Licopeno do tomate pode ajudar a proteger o cérebro contra o Parkinson, aponta pesquisa

Estudo identificou que o pigmento natural presente no tomate e em outras frutas vermelhas preservou neurônios ligados à dopamina e reduziu sinais da doença

O tomate é conhecido por fazer parte de uma alimentação saudável, mas uma nova pesquisa sugere que ele pode oferecer benefícios ainda mais amplos. Cientistas investigaram os efeitos do licopeno — antioxidante responsável pela coloração vermelha do tomate, da melancia e da goiaba — e encontraram indícios de que a substância pode ajudar a proteger o cérebro contra os danos causados pela doença de Parkinson.

Os resultados foram publicados na revista científica Nutrients e reforçam o interesse crescente em compostos naturais capazes de atuar na prevenção de doenças neurodegenerativas.

Estudo sugere que o licopeno, antioxidante responsável pela cor vermelha do tomate, pode contribuir para proteger o cérebro
Estudo sugere que o licopeno, antioxidante responsável pela cor vermelha do tomate, pode contribuir para proteger o cérebro - cegli/istock

O que o estudo descobriu?

Os pesquisadores utilizaram um modelo experimental de doença de Parkinson em ratos para avaliar os efeitos do licopeno administrado diariamente.

Ao longo do experimento, os animais tratados apresentaram melhora em diferentes aspectos relacionados à doença, incluindo:

  • maior equilíbrio durante a locomoção;
  • movimentos mais coordenados;
  • redução de comportamentos associados à ansiedade;
  • menor comprometimento motor.

Além das mudanças observadas no comportamento, análises do tecido cerebral mostraram que houve preservação dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina, neurotransmissor essencial para o controle dos movimentos e severamente afetado no Parkinson.

A relação entre o licopeno e a dopamina

Outro resultado que chamou a atenção dos pesquisadores foi o aumento da quantidade de transportadores de dopamina (DAT) nos animais que receberam licopeno.

Essas proteínas são fundamentais para o funcionamento adequado da dopamina no cérebro e costumam estar reduzidas em pessoas com Parkinson. Segundo os autores, o antioxidante pode favorecer o funcionamento desses transportadores, contribuindo para preservar a comunicação entre os neurônios.

Essa hipótese abre novas possibilidades para compreender como o licopeno atua no sistema nervoso e quais mecanismos estão envolvidos na proteção cerebral.

Ainda não é possível afirmar que o tomate previne Parkinson
Embora os resultados sejam considerados animadores, os próprios pesquisadores ressaltam que o estudo representa apenas uma etapa inicial da investigação.

Como a pesquisa foi realizada exclusivamente em animais, ainda não há comprovação de que o mesmo efeito aconteça em seres humanos. Também permanecem dúvidas sobre como o licopeno é absorvido pelo organismo, chega ao cérebro e qual quantidade seria necessária para produzir algum benefício clínico.

Por isso, novas pesquisas deverão avaliar tanto a eficácia quanto a segurança da substância antes que ela possa ser considerada uma estratégia de prevenção ou tratamento.

O que é o licopeno?

O licopeno é um carotenoide com forte ação antioxidante, encontrado principalmente em alimentos de coloração vermelha.

Entre as principais fontes estão:

  • tomate;
  • melancia;
  • goiaba vermelha;
  • mamão;
  • grapefruit rosa.

Os antioxidantes ajudam a combater o estresse oxidativo, processo que provoca danos às células e está associado ao envelhecimento e ao desenvolvimento de diversas doenças crônicas, incluindo algumas condições neurológicas.

Pesquisa abre caminho para novos tratamentos

Os cientistas pretendem aprofundar os estudos para entender se o efeito observado depende diretamente dos transportadores de dopamina e quais mecanismos celulares estão envolvidos nessa proteção.

Caso futuras pesquisas em humanos confirmem os resultados, o licopeno poderá se tornar um importante aliado no desenvolvimento de novas abordagens para retardar a progressão do Parkinson. Até lá, porém, a recomendação continua sendo manter uma alimentação equilibrada, rica em frutas, verduras e legumes, sem considerar qualquer alimento isolado como tratamento para doenças neurodegenerativas.