O primeiro sintoma de ansiedade sobre o qual pouco falamos

Este sintoma é resultado do comando que o cérebro envia ao corpo para entrar no modo de luta ou fuga

Por Silvia Melo em parceria com Anna Luísa Barbosa (Médica - CRMGO 33271)
15/04/2025 10:31 / Atualizado em 23/04/2025 11:50

Você já sentiu dificuldade para respirar, como se o ar simplesmente não entrasse direito nos pulmões, mesmo sem nenhum problema físico aparente? Esse sintoma, conhecido como dispneia, pode ser o primeiro sinal de ansiedade, mas nem sempre as pessoas associam a respiração curta e ofegante a um transtorno emocional.

Enquanto a maioria imagina que os sintomas da ansiedade envolvem apenas pensamentos acelerados, nervosismo ou inquietação, o corpo costuma dar sinais físicos mais silenciosos. E entre eles, a falta de ar é um dos mais comuns.

O que acontece na mente e no corpo numa crise de ansiedade

Isso acontece quando percebemos uma ameaça, seja ela real ou imaginária. Então, o cérebro sinaliza ao corpo para entrar em modo de luta ou fuga. Esse processo ativa o sistema nervoso simpático, fazendo o corpo liberar adrenalina, o que aumenta a frequência cardíaca, tensiona os músculos e altera os padrões respiratórios, deixando a respiração rápida e superficial. É daí que vem a sensação de sufocamento, mesmo que os níveis de oxigênio estejam normais.

Sintomas que acompanham a dispneia por ansiedade

Nem sempre a falta de ar aparece sozinha. Outros sinais físicos e emocionais podem surgir junto com a dispneia:

  • Sensação de aperto no peito
  • Palpitações ou coração acelerado
  • Tontura ou sensação de desmaio
  • Suor excessivo
  • Mãos trêmulas
  • Pensamentos de catástrofe, como medo de morrer ou perder o controle

É comum que esses sintomas levem à procura por emergências médicas, quando na verdade se trata de uma crise de ansiedade aguda.

Sensação de falta de ar pode ser uma resposta do corpo à ansiedade. (Foto usada apenas para fins ilustrativos. Posada para profissional)
Sensação de falta de ar pode ser uma resposta do corpo à ansiedade. (Foto usada apenas para fins ilustrativos. Posada para profissional) - Igor Alecsander/istock

Como diferenciar a dispneia por ansiedade de outras causas?

Embora o diagnóstico deva ser sempre feito por um profissional, alguns sinais podem indicar que a falta de ar é de origem emocional:

  • Aparece em momentos de estresse, tensão ou preocupação intensa;
  • Surge mesmo em repouso, sem esforço físico;
  • Melhora com técnicas de respiração ou após momentos de relaxamento;
  • Não há alterações em exames cardíacos ou pulmonares;
  • Vem acompanhada de outros sintomas típicos de ansiedade.

Tratamento e alívio

A boa notícia é que isso não vai durar para sempre. A falta de ar geralmente desaparece relativamente rápido. Se acontecer com frequência, for intenso, durar mais de alguns minutos ou for acompanhado de dor no peito ou náusea, é importante buscar ajuda profissional. 

A dispneia causada pela ansiedade pode ser tratada de forma eficaz com uma abordagem multidisciplinar. Entre as principais estratégias estão:

  • Terapia cognitivo-comportamental (TCC): ajuda a identificar padrões de pensamento que disparam crises;
  • Exercícios de respiração: técnicas como respiração diafragmática e mindfulness reduzem a hiperventilação;
  • Atividade física regular: melhora a oxigenação e reduz sintomas ansiosos;
  • Medicação: em casos mais graves, o uso de ansiolíticos ou antidepressivos pode ser indicado.

Outras formas de acalmar o corpo 

Há ainda outras formas físicas e mentais de lidar com a sensação de falta de ar da ansiedade. Umas das técnicas é entrar em contato com seus cinco sentidos com a técnica 5-4-3-2-1.

Ela consiste em primeiramente focar na respiração e depois identificar:

  • 5 coisas que você pode ver no ambiente
  • 4 coisas que pode tocar
  • 3 coisas que pode ouvir
  • 2 coisas que pode cheirar
  • 1 coisa que pode sentir o gosto

Basicamente, esta técnica traz sua atenção de volta ao momento presente e ajuda a romper padrões de pensamento ansiosos.

Outra forma de acalmar a mente e assim tranquilizar a respiração é, ao invés de imaginar o pior cenário, pintar um quadro mental do melhor desfecho possível para a situação que te angustia.

  • Feche os olhos e visualize com todos os detalhes: como a situação acontece de forma ideal, o que você sente, ouve, vê e até saboreia?
  • Quanto mais você praticar, mais o cérebro cria associações positivas, transformando antigos medos em novas possibilidades.