Cortar um único alimento da dieta pode reduzir o risco de câncer em até 31%

Em estudo com dados de 500.000 pessoas, vegetarianos apresentaram risco menor de desenvolver a doença

Por Silvia Melo em parceria com Anna Luísa Barbosa (Médica - CRMGO 33271)
24/03/2025 12:15

Pesquisas indicam que a dieta desempenha um papel fundamental no risco de desenvolver câncer. Um estudo da Universidade de Oxford, que analisou mais de 540.000 mulheres, revelou que certos fatores dietéticos estão associados ao aumento do risco de câncer de intestino. De acordo com o Cancer Research UK, aproximadamente 40% dos casos de câncer são preveníveis, sendo influenciados por fatores ambientais e de estilo de vida, como a alimentação.

Dois grandes estudos, EPIC-Oxford e Adventist Health Study-2, sugerem que dietas vegetarianas ou pescatarianas (quando a única carne consumida é peixe ou frutos do mar) estão associadas a um risco ligeiramente menor de desenvolver câncer.

O pesquisadores da Universidade de Oxford investigaram essa relação utilizando dados de 500.000 pessoas no Reino Unido. Os participantes responderam a questionários sobre sua alimentação, incluindo a frequência de consumo de carne e peixe, enquanto seus registros médicos foram acompanhados por 11 anos.

Os resultados mostraram que 53% dos participantes eram consumidores regulares de carne, 44% consumiam carne com pouca frequência, 2% eram pescatarianos e 2% eram vegetarianos. A análise levou em conta fatores como idade, sexo, tabagismo, consumo de álcool e status socioeconômico para garantir maior precisão nos achados.

Cortar a carne pode ajudar a reduzir o risco de câncer, segundo estudo
Cortar a carne pode ajudar a reduzir o risco de câncer, segundo estudo - Luiz Henrique Mendes/istock

Riscos diferenciados por tipo de dieta

Os resultados mostraram diferenças significativas no risco de câncer entre os grupos analisados:

  • Consumidores de pouca carne apresentaram um risco 2% menor de desenvolver qualquer tipo de câncer em comparação com os que comiam carne regularmente.
  • Pescatarianos tiveram um risco 10% menor de desenvolver câncer.
  • Vegetarianos apresentaram um risco 14% menor de câncer em relação aos consumidores regulares de carne.
  • Especificamente para o câncer colorretal, consumidores de pouca carne apresentaram um risco 9% menor da doença em comparação aos que ingeriam carne regularmente.

Pesquisas anteriores também sugeriram que o consumo elevado de carne processada está associado a um risco maior de desenvolver esse tipo de câncer. Embora vegetarianos e pescatarianos tenham mostrado um risco reduzido para câncer colorretal, essa associação não foi estatisticamente significativa.

Outro destaque do estudo foi em relação ao câncer de mama. Mulheres que seguiam uma dieta vegetariana apresentaram um risco 18% menor de desenvolver câncer de mama pós-menopausa em comparação com as que comiam carne regularmente. Esse achado foi atribuído, em parte, ao menor peso corporal das vegetarianas. Estudos anteriores demonstraram que estar acima do peso ou obeso após a menopausa é um fator de risco significativo para esse tipo de câncer.

Para o câncer de próstata, pescatarianos apresentaram um risco 20% menor, enquanto vegetarianos tiveram um risco 31% menor em relação aos consumidores regulares de carne. No entanto, os pesquisadores destacam que ainda não está claro se essa diferença está diretamente ligada à dieta ou se pode ser influenciada por outros fatores, como maior frequência de exames preventivos.

Equilíbrio e qualidade da alimentação

Os autores do estudo enfatizam que eliminar carne da dieta não significa necessariamente que a alimentação se tornará mais saudável. Algumas pessoas vegetarianas ou pescatarianas ainda podem consumir baixos níveis de frutas e vegetais e ingerir grandes quantidades de alimentos refinados e processados, o que pode levar a problemas de saúde.

A maioria das evidências sugere que o menor risco de câncer está associado ao maior consumo de vegetais, frutas e grãos integrais. Esses grupos alimentares fornecem fibras, antioxidantes e compostos bioativos que ajudam a reduzir a inflamação e o estresse oxidativo, fatores que podem contribuir para o desenvolvimento do câncer.

Recomendações para reduzir o risco de câncer

Com base nos achados do estudo, especialistas recomendam algumas práticas alimentares para reduzir o risco de câncer:

  • Reduzir o consumo de carne vermelha e processada, pois estão associadas ao maior risco de câncer colorretal.
  • Aumentar o consumo de frutas, vegetais e grãos integrais, que fornecem fibras e antioxidantes protetores.
  • Manter um peso corporal saudável, pois o excesso de peso é um fator de risco para vários tipos de câncer.
  • Optar por fontes de proteína alternativas, como peixes, leguminosas e oleaginosas, que fornecem nutrientes essenciais sem os riscos da carne processada.
  • Evitar o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, que podem conter aditivos prejudiciais à saúde.