Anvisa amplia opções de tratamento para crianças e adolescentes com lúpus e esclerose múltipla
A aprovação pode contribuir para ampliar o acesso a terapias mais práticas e modernas
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a ampliação do uso de medicamentos destinados ao tratamento de crianças e adolescentes com lúpus e esclerose múltipla. As mudanças, publicadas no Diário Oficial da União, representam um avanço para pacientes que convivem com doenças autoimunes crônicas.
No caso do lúpus eritematoso sistêmico pediátrico, a autorização inclui versões do medicamento em caneta aplicadora e autoinjetora, permitindo a administração por via subcutânea. A nova indicação é voltada para pacientes com alta atividade da doença que já utilizam o tratamento convencional, composto por medicamentos como corticosteroides, antimaláricos, anti-inflamatórios não esteroides e imunossupressores.

A aplicação sob a pele pode oferecer mais comodidade ao tratamento, reduzindo a necessidade de deslocamentos frequentes para centros especializados em infusão intravenosa e facilitando a rotina de pacientes e familiares.
Além disso, a Anvisa também autorizou a ampliação do uso do Ocrevus (ocrelizumabe) para adolescentes com esclerose múltipla remitente-recorrente. O medicamento poderá ser indicado para pacientes a partir de 12 anos de idade, desde que tenham peso igual ou superior a 40 quilos.
Doenças exigem tratamento contínuo
O lúpus eritematoso sistêmico é uma doença autoimune na qual o sistema imunológico passa a atacar tecidos saudáveis do próprio organismo. Quando surge na infância ou adolescência, costuma apresentar uma evolução mais agressiva do que em adultos, com maior atividade inflamatória e risco aumentado de comprometimento de órgãos como rins, pele, coração e sistema nervoso.
Já a esclerose múltipla é uma doença inflamatória que afeta o sistema nervoso central, comprometendo a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo. Embora seja mais comum em adultos, entre 3% e 5% dos casos têm início ainda na infância ou adolescência. Nessa faixa etária, a doença costuma provocar um número maior de surtos, o que reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado.
Avanço no cuidado pediátrico
A ampliação das indicações terapêuticas oferece novas possibilidades para o manejo dessas doenças em pacientes jovens, especialmente aqueles com quadros mais ativos. Especialistas destacam que, apesar do avanço, tanto o lúpus quanto a esclerose múltipla exigem acompanhamento médico contínuo para monitorar a evolução da doença, ajustar o tratamento e reduzir o risco de complicações a longo prazo.
Com as novas aprovações, crianças e adolescentes elegíveis passam a contar com alternativas que podem tornar o tratamento mais acessível e contribuir para melhorar a qualidade de vida ao longo do acompanhamento clínico.