O desequilíbrio hormonal feminino que causa queda cabelo
A queda de cabelo é normal ou seu corpo está gritando por ajuda
A queda de cabelo feminina relacionada a hormônios tem chamado cada vez mais atenção, tanto em consultórios quanto nas redes sociais, especialmente quando as mulheres notam fios em excesso no travesseiro, no ralo do chuveiro ou na escova e passam a se perguntar se esse volume de queda é normal ou se indica algum desequilíbrio que merece investigação especializada.

Como funciona o ciclo de crescimento do cabelo
Antes de entender a queda de cabelo hormonal, é fundamental conhecer o ciclo capilar, ou seja, as fases naturais pelas quais cada fio passa. Todo cabelo saudável alterna entre as fases anágena, catágena e telógena, que determinam comprimento, densidade e tempo de permanência do fio no couro cabeludo.
Oscilações hormonais podem encurtar a fase de crescimento, prolongar o repouso ou colocar muitos fios em telógeno ao mesmo tempo. Quando isso acontece, o afinamento torna-se visível, o couro cabeludo aparece mais e o rabo de cavalo perde volume, caracterizando quadros como o eflúvio telógeno agudo.
- Fase anágena (fase de crescimento): é a etapa em que o fio está ativamente em crescimento. Em condições normais, cerca de 80% a 90% dos fios do couro cabeludo encontram-se em fase anágena, que pode durar de 2 a 6 anos em média. Quanto mais longa essa fase, maior será o comprimento que o cabelo consegue atingir e melhor tende a ser a densidade geral.
- Fase catágena (fase de transição): é uma fase curta, de algumas semanas, em que o folículo se prepara para encerrar o crescimento do fio. A atividade da raiz diminui e o bulbo começa a se desprender gradualmente da sua base nutritiva. Apenas uma pequena porcentagem dos fios está nessa fase em qualquer momento.
- Fase telógena (fase de repouso e queda): é o período em que o fio já não cresce mais e permanece em repouso até se soltar para dar lugar a um novo fio em fase anágena. Costuma durar de 2 a 4 meses. Quando muitos fios entram ao mesmo tempo em telógeno, ocorre o chamado eflúvio telógeno agudo, quadro em que a queda se torna visível em maior quantidade.
- As oscilações hormonais podem: (1) encurtar a fase anágena, fazendo com que os fios cresçam menos e afinam ao longo do tempo; (2) prolongar a fase telógena, mantendo mais fios em repouso; ou (3) desencadear a entrada de um grande número de fios em telógeno ao mesmo tempo. É justamente essa alteração de ritmo do ciclo capilar que está na base de muitas formas de queda de cabelo hormonal feminina.
O que é queda de cabelo hormonal feminina
A chamada queda de cabelo hormonal feminina não é um diagnóstico único, mas um termo usado para descrever situações em que alterações hormonais afetam o ciclo capilar. Em vez de manter os fios por períodos prolongados na fase de crescimento, os hormônios podem encurtar essa etapa ou antecipar o repouso, provocando afinamento progressivo.
Alopecia androgenética feminina, menopausa, alterações de tireoide, síndrome dos ovários policísticos (SOP), pós-parto e uso ou suspensão de anticoncepcionais são exemplos clássicos. Nesses cenários, o equilíbrio entre estrogênio, progesterona e androgênios se altera, modificando a espessura, a quantidade de fios e a velocidade da queda.
Nesse contexto, a testosterona e a enzima 5-alfa-redutase têm papel central, especialmente na alopecia androgenética. A 5-alfa-redutase converte a testosterona em di-hidrotestosterona (DHT), uma forma mais potente do hormônio. A DHT se liga aos receptores dos folículos capilares geneticamente suscetíveis, provocando sua miniaturização: os folículos encolhem progressivamente, produzem fios cada vez mais finos e curtos e encurtam a fase anágena. Com o tempo, isso se traduz em afinamento visível e, em estágios avançados, em áreas com poucos fios.
Para enxergar esse processo de forma objetiva e entender como essas alterações hormonais aparecem no couro cabeludo, o vídeo da @dra.laurapires oferece uma explicação clara e direta.
Quais são os tipos mais comuns de queda de cabelo por hormônios
Entre as formas de queda de cabelo ligadas a hormônios, destacam-se a alopecia androgenética feminina, o eflúvio telógeno agudo e a alopecia areata. Cada uma apresenta padrão clínico distinto, tempo de evolução diferente e respostas específicas ao tratamento.
