A ciência investiga a origem dos cabelos grisalhos e por fim chega a conclusão que os fios brancos também são um importante mecanismo vital de proteção capilar

A tonalidade dos fios depende da melanina produzida por melanócitos dentro do folículo piloso.

Os cabelos grisalhos podem representar mais do que uma consequência visível do envelhecimento. Pesquisadores descobriram, em experimentos com camundongos, que o processo que elimina determinadas células-tronco pigmentares danificadas também leva ao surgimento de fios brancos. A perda da cor aparece, nesse caso, como consequência de um mecanismo que impede algumas células com danos no DNA de continuarem se multiplicando.

O ponto central está no destino dado a uma célula potencialmente comprometida.
O ponto central está no destino dado a uma célula potencialmente comprometida.Imagem gerada por inteligência artificial

Por que os cabelos começam a perder a cor?

A tonalidade dos fios depende da melanina produzida por melanócitos dentro do folículo piloso. Essas células pigmentares são renovadas por células-tronco de melanócitos, conhecidas como McSCs. Quando essa reserva diminui ou deixa de gerar novos melanócitos funcionais, o cabelo começa a crescer com menos pigmentação.

Esse processo ocorre naturalmente com a idade, mas não depende apenas do número de anos vividos. Danos celulares, genética e alterações no funcionamento do folículo também influenciam a capacidade de renovar as células responsáveis pela cor.

  • Os melanócitos produzem a melanina do cabelo;
  • As células-tronco ajudam a repor esses melanócitos;
  • A perda dessa reserva reduz a pigmentação do novo fio;
  • O cabelo pode crescer cinza ou completamente branco;
  • O processo ocorre dentro do folículo antes de o fio aparecer no couro cabeludo.

O que a ciência descobriu sobre as células dos fios grisalhos?

Um estudo publicado em 2025 acompanhou o destino das células-tronco de melanócitos diante de diferentes tipos de dano genético. Quando essas células sofreram quebras importantes nas duas fitas do DNA, passaram por um processo chamado diferenciação associada à senescência. Em vez de continuarem funcionando como células-tronco, elas se diferenciaram e desapareceram progressivamente da reserva do folículo.

Como perder a pigmentação pode funcionar como proteção?

O ponto central está no destino dado a uma célula potencialmente comprometida. Uma célula-tronco com DNA gravemente danificado pode representar um problema caso continue se renovando e transmitindo essas alterações para novas células. No experimento, uma resposta envolvendo a via p53-p21 fez com que algumas dessas células deixassem de se autorrenovar.

O resultado visível foi o aparecimento de fios brancos. A consequência biológica, porém, foi a retirada de determinadas células danificadas da população capaz de continuar se multiplicando. Os pesquisadores identificaram esse caminho como uma resposta protetora contra a expansão de células com potencial para contribuir para o melanoma.

  • A célula sofre um dano importante no DNA;
  • Uma resposta ao dano é ativada;
  • A célula perde a capacidade de permanecer como célula-tronco;
  • Ela se diferencia e deixa a reserva do folículo;
  • A produção futura de pigmento diminui naquela região.

    O ponto central está no destino dado a uma célula potencialmente comprometida.
    O ponto central está no destino dado a uma célula potencialmente comprometida.Imagem gerada por inteligência artificial

Ter cabelos grisalhos significa estar protegido contra melanoma?

Não. A descoberta não significa que pessoas com cabelos brancos tenham menor risco de desenvolver melanoma nem que ficar grisalho funcione como uma proteção direta contra o câncer. O estudo mostrou um mecanismo celular específico em modelos animais e comparou dois destinos possíveis para células-tronco pigmentares submetidas a estresse.

Em determinadas condições carcinogênicas, os pesquisadores observaram justamente o caminho oposto. Algumas células com danos conseguiram evitar a diferenciação e continuaram se autorrenovando, favorecidas por sinais presentes no microambiente do folículo. É essa diferença entre eliminar a célula comprometida e permitir sua expansão que torna o achado biologicamente relevante.

  • O cabelo branco não funciona como barreira contra melanoma;
  • O estudo analisou principalmente modelos animais;
  • O mecanismo ocorre nas células-tronco dos melanócitos;
  • A cor do cabelo não pode ser usada para estimar risco individual de câncer.

O que essa descoberta muda na forma de enxergar os fios brancos?

Os cabelos grisalhos continuam sendo resultado da perda de pigmentação, mas o estudo acrescenta uma nova camada ao processo. Em determinadas situações, deixar de produzir melanina não representa apenas uma falha decorrente da idade. Pode ser a consequência de uma decisão celular em que o organismo sacrifica parte da capacidade de pigmentação para eliminar células potencialmente perigosas.

A descoberta aproxima o envelhecimento capilar de mecanismos mais amplos de proteção dos tecidos. Os fios brancos não são responsáveis por defender o organismo, mas podem revelar que uma população de células danificadas foi retirada de circulação. Por isso, a perda da cor pode ser entendida, em alguns contextos, como o preço visível de uma resposta biológica que prioriza a segurança celular em vez da manutenção da pigmentação.