Direito de uso ganha espaço no mercado de férias compartilhadas

Modelo permite contratar períodos de utilização em resorts sem adquirir uma fração do imóvel; novo empreendimento será lançado em Ipioca, Maceió

Em vez de comprar um imóvel ou uma fração dele, o consumidor contrata o direito de utilizar um empreendimento turístico durante períodos determinados. O modelo, que vem sendo adotado no mercado de férias compartilhadas, será adotado pelo Ipioca Mar Resort All Inclusive, novo empreendimento da MME Vacation Club em Ipioca, no litoral de Maceió (AL).

A modalidade se diferencia da multipropriedade principalmente pela relação do consumidor com o imóvel. Na multipropriedade, o comprador adquire uma fração de tempo de uma unidade imobiliária e passa a ter direitos associados à propriedade. No direito de uso, não há aquisição de uma parte do imóvel: o que o cliente contrata é a possibilidade de utilizar determinada estrutura durante períodos definidos em contrato.

Ipioca Mar Resort All Inclusive, novo empreendimento da MME Vacation Club no litoral de Maceió
Ipioca Mar Resort All Inclusive, novo empreendimento da MME Vacation Club no litoral de Maceió - Divulgação

Na prática, portanto, o foco deixa de ser a propriedade e passa a ser o acesso ao empreendimento. Para quem costuma viajar com frequência e tem interesse em um determinado destino ou resort, a modalidade pode funcionar como uma forma de estabelecer previamente períodos de utilização, desde que as condições previstas no contrato sejam compatíveis com seus planos.

É justamente por isso que a análise das regras do contrato ganha importância. Duração do direito, períodos disponíveis, necessidade de reserva, possibilidade de transferência, utilização por convidados, custos adicionais e serviços incluídos são alguns dos pontos que precisam ser verificados antes da contratação.

A diferença também aparece na estrutura de custos. Na multipropriedade, o consumidor é proprietário de uma fração da unidade e participa das despesas relacionadas ao imóvel, conforme as regras do empreendimento. No direito de uso, como não há aquisição de uma parcela da propriedade, essa relação é diferente e deve ser definida pelas condições contratuais do produto.

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Resort com sistema all inclusive

É nesse modelo que será estruturado o Ipioca Mar Resort All Inclusive. Em fase de lançamento, o empreendimento da MME Vacation Club tem previsão de entrega para 2030 e será comercializado pelo sistema de direito de uso.

O projeto será implantado em Ipioca, no litoral de Maceió, e combinará o acesso programado ao resort com o sistema all inclusive. A proposta prevê concentrar no próprio empreendimento serviços como hospedagem, alimentação, bebidas e atividades de lazer.

Ipioca Mar Resort All Inclusive tem previsão de entrega para 2030
Ipioca Mar Resort All Inclusive tem previsão de entrega para 2030 - Divulgação

Nesse formato, a experiência contratada não se limita à hospedagem. O consumidor passa a ter direito de utilização do resort de acordo com o período e as condições estabelecidos na contratação, enquanto os serviços oferecidos seguem as regras específicas do sistema all inclusive.

A empresa também mantém parceria com a RCI, que permite a troca de períodos de hospedagem por estadias em outros destinos. As condições para utilização do sistema de intercâmbio, assim como eventuais taxas e regras, dependem do contrato e das normas da parceria.

Para o consumidor, uma das questões centrais é avaliar a frequência com que pretende viajar e por quanto tempo pretende manter o contrato. Um período de uso previamente estabelecido pode ser adequado para quem tem uma rotina de viagens relativamente previsível, mas pode ter menos utilidade para quem prefere decidir o destino e as datas das férias de maneira mais flexível.

Diferentes modelos no mesmo destino

A MME Vacation Club já atua no segmento de férias compartilhadas em Ipioca e informa ter mais de 7 mil famílias clientes. O grupo trabalha com diferentes formatos de acesso a empreendimentos turísticos.

O Ipioca Beach Residence & Resort opera no regime de multipropriedade. Já o Ipioca Beach Home Collection está em construção e também será estruturado nesse modelo, com previsão de entrega para 2027.

Direito de uso ganha espaço no mercado de férias compartilhadas
Direito de uso ganha espaço no mercado de férias compartilhadas - Divulgação

O Ipioca Mar Resort terá uma proposta diferente dentro do portfólio da empresa. No lugar da aquisição de uma fração imobiliária, o projeto será baseado no direito de uso, colocando o foco no acesso periódico à estrutura do resort.

A diferença entre os modelos faz com que a decisão do consumidor não dependa apenas do destino ou da estrutura oferecida. É necessário considerar também a natureza do contrato, o período de utilização, os custos envolvidos e a possibilidade de uso efetivo ao longo dos anos.

No caso do direito de uso, portanto, o principal ativo para o consumidor não é a propriedade do imóvel, mas o direito contratado de utilizar determinado empreendimento turístico nas condições estabelecidas. É uma mudança na lógica tradicional das férias compartilhadas, que aproxima a contratação de um serviço de acesso recorrente a uma experiência de hospedagem.