Natividad Cano, dermatologista: “Retinol, alimentação, exercício de força e laser CO2 com radiofrequência são os maiores geradores de colágeno”
A médica de Madri explica por que o sol desgasta mais a firmeza do que a idade e o que fazer em casa
A dermatologista espanhola Natividad Cano resume em uma frase o que mais ajuda a pele a produzir colágeno: o retinol, a alimentação, o exercício de força e, no consultório, o laser CO2 seguido da radiofrequência. Em entrevista à revista Telva, ela também aponta o principal vilão dessa proteína, que não é a idade, e sim o sol.
Médica dermatologista e diretora médica do Instituto Médico Natividad Cano, em Madri, ela explica a perda de firmeza com uma imagem simples. Entre a derme e a epiderme existe uma espécie de colchão que sustenta a pele, e esse colchão é feito de colágeno. Quando ele encolhe, a pele cede e as rugas aparecem.

O colágeno é o colchão que sustenta a pele
Segundo a especialista, a mudança começa cedo. “A partir dos 25 a 30 anos as células vão envelhecendo, o fibroblasto fica mais preguiçoso e deixa de produzir colágeno”, afirma à Telva. Ao mesmo tempo, as enzimas que degradam a proteína ficam mais ativas, e o equilíbrio entre formação e degradação se perde.
A reportagem da Telva acrescenta que essa perda de firmeza começa a ser notada por volta dos 25 anos e se acelera entre os 35 e os 50. Depois dos 50, o objetivo realista não é recuperar a pele de antes, mas frear a perda e estimular o que ainda pode ser estimulado.
Por que o sol pesa mais do que o calendário?
“O maior responsável pela perda de colágeno é o sol, por isso é tão importante usar fotoprotetor todos os dias”, diz Natividad Cano. A farmacêutica Natalia Sánchez, da equipe de especialistas da Estée Lauder ouvida na mesma reportagem, concorda e soma outros fatores que desgastam a proteína, como o cigarro e o estresse oxidativo.
A Sociedade Brasileira de Dermatologia vai na mesma linha: radiação ultravioleta, excesso de álcool, tabaco e poluição aceleram o envelhecimento da pele, e a queda do estrogênio na menopausa afina as camadas cutâneas. No Brasil, com sol forte durante boa parte do ano, o protetor solar é o primeiro passo.
Retinol e prato equilibrado entram no cuidado de casa
Na lista da dermatologista, o retinol aparece porque favorece a renovação da pele. Ele costuma irritar no começo, por isso a orientação habitual é introduzir aos poucos, à noite, e nunca dispensar o protetor no dia seguinte. Quem já usa ácidos precisa ter cuidado com a combinação, e a combinação já rendeu um texto aqui na Catraca sobre por que esfoliante e retinol juntos podem irritar a pele. A concentração ideal deve ser indicada por um dermatologista.
A alimentação entra como “adequada”, sem fórmula mágica. Natalia Sánchez faz um alerta útil para quem vai às compras: um creme que traz a palavra colágeno no rótulo não se transforma em colágeno dentro da pele, então o mais sensato é olhar a lista de ingredientes.
Onde entram o exercício de força, o laser e a radiofrequência?
O exercício de força aparece ao lado do retinol na fala da médica, o que reforça a ideia de que cuidar da pele também passa pelo corpo todo. Quem tem mais de 60 anos, ou convive com dor, lesão ou doença crônica, deve conversar com o médico ou com um educador físico antes de começar. A Catraca já mostrou qual exercício os especialistas indicam contra a flacidez nas pernas depois dos 50.
No consultório, Natividad Cano coloca o laser CO2 como o maior gerador de colágeno, seguido pela radiofrequência, pelos indutores de colágeno e pelo ultrassom microfocado. São procedimentos médicos, com indicação, preparo e recuperação próprios, e dependem da avaliação de um dermatologista.
Uma rotina possível para começar ainda esta semana
Na prática, a lista da especialista vira uma rotina em camadas: protetor solar todas as manhãs, retinol à noite com orientação médica e algum treino de força ao longo da semana. Laser e radiofrequência ficam para uma conversa no consultório, sem promessa de milagre.
Nenhum desses cuidados apaga anos de exposição ao sol de uma vez. O que eles fazem, segundo a dermatologista, é proteger o colágeno que ainda existe e estimular o organismo a produzir mais, e essa soma aparece na firmeza da pele com o tempo.