Os veterinários concordam: deixar o cachorro farejar tudo no passeio ajuda a melhorar o equilíbrio emocional dele
Cheirar poste e grama é como o cão lê o bairro, e um estudo mostrou que isso o deixa mais confiante
Deixar o cachorro farejar com calma durante o passeio não é perda de tempo: veterinários e especialistas em comportamento canino apontam que esse momento ajuda a reduzir o estresse e a ansiedade do animal. Para o cão, cheirar o poste, a grama e o canteiro é a forma principal de entender o mundo.
A orientação aparece em reportagem do jornal espanhol OKDiario, que reúne a visão de profissionais da área. O recado é que o passeio serve para muito mais do que fazer as necessidades e gastar energia.

O nariz é a janela do cachorro para o mundo
O olfato é o sentido mais desenvolvido dos cães, e o cérebro deles processa grande parte da informação que chega por esse caminho. Quando o animal para num tronco de árvore, ele descobre quem passou por ali, se era outro cachorro, uma pessoa ou um gato, e o que mudou no bairro desde a última volta.
Por isso, puxar a guia toda vez que ele para pode gerar frustração. Segundo os especialistas ouvidos pelo OKDiario, impedir esse comportamento natural tira do cão uma necessidade básica.
O que a ciência já mediu sobre o hábito de farejar
Um estudo de 2019 das pesquisadoras Charlotte Duranton e Alexandra Horowitz, publicado na revista científica Applied Animal Behaviour Science, comparou dois grupos de cães durante duas semanas. Um praticou atividades de faro todos os dias; o outro treinou andar junto ao tutor, com foco em obediência.
No fim, os cães do grupo do faro passaram a se aproximar mais rápido de um estímulo ambíguo num teste de comportamento, sinal que os cientistas interpretam como uma visão mais otimista diante do desconhecido. O grupo da obediência não mudou.
É um resultado bonito de ver: um gesto tão simples quanto cheirar parece deixar o cachorro mais confiante.
Como fazer um passeio de farejar sem bagunça
Os especialistas não defendem que o cachorro pare por tempo indefinido em cada ponto. A ideia é equilibrar exercício e exploração, com momentos controlados para ele cheirar no próprio ritmo. Algumas atitudes ajudam:
- reserve alguns minutos do trajeto para ele escolher o caminho e parar onde quiser;
- use uma guia um pouco mais longa, sem tensão constante;
- varie o roteiro de vez em quando, porque cheiros novos estimulam mais;
- prefira canteiros e praças a calçadas muito movimentadas.
Quem já se perguntou por que os cães ficam cheirando o mesmo lugar durante tanto tempo no passeio encontra ali a explicação para essa demora toda.
Onde o farejar precisa de limite?
Liberdade para cheirar não é liberdade para comer. Fique de olho em restos de comida, lixo, animais mortos, fezes de outros bichos e possíveis iscas de veneno espalhadas na rua. Nesses pontos, chame o cão e siga em frente.
Cachorros com doença respiratória, idosos ou em tratamento podem precisar de passeios adaptados, e o veterinário de confiança é quem orienta o ritmo certo.
Cão bem passeado fica mais tranquilo em casa
De acordo com o OKDiario, o hábito é ainda mais útil para cães que vivem em apartamento e na cidade, onde as chances de explorar são menores. Um passeio rico em cheiros cansa a mente e ajuda a prevenir o tédio, que costuma aparecer em latidos, móveis roídos e agitação.
Isso pesa ainda mais para quem passa muitas horas fora; vale ler o que diz um veterinário sobre o tempo máximo que um cachorro pode ficar sozinho.
Na próxima volta no quarteirão, deixe o nariz dele guiar alguns minutos. O passeio fica mais lento, e o cachorro volta mais leve.