Comparar coronavírus com H1N1 é coisa de gente burra ou mal intencionada

Apoiadores de Bolsonaro querem te convencer de que a gripe suína matou tanto ou mais que a covid-19, mas essas informações são absolutamente falsas

Por: Redação

Apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) têm difundido nas redes sociais a ideia falsa de que o H1N1, vírus causador da gripe suína, como ficou conhecida, matou tanto quanto ou mais que o novo coronavírus, causador da covid-19. Isso não passa de uma grande mentira de gente mal informada, ou muito mal intencionada, que quer te convencer a ir às ruas.

A mensagem que mais tem viralizado nas redes é a do pastor evangélico Silas Malafaia, que diz: “Os dados não mentem. Entenda como a mídia esquerdista manipula a sua vida”. Malafaia tenta mostrar que a gripe suína matou mais que a covid-19 no início de suas contaminações no Brasil, mas causou menos pânico e terror do que está acontecendo agora.

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Post compartilhado por Silas Malafaia em suas redes sociais

A publicação que viralizou diz que o surto de gripe suína deixou 58.178 infectados, com 2.101 mortos. Quando se refere à situação atual, o quadro usa o número de registros contabilizados até o dia 18 de março no Brasil – 394 infectados e duas mortes (na verdade, os óbitos neste dia já chegavam a 4). A mensagem falsa ainda politiza a comparação, apontando que em 2009 o presidente era Luiz Inácio Lula da Silva (chamado de “Luladrão”).

OBS: o Facebook notificou a publicação de Silas Malafaia, e a marcou como “informação falsa”.

Vamos aos números. 

Segundo o Aos Fatos, em 2009, durante o governo Lula, durante os primeiros 28 dias de contágio do H1N1, foram contabilizados 627 casos e apenas 1 morte. Agora, nos primeiros 28 dias de contágio do novo coronavírus, o Brasil confirmou 1.891 infectados, e 34 mortos.

Outro dado interessante a se comparar é os números totais de contaminação a nível mundial. Em apenas três meses de pandemia do novo coronavírus, o número de mortes já supera o de óbitos registrados ao longo dos dezesseis meses de pandemia do H1N1, entre 2009 e 2010. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), foram contabilizadas 20.834 mortes até esta quinta-feira, 26. A gripe suína vitimou, em 16 meses, 18.449 pessoas ao redor do mundo. Ou seja, a letalidade de covid-19 já se mostra bastante superior.

Estimativas preliminares da Universidade de Bern, na Suíça, indicam que a taxa de mortalidade de covid-19 esteja em torno de 1%. Estudos mais otimistas, como os de cientistas da LSHTM (London School of Hygiene & Tropical Medicine), dizem que o novo coronavírus matam cerca de 0,5% dos infectados. Ainda assim, os dados são bem mais negativos do que os comparados com os da H1N1, cuja taxa de mortalidade foi estimada em 0,02%, segundo a OMS.

Fique em casa!

Os números são claros. O novo coronavírus é uma grande ameaça a milhões de pessoas ao redor do mundo. Até agora, a OMS já registra mais de 500 mil casos de pessoas infectadas, e mais de 20 mil mortes. Devemos seguir, à risca, as recomendações da entidade: isolamento social e higiene impecável.

Agora, um momento de reflexão: qual o interesse do presidente Jair Bolsonaro em permitir que um vírus tão sorrateiro quanto esse se alastre pelo Brasil e nos contamine? Qual o interesse do pastor Silas Malafaia em disseminar conteúdos falsos a seus fiéis seguidores? Pense um pouco.

Vacinação do H1N1

Nesta semana, o Brasil deu início à campanha de vacinação contra o H1N1. A atitude foi encabeçada pelo Ministério da Saúde, a fim de reduzir o número de casos de internação ao longo dos próximos meses, além de facilitar a identificação dos casos graves por parte dos profissionais de saúde.

Mas é importante que fique claro: a vacina do H1N1 NÃO PROTEGE contra o novo coronavírus. Portanto, as recomendações de isolamento social e higiene permanecem válidas aos que se vacinarem.