Colares de Vênus: por que surgem as linhas horizontais no pescoço mesmo em quem ainda não é idoso
Anatomia, postura diante das telas e sol explicam os sulcos, e o protetor diário faz diferença
As linhas no pescoço, aqueles sulcos horizontais que atravessam a parte da frente do pescoço, nem sempre são sinal de idade. Conhecidas como colares de Vênus, elas podem aparecer em gente jovem, mesmo quando a pele do rosto ainda está lisa e firme, segundo reportagem do site italiano de saúde Mondosanità.
Na dermatologia e na medicina estética, elas são chamadas de linhas horizontais do pescoço, ou necklace lines, porque lembram a marca deixada por um colar usado durante anos. A reportagem se apoia em revisões publicadas em revistas de dermatologia e lembra que, na maioria dos casos, trata-se apenas de uma característica estética, e não de uma doença.

Por que o pescoço marca tanto?
O pescoço trabalha o dia inteiro. Ele se dobra quando abaixamos a cabeça para ler, olhar o celular ou usar o computador, e a pele da região precisa se adaptar o tempo todo a esse movimento e às mudanças de tensão dos tecidos que estão por baixo.
Além disso, a derme ali é relativamente fina, há pouca gordura em alguns pontos e a área é atravessada pelo platisma, um músculo superficial que participa dos movimentos da cabeça. Somado ao formato de cada pescoço e à predisposição genética, isso favorece as dobras transversais. Em muitos casos, portanto, os sulcos têm mais a ver com anatomia do que com o calendário.
O celular tem culpa, mas não explica tudo
Nos últimos anos ganhou força a expressão tech neck, usada para as linhas associadas à cabeça inclinada para a frente diante das telas. Passar muito tempo olhando para um aparelho posicionado abaixo dos olhos mantém o pescoço flexionado e pode deixar mais evidentes sulcos que já existiam.
A própria Mondosanità alerta contra exageros: não há prova de que todos os colares de Vênus venham do uso do smartphone, nem de que sejam uma doença nova causada pela tecnologia. As linhas também aparecem em quem usa pouco esses aparelhos.
Com o tempo e o sol, os sulcos ficam mais fundos
Com os anos, a pele perde elasticidade, o colágeno muda em quantidade e qualidade e as fibras elásticas também se alteram. Entram ainda a gravidade e, principalmente, o fotoenvelhecimento, porque muita gente passa protetor no rosto e esquece o pescoço e o colo.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda protetor solar com FPS 30 ou mais todos os dias, inclusive em dias frios ou chuvosos, e não só no rosto, mas também no pescoço, na nuca e nas orelhas, como orienta em sua página sobre envelhecimento da pele. Com muita exposição ao sol ou suor, a SBD indica reaplicar a cada 3 horas. É o mesmo alerta de que o protetor solar não termina na linha do rosto.
O que ajuda em casa e o que fica com o dermatologista
Nem sempre dá para impedir que as linhas se formem, já que parte delas depende da estrutura do pescoço. Um hidratante emoliente melhora a aparência da superfície por um tempo, sem apagar os sulcos mais fundos. Também ajuda deixar a tela na altura dos olhos sempre que possível e variar a posição durante o trabalho.
Procedimentos com ácido hialurônico ou técnicas que estimulam o colágeno podem ser avaliados, mas não existe solução universal nem resultado garantido. O pescoço é uma área delicada, e cada opção precisa ser discutida com um dermatologista, pesando benefícios, limites e possíveis complicações.
Quando vale marcar uma consulta e como cuidar no dia a dia
Se junto das dobras surgirem manchas novas, lesões que mudam de forma ou de cor, espessamento da pele, coceira persistente ou irritação, o indicado é procurar avaliação dermatológica. Fora isso, as linhas não são um defeito a corrigir nem um medidor confiável da idade.
Na rotina, o resumo cabe em poucos gestos: protetor no pescoço todos os dias, hidratação, tela na altura dos olhos e paciência com o que é anatomia. Para montar esse cuidado com calma, há boas dicas de como cuidar da pele do pescoço no dia a dia.