Pai deixa o Rio de Janeiro, começa a produzir cerâmica dentro de casa no Maranhão e após 30 anos encontra no filho o sucessor de uma empresa com dez trabalhadores
Artesão transformou a produção doméstica de cerâmica em empresa familiar que reúne dez trabalhadores e duas gerações.
José Carlos Martins começou a fazer cerâmica vitrificada dentro de casa depois de deixar o Rio de Janeiro e recomeçar no Maranhão. A atividade, inicialmente próxima de um hobby e de uma alternativa de sustento, tornou-se uma empresa com dez pessoas ao longo de cerca de 30 anos. Seu filho, Bernardino Alves, entrou no trabalho e passou a lidar com clientes e vendas enquanto o pai continuou ligado à produção. O momento decisivo não foi apenas contratar mais gente: foi descobrir que a oficina podia ter continuidade familiar.

Por que José Carlos começou a produzir em casa?
Depois de mudar de estado, procurava uma forma de reorganizar a vida da família. A cerâmica vitrificada unia o interesse por fazer peças à possibilidade de vendê-las. No início, trabalhar em casa reduzia a distância entre produção e cotidiano, mas não significava que houvesse uma empresa estruturada desde o primeiro dia. O negócio foi se formando conforme a demanda apareceu.
A produção artesanal envolve preparação de barro, modelagem, queima e acabamento. Cada etapa consome tempo e exige atenção para que as peças resistam ao uso. José Carlos começou por conta própria e testou a aceitação do trabalho. A profissionalização veio quando a possibilidade de vender regularmente tornou necessário organizar fabricação, encomendas e participação de outras pessoas.
Como o trabalho individual virou empresa?
Ao longo das décadas, a atividade passou a gerar postos de trabalho. Em agosto de 2026, a empresa reunia dez pessoas. O número descreve a equipe naquele momento; não informa um crescimento linear ou contínuo durante todos os 30 anos. Entre a primeira peça feita em casa e uma operação com trabalhadores, houve decisões sobre produção e mercado.
O processo artesanal da cerâmica ajuda a entender por que ampliar um ateliê exige mais do que repetir a mesma peça. Há escolhas de matéria-prima, tamanho, acabamento e ritmo de entrega. José Carlos continuou próximo desse fazer manual mesmo depois que a atividade deixou de ser um esforço individual.

Quando o filho entrou na história?
Bernardino Alves decidiu participar do empreendimento familiar. A fonte não o apresenta como alguém que substituiu integralmente o pai. José Carlos concentra parte do trabalho na produção artesanal, enquanto Bernardino atua especialmente no atendimento e nas vendas. A divisão de tarefas permite que o conhecimento de fabricação conviva com uma relação mais direta com compradores.
A parceria entre as duas gerações transformou o sentido da empresa para José Carlos. O filho não entrou apenas para observar como se molda o barro; passou a assumir uma função comercial real. Isso também cria espaço para transmitir o saber de produção sem exigir que ambos façam exatamente as mesmas tarefas todos os dias.
O que as feiras mudaram no catálogo?
O negócio se concentrava principalmente em peças pequenas e lembranças. Depois de participar de um evento em São Paulo, a família percebeu interesse por objetos decorativos maiores. A mudança veio da observação do público, não de uma tendência inventada para explicar o crescimento. Trabalhar com novas dimensões requer adaptar fabricação, transporte e apresentação das peças.
Uma feira permite encontrar compradores e testar produtos fora do circuito habitual. Não há dados suficientes para calcular o faturamento gerado por aquele evento ou afirmar que os itens maiores substituíram todos os anteriores. O fato relevante é a resposta ao mercado: pai e filho levaram o que sabiam fazer, observaram a procura e ampliaram o que a oficina poderia oferecer.
O que significa falar em sucessão?
Significa que Bernardino passou a participar da operação e pode ajudar a dar continuidade ao negócio. Não significa que José Carlos se aposentou ou que a transferência formal da empresa já ocorreu. O pai continua ligado ao trabalho manual, e o filho contribui com vendas e atendimento. A convivência entre papéis torna a história mais precisa que uma troca imediata de comando.
A cerâmica que começou em casa sustentou trabalho por décadas e agora envolve dez pessoas. Cada peça ainda depende de decisões concretas de produção e acabamento. A presença do filho amplia a possibilidade de a atividade seguir adiante, mas o futuro não está garantido por parentesco: depende de clientes, qualidade, organização e vontade de continuar.
Que legado já é possível observar?
O legado confirmado é uma oficina que deixou de ser apenas hobby, gerou empregos e aproximou duas gerações no mesmo empreendimento. A participação de Bernardino nas vendas mostra que o conhecimento transmitido não se limita à técnica de moldar. Inclui entender o que as pessoas procuram, negociar e ajustar produtos sem perder o caráter artesanal.
José Carlos saiu do Rio para recomeçar e encontrou na cerâmica uma fonte de sustento. Trinta anos depois, continua criando enquanto o filho ajuda a levar as peças ao público. A cena final não é uma passagem de bastão concluída, e sim uma parceria em andamento: o barro segue nas mãos de quem iniciou o trabalho, agora acompanhado por alguém disposto a cuidar de sua continuidade.