Seguro do cartão pode virar dor de cabeça durante viagem ao exterior

Reembolso, exigência de compra da passagem e limites para determinadas atividades estão entre os pontos que exigem atenção antes da viagem

O seguro-viagem oferecido como benefício de alguns cartões de crédito pode parecer suficiente para quem pretende viajar ao exterior. A cobertura, porém, está sujeita às condições previstas em cada contrato, e detalhes como a forma de pagamento das despesas, a maneira como a passagem foi comprada e o perfil do viajante podem interferir no atendimento.

Na prática, uma das principais diferenças está na forma de utilização da cobertura. Em alguns casos, o viajante precisa pagar a despesa médica no exterior e solicitar o reembolso posteriormente. Dependendo do país e do tipo de atendimento, isso pode representar uma despesa de milhares de dólares antes mesmo de o passageiro conseguir retornar ao Brasil.

Seguro do cartão pode não cobrir o que você imagina no exterior
Seguro do cartão pode não cobrir o que você imagina no exterior - Shoko Shimabukuro/iStock

Nos Estados Unidos, por exemplo, uma emergência médica pode resultar em uma conta elevada. Segundo Paulo Zamboni, CEO do Seguros Promo, há cartões cuja cobertura funciona exclusivamente por reembolso. Nessa situação, o viajante precisa arcar inicialmente com o atendimento e depois apresentar a documentação para solicitar o ressarcimento.

Outro ponto é que o benefício do cartão não necessariamente funciona de forma automática após a compra da viagem. As regras variam de acordo com a instituição financeira, a bandeira e o produto contratado, e podem estabelecer condições específicas para que a proteção seja válida.

Que tal um desconto?

Uma página inteirinha só de descontos: na Catraca Viagens, parceria entre a Catraca Livre e a Conecta Fidelidade, você reservar voos, hotéis, carros e passeios todos com descontos! Basta se inscrever e usar o cupom #DESCONTOCATRACA antes de finalizar a compra.

O que verificar antes de embarcar

Uma das exigências mais comuns é o vínculo entre a compra da viagem e o cartão. Em determinados produtos, a cobertura só é ativada quando a passagem aérea é paga integralmente com o cartão que oferece o benefício. Em viagens emitidas com milhas, pode haver exigência de pagamento das taxas de embarque no mesmo cartão.

Também é preciso observar quais atividades estão incluídas na proteção. Passeios realizados durante a viagem, especialmente aqueles que envolvem algum tipo de risco, podem ter tratamento diferente nas condições gerais da apólice. Esqui, passeios de barco e quadriciclo são exemplos de atividades que podem exigir cobertura específica.

A idade do passageiro e a existência de condições de saúde anteriores à viagem são outros pontos que merecem atenção. Algumas coberturas estabelecem limites ou condições específicas para pessoas acima de determinada faixa etária, gestantes e viajantes com doenças preexistentes.

O traslado sanitário também deve ser analisado. A cobertura pode ter um limite financeiro definido para o transporte do paciente em situações graves, e o valor previsto no contrato pode não ser suficiente para determinadas operações, como um transporte em UTI aérea.

Por isso, antes de embarcar, é importante conferir não apenas o valor máximo da cobertura médica, mas também como ela pode ser utilizada, quais despesas estão incluídas e quais situações ficam de fora.

Seguro do cartão não é necessariamente igual ao seguro-viagem

A comparação entre as duas modalidades passa, principalmente, pelas condições de atendimento. Um seguro-viagem contratado especificamente para a viagem pode oferecer uma rede de assistência própria, enquanto determinados benefícios de cartões funcionam por meio de reembolso.

A recomendação é considerar o destino, a duração da viagem, a idade dos passageiros e as atividades previstas no roteiro antes de escolher a proteção. Para quem pretende esquiar, praticar esportes ou realizar atividades que envolvam algum risco, por exemplo, é importante verificar se a modalidade está expressamente contemplada.

Outro cuidado é conferir as regras antes da partida, e não apenas quando surge uma emergência. Condições para ativação, documentos exigidos, limites de cobertura e procedimentos para atendimento podem fazer diferença justamente quando o viajante mais precisa da assistência.

Ter mais de uma proteção também pode ser uma alternativa, desde que as regras de cada uma sejam respeitadas. Segundo Zamboni, não é possível receber duas indenizações pelo mesmo evento médico, mas as coberturas podem ter funções diferentes, como utilizar uma proteção para despesas de saúde e outra para situações relacionadas a atraso de voo.

No fim, o cartão de crédito pode oferecer uma proteção útil durante a viagem, mas o benefício não deve ser confundido com uma cobertura universal. Antes de embarcar, ler as condições do seguro e entender como ele funciona pode evitar que uma emergência no exterior se transforme em uma despesa inesperada.