Será mesmo que você tem compulsão alimentar?

Muita gente confunde episódios de compulsão alimentar com o comer exagerado e automático, mas a situação é mais complexa

Por: Marcela Kotait | Comunicar erro
mulher comendo hambúrguer
Crédito: miodrag ignjatovic/istockTema ainda confunde muita gente

Cada vez mais gente se interessa pelo tema dos transtornos alimentares. Entre os  mais conhecidos e comuns estão a anorexia nervosa, bulimia nervosa e a compulsão alimentar.

Apesar do crescimento dos casos de transtornos alimentares, o tema ainda suscita muita confusão. Isso ocorre sobretudo com aquele que é o mais frequente dos casos de transtorno: a compulsão alimentar. Muita gente confunde episódios de compulsão alimentar com o comer exagerado e automático, mas a situação é mais complexa.

Compulsão alimentar não é a mesma coisa que cometer exageros pontuais em refeições – algo a que todos nós estamos sujeitos, por diversas razões, em situações específicas.

Na realidade, o episódio de compulsão tem três características básicas, que o diferem fundamentalmente do comer exagerado: a ingestão de uma quantidade de comida maior do que pessoas semelhantes em situações parecidas conseguiriam; o fato de essa ingestão se dar em um espaço de tempo curtíssimo, com perda de controle; e uma sensação de profunda culpa e vergonha logo após o episódio de compulsão.

Exatamente por ser algo complexo, o tratamento do comer compulsivo exige uma equipe especializada e multidisciplinar, composta de profissionais de várias áreas do conhecimento, entre os quais médicos psiquiatras, psicólogos e nutricionistas, pelo menos.

A experiência e a qualificação dos profissionais envolvidos no tratamento de compulsão alimentar é fundamental para  um bom prognóstico. Quando não se tratam transtornos alimentares com os devidos cuidados, seus sintomas tendem a ser agravados, com sérias chances de se tornarem crônicos. Pior: a falta de profissionais preparados para tratar do tema pode reforçar a estereotipização de quem busca ajuda, como tende a ocorrer com pacientes obsesos, por exemplo.

Tratamentos para perda de peso baseados em dietas restritivas e regimes rígidos não funcionam para controlar episódios de compulsão alimentar. Pelo contrário, eles podem até aumentar sua frequência e intensidade. Além de ineficazes, esses tratamentos são contraindicados.

O tratamento nutricional especializado, acompanhado de profissionais de outras áreas da saúde, auxilia pacientes a se reconectar com sinais de fome e saciedade, perdidos nos transtornos alimentares. Um tratamento adequado ajuda pacientes a recuperar o prazer em comer, eliminar o comer emocional e valorizar o momento de cada refeição.

Se você acha que sofre de compulsão ou conhece alguém que sofra, procure ajuda especializada. Compulsão alimentar é algo muito sério, mas tem tratamento e cura.

Texto escrito pela nutricionista Marcela Kotait.

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