Anvisa faz alerta sobre mito do alho como antibiótico natural e explica os riscos à saúde
Embora tenha compostos benéficos, o alho não substitui antibióticos no tratamento de infecções bacterianas, reforça a Anvisa
O alho é conhecido há séculos por suas propriedades medicinais e frequentemente aparece em receitas caseiras voltadas para fortalecer a imunidade. No entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) reforçou que o alimento não pode ser usado como substituto de antibióticos no tratamento de infecções bacterianas.
O alerta foi motivado pela circulação de conteúdos nas redes sociais que classificam o alho como um “antibiótico natural”. Segundo a agência, essa informação é falsa e pode colocar vidas em risco ao incentivar pessoas a interromperem ou evitarem tratamentos médicos comprovadamente eficazes.

O que a ciência sabe sobre os benefícios do alho
A confusão ocorre porque o alho realmente contém compostos bioativos importantes, especialmente a alicina, uma substância associada a diversos benefícios para a saúde.
Estudos indicam que a alicina pode apresentar efeitos antioxidantes, anti-inflamatórios, cardioprotetores e imunomoduladores, contribuindo para o bom funcionamento do organismo e para a prevenção de algumas doenças.
Entretanto, a Anvisa destaca que esses efeitos não significam que o alho tenha ação antibiótica capaz de eliminar bactérias responsáveis por infecções.
Até o momento, não existem evidências científicas robustas que comprovem que o consumo de alho trate infecções bacterianas ou substitua medicamentos desenvolvidos especificamente para esse objetivo.
Por que os antibióticos são indispensáveis
Os antibióticos disponíveis nas farmácias passam por um rigoroso processo de desenvolvimento antes de chegarem aos pacientes. Durante esse percurso, são realizados estudos laboratoriais, testes clínicos e diversas avaliações para comprovar sua qualidade, segurança e eficácia.
Somente após atenderem a todos os critérios exigidos pelas autoridades regulatórias é que esses medicamentos recebem autorização para serem comercializados.
Esse controle garante que o antibiótico seja capaz de combater determinados microrganismos com eficácia, algo que não foi demonstrado em relação ao alho.
O risco de abandonar tratamentos médicos
Segundo a Anvisa, trocar um antibiótico prescrito por receitas caseiras pode permitir que a infecção evolua, aumentando o risco de complicações e tornando o tratamento mais difícil.
Por isso, a orientação é que qualquer infecção bacteriana seja avaliada por um profissional de saúde, que indicará o medicamento mais adequado para cada caso.
O alho pode continuar fazendo parte de uma alimentação saudável e equilibrada, oferecendo diversos nutrientes e compostos benéficos. Porém, quando o assunto é tratar infecções bacterianas, ele não substitui medicamentos com eficácia comprovada cientificamente.
A recomendação dos especialistas é desconfiar de informações compartilhadas nas redes sociais que prometem substituir tratamentos médicos por alimentos ou receitas naturais, especialmente quando não há respaldo científico para essas afirmações.