Para facilitar a compreensão desses quadros e de suas características principais, veja o resumo a seguir com os tipos mais frequentes observados em consultório:
- Alopecia androgenética feminina: afinamento progressivo, especialmente na região da risca central e topo da cabeça.
- Eflúvio telógeno agudo: queda intensa e difusa, percebida em toda a cabeça, geralmente após gatilhos como estresse, doenças ou oscilações hormonais.
- Alopecia areata: falhas em placas, de início súbito, em áreas bem delimitadas, com origem autoimune.
Na alopecia androgenética feminina, a sensibilidade aumentada dos folículos à DHT, produzida pela conversão da testosterona pela enzima 5‑alfa‑redutase, é um dos principais mecanismos envolvidos. Mesmo com níveis “normais” de testosterona no sangue, mulheres predispostas podem ter maior atividade enzimática ou mais receptores para DHT no couro cabeludo, levando à miniaturização folicular.
No eflúvio telógeno agudo, um grande número de fios entra ao mesmo tempo em repouso, resultando em queda acentuada, mas geralmente reversível. Já na alopecia areata, uma reação autoimune ataca o folículo, formando placas arredondadas sem fios, que podem regredir espontaneamente ou exigir terapias específicas.
Como identificar se a queda de cabelo é hormonal
Para saber se a queda capilar feminina é hormonal, é indispensável avaliação com dermatologista ou tricologista. O profissional investiga histórico menstrual, uso de anticoncepcionais, gestações, menopausa, SOP, doenças de tireoide, medicações e casos familiares de rarefação capilar.
Visualmente, algumas pistas ajudam: na alopecia androgenética, a risca alarga e o rabo de cavalo afina; no eflúvio telógeno, a queixa é de muitos fios no banho ou escova; na alopecia areata, surgem falhas arredondadas. Em geral, orienta-se observar mudanças de volume, padrão das áreas afetadas e surgimento de sinais hormonais associados, como acne ou pelos em excesso.
- Observar mudanças no padrão de queda e no volume geral dos fios.
- Notar se há áreas específicas com afinamento ou falhas localizadas.
- Verificar histórico familiar de queda de cabelo semelhante.
- Investigar alterações de ciclo menstrual, peso, acne ou pelos em excesso.
- Procurar avaliação médica para exames e diagnóstico detalhado.

Como tratar a queda de cabelo hormonal feminina
O tratamento da queda de cabelo hormonal depende da causa identificada nos exames e na avaliação clínica. Em alopecia androgenética, usa-se combinação de bloqueadores de DHT e estimulantes de crescimento, como minoxidil tópico ou oral em baixa dose, sempre com orientação médica e monitorização de efeitos colaterais.
Quando há eflúvio telógeno por deficiências nutricionais ou doenças sistêmicas, corrige-se a causa de base, ajusta-se a alimentação e, se necessário, prescrevem-se suplementos. Em quadros autoimunes ou ligados à tireoide e SOP, o tratamento é multidisciplinar, incluindo infiltrações, laser de baixa potência, microneedling e, em casos selecionados, PRP.
- Ajuste de hormônios em parceria com endocrinologista ou ginecologista.
- Uso de estimulantes de crescimento capilar, como minoxidil.
- Correção de deficiências nutricionais com suplementos orientados.
- Terapias complementares, como laser de baixa intensidade e microagulhamento.
- Cuidados com estresse, sono e alimentação, que influenciam o ciclo capilar.
Quais cuidados diários ajudam na saúde capilar a longo prazo
Além dos tratamentos específicos, a rotina diária com o couro cabeludo influencia diretamente os resultados. Manter limpeza adequada, evitar tração constante com penteados muito apertados, usar produtos compatíveis com o tipo de cabelo e moderar procedimentos químicos reduz a quebra e o dano estrutural.
A queda hormonal tende a ser gradual e, muitas vezes, o objetivo é estabilizar o quadro mais do que recuperar todo o volume perdido. Diferenciar queda (desde a raiz) de quebra (ao longo do fio) é essencial, pois a primeira exige investigação médica, enquanto a segunda costuma estar ligada a agressões físicas, químicas e térmicas, como chapinha, descoloração e escovas agressivas.