ONG usa redes sociais para levar aulas a alunos de comunidades carentes

Escolas Sociais encontram ferramentas para que a educação esteja ao alcance de todos os alunos

Por: Redação

A pandemia do novo coronavírus (covid-19) tirou mais de 2,5 milhões de crianças e adolescentes das salas de aula no Brasil e as atividades e exercícios online agora fazem parte da rotina de pais e alunos.

Mas quando falamos das áreas de vulnerabilidade social, o acesso à internet tem um menor alcance. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 32% da população brasileira ainda não possui internet em casa.

Crédito: Divulgação  Gabrieli, do 7º ano do Marista Escola Social Ecológica, na região metropolitana de Curitiba, é uma das alunas atendidas pelo ONG

Pensando nos desafios nos tempos de pandemia, o Marista Escolas Sociais, que atende gratuitamente crianças e adolescentes em 20 escolas na periferia de cidades do Paraná, Santa Catarina e São Paulo, tem bons exemplos de como continuar levando educação até as áreas mais carentes.

“A nossa ideia foi garantir que a educação continuasse chegando a todos os estudantes. Para isso, antes mesmo dos decretos municipais e estaduais suspendendo as aulas presenciais, nossas equipes prepararam soluções para a realidade de cada família”, explica a diretora educacional do Marista Escolas Sociais, Viviane Flores.

Cerca de 40% dos mais de 7.700 alunos das Escolas Sociais não têm acesso à internet banda larga, e em torno de 45% estão abaixo da linha da pobreza. Além disso, a maior parte dos responsáveis pelas crianças e adolescentes são trabalhadores autônomos e informais que estão sendo diretamente afetados pelas mudanças causadas pela pandemia.



Dessa maneira, além de disponibilizar atividades impressas por quinzena, a equipe pedagógica de cada escola também está recorrendo às redes sociais para fazer as atividades chegarem aos alunos.

“As redes sociais, são usadas tanto para comunicar as famílias sobre novas atividades, bem como para disponibilizar conteúdos, receber as tarefas, publicar videoaulas e novas atividades. Tudo isso sempre com o apoio dos professores para esclarecer dúvidas, que estão disponíveis durante os horários em que as aulas aconteceriam normalmente”, detalha Flores.

Para quem não tem nenhum tipo de acesso à internet, as escolas se organizaram para deixar pastas com atividades impressas. A retirada é feita com data e horário marcado, para evitar aglomerações.

Segundo a diretora, o uso de redes sociais facilitou a adesão às atividades domiciliares, pois as crianças e jovens já fazem uso dos canais em seu dia a dia e garante que até mesmo com o celular, as atividades possam ser acessadas, já que boa parte dos planos das operadoras prevê o acesso ilimitado às redes.

Exemplos

Nas 20 Escolas Sociais, mais de 30% dos responsáveis pelos estudantes não concluíram o Ensino Médio. Neste aspecto, continuar com o projeto pedagógico mesmo no momento em que é preciso estar longe de uma sala de aula, é ainda mais importante para a transformação social e construção de projetos de vida.

O bairro da Vila Progresso, no extremo leste de São Paulo,  é um dos lugares mais afetados pela pandemia, é lá que está localizado o Marista Escola Social Irmão Lourenço. Gustavo Henrique do Nascimento Santos é estudante do 8º ano e para ele fazer as atividades em casa tem sido de muita importância. “Os plantões de dúvidas com os professores nas redes sociais são ótimos, porque eu estou conseguindo conversar com todos eles”, revela.

Marleide Cardoso Sarmento, é mãe da Gabrieli, aluna do 7º ano do Marista Escola Social Ecológica, na região metropolitana de Curitiba (PR). Para ela, a atenção e a solidariedade têm sido fundamentais para a filha continuar os estudos. “Quando aconteceu essa paralisação, fiquei com medo de ser ainda mais difícil para ela acompanhar, mas informaram que teriam atividades mesmo assim. Não temos internet em casa e foi muito difícil no começo, sorte que nos passaram algumas coisas por whatsapp, isso foi de uma atenção que não tenho nem palavras. Agora o vizinho divide a internet com a gente e a Gabi consegue estudar”, afirma.

Já a estudante do Marista Escola Social Santa Mônica, localizado em Ponta Grossa (PR), Anna Clara da Silva, de 12 anos, acredita que as atividades são importantes neste período de isolamento social. “Eu consigo acessar a internet pelo celular e pegar as atividades. Não é igual estar na sala, mas é muito bom. Eu acordo, tomo café e faço atividades que estão online. À tarde eu coloco em dia meus cadernos”, revela.

Anna Clara também revela que está sentindo falta da escola. “Eu estou com muitas saudades de ir para a aula, mas eu sei que agora é importante ficar em casa”, afirma.

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