mais de cem mil hectares, exigindo logística rigorosa, financiamento internacional e monitoramento ambiental constante.

A operação foi organizada em diferentes etapas:

  • A primeira fase de distribuição aérea ocorreu em 2011.
  • Novas áreas foram tratadas durante as fases de 2013 e 2015.
  • Três helicópteros foram usados para alcançar terrenos remotos.
  • Antigas estações baleeiras receberam aplicação manual.
  • Mais de cem mil hectares foram incluídos no projeto.

    O pipit da Geórgia do Sul, ave endêmica e único pássaro canoro subantártico, ficou restrito principalmente a ilhotas sem roedores e trechos protegidos.
    O pipit da Geórgia do Sul, ave endêmica e único pássaro canoro subantártico, ficou restrito principalmente a ilhotas sem roedores e trechos protegidos. - Imagem gerada por IA

Como os pesquisadores confirmaram a erradicação completa?

Mais de dois anos após a última distribuição, uma equipe passou seis meses procurando sinais de sobreviventes. Foram instalados milhares de dispositivos de detecção, percorridos longos trechos costeiros e utilizados cães treinados, formando uma verificação extensa antes de qualquer declaração oficial.

Nenhuma evidência de ratos ou camundongos foi encontrada, e a ilha foi declarada livre de roedores em 18 de maio de 2018. Ao mesmo tempo, observadores registraram o retorno do pipit e aumentos de outras aves em áreas anteriormente ocupadas pela invasão.

A etapa final de confirmação incluiu:

  • Seis meses de buscas em regiões costeiras e montanhosas.
  • Mais de 4.600 dispositivos de detecção distribuídos pela ilha.
  • Três cães treinados para localizar vestígios de roedores.
  • Mais de 2.400 quilômetros percorridos pelas equipes.
  • Nenhum sinal de ratos ou camundongos sobreviventes.

Por que essa operação se tornou um exemplo de conservação?

A restauração lembra que ilhas podem reunir biodiversidade excepcional e grande vulnerabilidade, como também ocorre em Fernando de Noronha e sua riqueza natural. Quando espécies invasoras chegam, a ausência de defesas evolutivas transforma pequenos predadores em uma pressão desproporcional sobre o ecossistema.

O sucesso não encerrou o trabalho, porque novos roedores poderiam desembarcar em embarcações ou cargas. Por isso, o território mantém regras de biossegurança, inspeções e cães detectores, protegendo o investimento realizado e permitindo que a restauração avance sem uma nova introdução acidental.