Com medo, criadora de grupo contra Bolsonaro desativa seu perfil

Criadora do grupo contra Bolsonaro está com medo

Por: Redação | Comunicar erro

Depois que o grupo de Mulheres Unidas contra Bolsonaro bombou no Facebook, as milícias digitais vieram, chamaram as administradoras de “putas”, “vagabundas” e as acusaram de fazer campanha para alguma candidatura. Alguns dizem que elas deveriam apanhar ou até serem estupradas.

O principal alvo foi Ludmilla Teixeira, uma das idealizadoras do grupo, tanto que ela se viu obrigada a desaparecer das redes, desativando seu perfil pessoal. “Sinceramente, estou com medo”, afirmou à Catraca Livre, diante dos ataques crescentes.

“Acredito que a maior conquista deste grupo é que nossa atual conjuntura política torna muito difícil que todas as minorias sociais existam e resistam. E nós, mulheres, encontramos um local de pertencimento, um sentimento de coletividade que nos fez acreditar que podemos fazer as mudanças acontecerem de forma efetiva. Aquela sensação de não estarmos sós e de encontrarmos tantas mulheres dispostas a lutar por nosso espaço e tomarmos para nós aquilo que é nosso por direito, o espaço de fala e de luta, é que nos faz acordar cada dia com mais vontade de desconstruir discursos que querem nos deixar à margem”, afirma.

No vídeo abaixo, Ludmilla Teixeira, comemora quando o grupo tinha apenas 6,000 seguidores – agora, já passou de 1 milhão.

Ludmilla está sendo acusada de fazer campanha para o PT e até de forjar os números. Um ponto que foi alvo de debate é a discrepância do número de membros do grupo. Para quem está inserido na rede, aparece mais de 1,6 milhão de mulheres, mas oficialmente o número é de cerca de 1 milhão.

Segundo um porta-voz do Facebook, isso acontece porque o número visível dentro do grupo, que é fechado, inclui pessoas que foram convidadas, mas ainda não responderam ou não tiveram seu nome analisado pelas administradoras.

“O número que está visível para não membros do grupo reflete apenas o número de pessoas que realmente participam do grupo”, diz o porta-voz. Mas, a julgar pelo número interno,  em muito breve será atingido o patamar de 1 milhão.  Há pelo menos 800 mil mulheres à espera de aprovação ou que ainda não tiveram o convite aceito.

O grupo

Ludmilla ressalta que o grupo está sofrendo ataques na redes sociais e teme infiltração do time de moderadoras voluntárias. Com medo disso, a rede está analisando com cuidado a oferta de ajuda voluntária para fazer a intermediação.

“Grupo destinado a união das mulheres de todo o Brasil (e as que moram fora do Brasil) contra o avanço e fortalecimento do machismo, misoginia e outros tipos de preconceitos representados pelo candidato Jair Bolsonaro e seus eleitores. Acreditamos que este cenário que em princípio nos atormenta pelas ameaças as nossas conquistas e direitos é uma grande oportunidade para nos reconhecer como mulheres. Esta é uma grande oportunidade de união! De reconhecimento da nossa força!”, diz a descrição no Facebook.

Segundo as regras das moderadoras, o grupo é destinado apenas para mulheres cis ou trans, as discussões devem ocorrer de forma respeitosa, e não são permitidos discursos de ódio, enquetes sobre intenção de votos e a exposição de publicações feitas dentro da comunidade. Além disso, não é aceita propaganda para nenhum candidato.

Ainda de acordo com Ludmilla, o objetivo da iniciativa não é atacar o Bolsonaro, mas sim, lutar contra o fascismo e o retrocesso que ele representa. “Infelizmente, ele é a figura mais nefasta para o público feminino, não tem propostas que nos ajude a encarar essa sociedade desigual. Na verdade, ele prega a redução dos nossos direitos”, explica.

A ideia do grupo surgiu como forma de juntar as mulheres em luta por seus direitos. No entanto, como se tornou algo muito maior, os planos das integrantes agora são organizar manifestações em cidades pelo país e, após as eleições, manter essa rede de apoio.

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