Estudo identifica maior fator de risco para demência

Pesquisadores alertam para cuidados com a saúde que podem reduzir o risco de desenvolver demência no futuro

A saúde cardíaca foi apontada como um indicador-chave do risco de demência, com nova pesquisa sugerindo que poderia superar outros fatores de risco bem conhecidos, como tabagismo e nível de escolaridade.

O estudo revela que as questões relacionadas com o coração podem ter-se tornado mais significativas ao longo do tempo no que diz respeito ao risco de demência.

Os resultados saíram na revista The Lancet Public Health.

Segundo os especialistas, focar no bem-estar cardiovascular pode ser crucial na essencial para prevenir casos de demência.

Os cientistas da University College London investigaram 27 estudos, que incluíram dados globais sobre a demência desde 1947 até 2015.

Eles analisaram os números para determinar o impacto de vários fatores de risco na incidência de demência ao longo das décadas.

Descoberto fator de risco mais relevante para demência
Créditos: alexraths/Deposit Photos
Descoberto fator de risco mais relevante para demência

Causas da demência

As raízes da demência residem frequentemente numa mistura de fatores genéticos e de estilo de vida, tais como hipertensão, obesidade, diabetes, nível de escolaridade e consumo de cigarro.

Os investigadores observaram um aumento preocupante na obesidade e no diabetes, ambos desempenhando um papel mais importante no aumento do risco de demência.

Por outro lado, à medida que as taxas de tabagismo diminuem e os níveis de escolaridade aumentam, sua ligação com a demência parece estar enfraquecendo.

Curiosamente, na multiplicidade de estudos analisados​, a pressão arterial elevada emergiu como um importante fator de risco de demência.

Prevenção

Com base nos resultados, os pesquisadores destacam a importância de  controlar fatores de risco cardiovascular, como hipertensão, diabetes e colesterol alto.

Seguir uma dieta saudável e equilibrada e permanecer fisicamente ativo são medidas que, segundo eles, podem ajudar as pessoas a reduzir o risco de demência.

Evitar o consumo excessivo de álcool e não fumar são igualmente importantes.

Além disso, garantir um sono de qualidade e gerenciar o estresse através de técnicas de relaxamento, como meditação e yoga, contribui significativamente para a prevenção da demência.

Por fim, manter conexões sociais e participar de atividades sociais pode melhorar a saúde mental e reduzir o risco de declínio cognitivo.

Quais os tipos comuns de demência?

Os tipos comuns de demência incluem a doença de Alzheimer, que é a forma mais prevalente e se caracteriza por perda de memória e alterações comportamentais.

Outro tipo é a demência vascular, resultante de problemas de circulação sanguínea no cérebro.

A demência com corpos de Lewy é marcada por alucinações visuais e problemas de movimento.

Já a demência frontotemporal envolve alterações na personalidade e comportamento devido à degeneração dos lobos frontais e temporais do cérebro.

Além disso, a doença de Parkinson pode levar à demência à medida que progride. Cada tipo apresenta sintomas específicos, mas todos afetam significativamente a capacidade cognitiva e a funcionalidade diária.

Sintomas de demência 

1. Problemas de memória

Problemas de memória são um dos sintomas mais característicos da demência. Eles frequentemente se manifestam como dificuldade em recordar informações recentes, enquanto memórias antigas podem permanecer intactas por algum tempo.

As pessoas com demência podem esquecer conversas, eventos ou compromissos, e frequentemente repetir perguntas ou histórias. 

2. Dificuldade em encontrar palavras

Acontece com todo mundo de a palavra certa estar na ponta da língua, mas não conseguirmos nos lembrar dela.

No entanto, se isso se tornar um fenômeno frequente, poderá representar um primeiro e precoce sinal do desenvolvimento de demência.

De acordo com especialistas, isso ocorre porque quando o cérebro é danificado, perdem-se as conexões que ajudam a encontrar a palavra certa no momento certo.

3. Insônia e cansaço

À medida em que envelhecemos, é natural dormir por curtos períodos de tempo e acordar repetidamente durante a noite, mas isso pode ser muito prejudicial para alguém com demência.

Acontece que nosso relógio biológico é influenciado por um hormônio chamado melatonina, que diminui na idade avançada e diminui ainda mais na doença de Alzheimer.

4. Mudanças de humor

Se um membro da família parecer menos sociável do que o habitual, deprimido ou mesmo agressivo, todos estes sintomas podem estar associados ao desenvolvimento de demência.

Chamada de demência frontotemporal, esse distúrbio afeta a parte frontal do cérebro, pode dar origem à agressão, porque os lobos frontais do cérebro são onde as inibições estão localizadas.

Em essência, a pessoa perde a capacidade de controlar suas emoções e, assim, surge um sentimento de frustração por não ser capaz de compreender ou realizar determinadas tarefas, perdendo também o desejo de passar tempo com outras pessoas.

5. Problemas para planejar e seguir instruções

Cozinhar uma receita favorita, lavar a louça, são algumas atividades simples que você costuma fazer sem pensar , mas podem tornar cada vez mais difíceis devido ao avanço da doença.

Isso porque a demência pode afetar o que é comumente conhecido como “ função executiva”.

Consequentemente, a capacidade de desempenho piora inevitavelmente se a pessoa não consegue lembrar como fazer as coisas e a ordem em que fazê-las. O resultado? Confusão e lentidão em como concluir uma tarefa.